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28/04/2010

Endurecimento da imigração dá aos partidos dos EUA uma espada de dois gumes

The New York Times
Adam Nagourney
Em Washington (EUA)
  • Protesto contra nova lei que criminaliza imigrantes ilegais no Arizona (EUA)

    Protesto contra nova lei que criminaliza imigrantes ilegais no Arizona (EUA)

O republicano John McCain, do Arizona, falou no plenário para o Senado abraçar a nova lei dura do Arizona, que dá à polícia autoridade para deter pessoas suspeitas de serem imigrantes ilegais. McCain, que já foi um defensor de dar aos imigrantes ilegais um caminho para a cidadania, está enfrentando um conservador nas eleições primárias que apoia medidas de imigração mais duras.

Nesta semana, o senador Harry Reid de Nevada, o líder da maioria democrata, anunciou abruptamente que o Senado discutiria um projeto de lei de imigração para tratar tanto de uma maior segurança da fronteira quanto da cidadania, mesmo diante das adversidades intimidantes. Reid também enfrenta uma dura batalha para a reeleição, e seus assessores acreditam que os eleitores latinos em Nevada poderão ser chave para sua reeleição.

O assunto da imigração que tomou Washington se transformou em um desafio político tanto para os republicanos quanto para os democratas, enquanto lutam para lidar com as complexidades e emoções de uma questão que está misturando as linhas geográficas e partidárias.

Na terça-feira, dois republicanos proeminentes da Flórida, outro Estado com grande população imigrante –o ex-governador Jeb Bush e o candidato ao Senado, Marco Rubio– expressaram reservas em relação à lei do Arizona, apesar de outros legisladores republicanos a apoiarem. A curto prazo, a promessa de Reid de discutir a legislação de imigração ainda neste ano poderia prejudicar alguns democratas nas eleições de novembro, causando problemas com eleitores que consideram os imigrantes como concorrentes para os empregos difíceis de encontrar e a imigração ilegal como um dreno de recursos dos serviços sociais, disseram analistas de ambos os partidos. Isso poderia ser um problema especialmente para os democratas em primeiro ou segundo mandato que representam os Estados operários atingidos de forma particularmente dura pela recessão. 

Mas o Partido Republicano poderia enfrentar riscos de longo prazo se passar a ser identificado com a legislação de repressão à imigração ilegal, em um momento em que os eleitores latinos estão despontando como uma parte cada vez maior e engajada do eleitorado americano. A lei do Arizona enfureceu muitos grupos latinos, que a consideram uma forma de discriminação. “A imigração é o assunto mais explosivo que vi na minha carreira política”, disse Mark McKinnon, que foi um alto assessor tanto de McCain quanto do ex-presidente George W. Bush, que também apoiou dar aos imigrantes ilegais um caminho para a cidadania. 

“Esta é uma questão em que os republicanos estão salivando pelos ganhos a curto prazo, sem pensar nos danos a longo prazo que causará ao partido”, disse McKinnon. Mas, ele disse: “O Arizona pode forçar os democratas a lutarem pela reforma da imigração. Infelizmente, um ano eleitoral é o pior momento para tratar desta questão”. 

Ambos os partidos concordam com a necessidade de uma melhor segurança na fronteira. Mas eles também precisam considerar como lidar com os imigrantes ilegais que já estão nos Estados Unidos, contra os desejos de eleitorados poderosos, incluindo os latinos, que desejam ver muitos imigrantes ilegais terem a chance de se tornarem legais, empregadores que dependem da mão-de-obra barata eles que fornecem e eleitores operários que consideram os trabalhadores sem documentos como ameaças aos seus empregos e níveis salariais. 

Apesar da recente conversa de tramitação do projeto de lei de imigração, parece improvável que o Congresso atuará neste ano, especialmente considerando que nenhum senador republicano atualmente parece disposto a trabalhar com a Casa Branca no assunto, disseram funcionários da Casa Branca e do Congresso na terça-feira. Reid disse na terça-feira que apresentaria primeiro as legislações de energia e mudança climática, deixando incerto se o Senado teria tempo para lidar com a imigração neste ano. E não há evidência de que os democratas possuem os votos para a aprovação de algo. O senador Lindsey Graham da Carolina do Sul, que tem sido o principal defensor republicano da mudança das leis de imigração –preenchendo a lacuna deixada por McCain– anunciou que não apoiaria a discussão da imigração neste ano, e disse que Reid estava cometendo um erro ao tentar pressionar a aprovação de algo. 

A lei do Arizona foi o que trouxe o assunto ao primeiro plano, mais do que qualquer outro fator. O presidente Barack Obama a condenou, assim como muitos grupos de liberdades civis e um punhado de republicanos. Em uma entrevista para a “Politico” na terça-feira, Jeb Bush, o ex-governador da Flórida, disse: “É difícil para mim imaginar como alguém fiscalizaria o cumprimento desta lei. Ela coloca um grande fardo sobre a polícia local e também há questões significativas de liberdades civis”. 

Até certo ponto, a Casa Branca tem motivos para ficar feliz por Reid estar lutando por uma questão de tamanha importância para os latinos, uma parte crítica da base de Obama em Estados como Nevada, em 2008, e um grupo de eleitores que a Casa Branca espera mobilizar em novembro. Mesmo se nenhum projeto de lei for votado pelo Senado, os democratas poderão destacar seu apoio ao assunto. 

“E fácil para os democratas serem demagogos e tentar usar isto como uma calçadeira”, disse o senador John Cornyn, um republicano do Texas que é presidente do Comitê Senatorial Nacional Republicano. “É um assunto muito sensível. Um terço do meus eleitores no Texas é latino.” 

“O que descobri é que meu relacionamento com eles não se baseia em uma única questão”, disse Cornyn. 

Obama, viajando por Iowa na terça-feira, disse que a lei do Arizona representa um molestamento e aumentou a urgência de uma nova política nacional de imigração. Mas ele disse que qualquer plano precisa de apoio bipartidário. 

“Só acontecerá se democratas e republicanos se unirem para fazer isso”, disse Obama. 

Mas os obstáculos para aprovação da legislação são substanciais, particularmente em um momento de alto desemprego e violência na fronteira mexicana envolvendo os narcotraficantes. 

“Eu acho que será extremamente difícil para um projeto de imigração ser aprovado neste ano”, disse a senadora Mary L. Landrieu, democrata da Louisiana. 

Alguns democratas disseram que as perspectivas de um acordo legislativo podem ser melhores em 2011, particularmente se as taxas de desemprego caírem e os latinos continuarem se mobilizando e crescendo como força eleitoral. “Nós trabalharemos arduamente para que uma reforma abrangente da imigração ocorra o mais cedo possível”, disse o senador Charles E. Schumer de Nova York, o terceiro líder do Senado.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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