UOL Notícias Internacional
 

28/04/2010

Apesar dos problemas, Obama mantém prazo para retirar tropas do Iraque

The New York Times
Peter Baker e Rod Nordland*
Em Washington (EUA)
  • O presidente norte-americano, Barack Obama, visita o cemitério nacional de Arlington (EUA). A área contém os túmulos de soldados mortos no Iraque e no Afeganistão

    O presidente norte-americano, Barack Obama, visita o cemitério nacional de Arlington (EUA). A área contém os túmulos de soldados mortos no Iraque e no Afeganistão

Quando o presidente Barack Obama aprovou um plano para retirada das forças de combate no Iraque até agosto, ele se baseava na suposição de que haveria um governo recém-eleito no poder quando os americanos voltassem para casa. Quatorze meses depois, os pré-requisitos para o plano de Obama estão ruindo, mas o plano permanece o mesmo. 

O atraso e a confusão pós-eleitoral iraquiana significam que poderá levar meses até a formação do próximo governo, ao mesmo tempo em que dezenas de milhares de tropas americanas se preparam para partir. Mas Obama não realiza uma reunião de alto nível sobre o Iraque há meses e a Casa Branca insiste que não tem plano de rever o prazo para a retirada. 

A situação representa um teste para a promessa de Obama de colocar um fim à guerra de sete anos, talvez a promessa mais definidora que fez quando concorria à presidência. Apesar de Obama ter provado ser flexível em relação às outras promessas de campanha e prazos, seu plano de retirada das forças de combate até agosto e dos 50 mil treinadores e consultores remanescentes até dezembro de 2011 tem sido a mais inviolada de suas políticas. 

Ao se ater ao prazo, Obama está na prática abandonando a tese que adotou por recomendação dos conselheiros civis e militares em fevereiro de 2009, a de que uma grande presença militar americana seria necessária para fornecer estabilidade durante a transição pós-eleitoral. 

Em vez disso, o presidente agora está se apoiando na conclusão de que os iraquianos estão prontos para os desafios de governo e segurança que por muito tempo dependiam dos americanos. 

“Nós não vemos indicações agora de que nosso planejamento precisa ser alterado”, disse Ben Rhodes, um vice-conselheiro de segurança nacional de Obama. “Nós prevíamos um período prolongado de formação do governo”, e as recentes missões lideradas por iraquianos que mataram líderes da Al Qaeda no Iraque mostram “sua crescente capacidade de fornecer segurança, o que é crítico para encerrar nossa missão de combate no final de agosto”. 

Apesar de Obama não ter convocado uma reunião sobre o Iraque ultimamente, Rhodes notou que ele recebe atualizações regulares do vice-presidente Joe Biden, que está administrando a política. “É algo em que ele está obviamente engajado”, disse Rhodes sobre o presidente. 

Para Obama, a mudança do prazo seria complicada tanto por motivos logísticos quanto políticos. Enquanto retira tropas do Iraque, ele está enviando mais para o Afeganistão, colocando pressão sobre as forças armadas. E com sua base liberal furiosa com o aumento de tropas no Afeganistão, qualquer atraso na retirada no Iraque poderia provocar ainda mais consternação na esquerda. 

Mas a resistência em rever o prazo tem provocado preocupação entre ex-oficiais americanos, incluindo alguns que participaram na formulação da política de Obama no ano passado. O plano original previa as eleições iraquianas em dezembro e a formação de um novo governo pelo menos 60 dias depois. Em vez disso, as eleições só ocorreram em março e resultaram em um quase empate entre os partidos do primeiro-ministro Nouri al Maliki e do ex-primeiro-ministro Ayad Allawi. E agora os dois estão lutando nos tribunais e em recontagens. 

Ryan C. Crocker, o ex-embaixador americano no Iraque que foi nomeado pelo presidente George W. Bush e posteriormente fez recomendações a Obama sobre a retirada, disse que o governo deveria considerar uma prorrogação ao prazo de agosto. 

“Eu estou um pouco nervoso”, disse Crocker, atualmente reitor da Escola Bush de Governom e Serviço Público da Texas A&M University, em uma recente entrevista. “As eleições ocorreram mais tarde do que o esperado e os resultados foram muito apertados entre Maliki e Allawi, o que sugere que será um processo muito longo. Nós podemos nem mesmo ter um novo governo no prazo de agosto. Eu gostaria que os Estados Unidos mantivessem a flexibilidade original.” 

Meghan O’Sullivan, uma ex-conselheira de segurança nacional de Bush que supervisionou a política para o Iraque, também disse que agosto pode ser cedo demais. 

“Eu sou favorável a uma mudança do prazo rígido atual para algo mais flexível, que reflita melhor a situação fluida e tensa no Iraque, onde a última coisa que os iraquianos realmente precisam é que os Estados Unidos estejam mais concentrados na retirada do que qualquer outra coisa em um momento de alta incerteza política”, ela disse. 

Dois ex-funcionários que trabalharam na política para o Iraque durante o governo Obama disseram que após ter ficado claro o quanto as eleições seriam adiadas, o general Ray Odierno, o comandante no Iraque, queria manter uma brigada de combate de 3 mil a 5 mil soldados no norte do Iraque após o prazo de 31 de agosto. Mas os funcionários, que falaram sob a condição de anonimato devido à delicadeza do assunto, disseram que ficou claro que a Casa Branca não queria a permanência de nenhuma unidade de combate. 

O general Stephen R. Lanza, um porta-voz de Odierno, disse que não foi feito nenhum pedido formal à Casa Branca. Ele também acrescentou que “o presidente também nunca lhe negou as ferramentas que precisava para completar nossa missão”. 

Odierno, assim como seu comandante, o general David H. Petraeus, e o atual embaixador, Christopher J. Hill, disseram nos últimos dias que estão satisfeitos com o prazo atual. 

“Eu me sinto bastante confortável com nosso plano”, disse Odierno ao “Fox News Sunday” na semana passada, “e a menos que algo imprevisto e desastroso aconteça, eu espero que nosso número esteja em 50 mil em primeiro de setembro”. 

Petraeus, em uma entrevista, disse que a força restante “ainda é um número substancial”, que deve ser capaz de cuidar da situação. “Todo o processo de retirada e mudança da missão está nos trilhos”, ele disse, “e o que estamos vendo após as eleições inclui os esforços da Al Qaeda no Iraque de novamente incitar a violência sectária, mas não temos visto sucessos neste sentido”. 

Alguns analistas militares que defendiam um número maior de tropas no Iraque no passado concordaram que o prazo atual ainda faz sentido. Michael O’Hanlon, um acadêmico da Instituição Brookings, disse que permanecer mais tempo apenas permitiria aos americanos ficarem enredados na decisão entre Al Maliki e Allawi. “Eu não vejo por que devemos tomar partido em uma guerra civil de cima para baixo”, ele disse. 

*Reportagem de Peter Baker, em Washington, e Rod Nordland, em Bagdá (Iraque). Thom Shanker e Elisabeth Bumiller, em Washington, contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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