UOL Notícias Internacional
 

27/04/2010

Tornando a viagem mais fácil para os deficientes físicos

The New York Times
Tanya Mohn

Nunca é fácil viajar para pessoas com deficiências físicas, mas houve uma série de melhorias recentes, inclusive mais táxis que recebem cadeiras de rodas, veículos de aluguel adaptados e até sites da Web para pessoas com problemas visuais ou de destreza. 

Novos regulamentos atualizando o Ato de Acesso por Empresas Aéreas, por exemplo, agora estendem a cobertura a voos por empresas estrangeiras que se originam ou pousam nos EUA, ou a bilhetes emitidos por empresas aéreas norte-americanas. 

As companhias aéreas têm que fornecer acomodações para pessoas que viajam com oxigênio ou outras necessidades respiratórias, para quem viaja com um animal de apoio ou tem problema de visão ou audição. Se o passageiro não conseguir usar os quiosques automatizados para fazer o check-in ou imprimir o cartão de embarque, por exemplo, as empresas são obrigadas a prestar assistência no quiosque ou permitir que passem na frente da fila. 

“Em muitos países, as pessoas com deficiências têm pouquíssimos direitos”, disse Eric Lipp, diretor executivo da Organização Portas Abertas, um grupo sem fins lucrativos em Chicago que serve a pessoas com deficiências. “Agora está mais fácil viajar para o exterior.” 

Lipp foi instrutor em uma recente sessão de treinamento de companhias comerciais estrangeiras, que seu grupo patrocinou junto com a Associação de Transporte Aéreo Internacional. 

A Portas Abertas estima que as pessoas com deficiências gastem em torno de US$ 15 bilhões (R$ 30 bilhões) anualmente em viagens. E com o crescimento da expectativa de vida, o número de pessoas com deficiências também deve aumentar. Lipp disse que, com base nos dados do censo, quase um quarto da população americana deve ter alguma deficiência até 2030. “Não é mais questão de caridade. É bom para os negócios”, disse Jani Nayar, coordenadora executiva da Sociedade de Viagem Acessível e Hospitalidade. 

Os sites da Web não entraram no Ato de Americanos com Deficiências (ADA), aprovado há quase 20 anos, mas um número crescente está se adaptando às necessidades dos deficientes, dizem especialistas. 

Shane Cameron, vice-presidente de marketing do Points.com, site que permite que os membros troquem pontos ou milhas entre programas de fidelidade, disse que a empresa recentemente instalou um programa fornecido pela empresa Essencial Accessibility. “Eram fregueses que não conseguíamos alcançar”, disse ele. 

“O software efetivamente serve como cadeira de rodas virtual”, disse Simon Dermer, diretor de gerenciamento da Essencial Accessibility. O programa usa tecnologias como um mouse hands-free, ativado com uma câmera de Web que acompanha o movimento do rosto. 

Atualmente existem muitos carros de aluguel com controles de mão e as vans acessíveis por cadeira de rodas estão se tornando mais comuns. 

Nick Gutwein, presidente da BraunAbility, empresa que converte vans para serem acessíveis, disse que era possível “voar para muitas cidades pelo país e facilmente alugar um veículo adaptado para cadeira de roda”. Ele acrescentou: “Você não podia fazer isso há dois ou três anos”. A maior parte da rede de 208 lojas de aluguel de automóveis do país dispõe de carros para deficientes. 

Peter Schenkman, ex-comissário da Comissão de Táxi e Limusine de Nova York, disse que cada vez mais cidades americanas têm táxis acessíveis por cadeira de rodas em suas frotas. Mas é virtualmente impossível pegar um desses e são muito raros nos aeroportos de Nova York porque, como na maior parte das cidades, os táxis acessíveis são uma pequena porcentagem das frotas. 

Lipp, da Portas Abertas, anda de colete ortopédico e bengala e usa uma lambreta elétrica desde que tumores na coluna o deixaram parcialmente paralisado. Ele se lembra de tentar pegar um táxi perto do Departamento de Transporte em Washington. “Os táxis não paravam porque não queriam lidar com minha lambreta. Tive que pedir a um policial que intercedesse.” 

Leva tempo para ajudar uma pessoa com deficiência viajando com equipamentos a entrar no carro, disse ele. Com o taxímetro desligado, os motoristas perdem dinheiro. 

Schekman disse que muitos proprietários de táxis não fazem a conversão de seus veículos porque os custos são proibitivos. 

Na Europa e na Ásia, uma série de fabricantes de carros produziu veículos acessíveis por cadeira de roda para uso geral ou para táxis. Eles não estão disponíveis nos EUA, mas no outono, o Vehicle Production Group de Miami planeja introduzir o MV-1, ao mercado americano, disse Schenkman. A Nissan e a Karsan, empresa turca, devem produzir veículos similares nos próximos anos, disse ele. 

Lipp disse que veículos como o MV-1 “vão revolucionar os táxis”. 

James Weisman, vice-presidente e consultor geral da Associação Unida da Coluna, um grupo sem fins lucrativos, disse que a espontaneidade e a mobilidade são cruciais para os empresários em viagem. “Sem isso, perdem a competitividade”. 

Outras dificuldades permanecem.

“Até agora, apenas 20% das estações da Amtrak obedecem às normas do ADA”, disse Weisman, e a maior parte fica no Nordeste. 

Kleo King, outro vice-presidente da associação da coluna, que dirige Able to Travel, uma agência de viagens para pessoas com deficiências, disse que é mais fácil atualmente alugar vans acessíveis e as empresas que as fornecem oferecem excelente serviço ao consumidor, mas muitas vezes são caras e raras nas zonas rurais. 

Paul J. Tobin, presidente da associação da coluna que é quadriplégico, falou dos problemas que encontrou nos hotéis. Ele disse que os quartos são tecnicamente acessíveis, mas são tão cheios de mobília que é quase impossível manobrar com uma cadeira de roda, e os colchões altos tornam as camas inacessíveis. Ele disse que em geral tem que chamar alguém para remover os móveis. 

Peter Zarba, gerente da Bussani Mobility em Bethpage, N.Y., que é quadriplégico, disse: “Os hotéis afirmam que têm quartos acessíveis, mas acessível significa coisas diferentes para as pessoas”. Chuveiros nos quais se entra com a cadeira de rodas são raros. Quando existem, os controles de água são distantes e as barras estão em locais inconvenientes, disse ele. 

“Não sei nem quantas vezes os hotéis têm um balcão de recepção mais baixo, conforme exigido pelo ADA, mas está bloqueado por um grande vaso de flores”. 

Os restaurantes também muitas vezes são desenhados para atender os deficientes, mas as mesas estão próximas demais para a passagem de uma cadeira de roda ou os banheiros podem estar nos fundos, exigindo que passem por todo mundo. 

“As empresas muitas vezes aderem à letra da lei, mas não compreendem o espírito”, disse ele.

Tradução: Deborah Weinberg

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