UOL Notícias Internacional
 

30/04/2010

EUA intensificam esforço para controlar vazamento de petróleo no Golfo

The New York Times
Campbell Robertson*
Em Nova Orleans (EUA)

A resposta ao vazamento de petróleo no Golfo do México foi intensificada abruptamente na quinta-feira, com o governo federal intervindo mais agressivamente à medida que a mancha de petróleo que cresce rapidamente se aproxima cada vez mais da costa frágil da Louisiana.

Os recursos da Marinha americana foram manobrados para complementar a operação que já consiste de mais de 1.000 pessoas e dezenas de embarcações e aeronaves. 

O chamando de “um vazamento de importância nacional” que pode ameaçar o litoral de vários Estados, a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano anunciou a criação de um segundo posto de comando em Mobile, Alabama, além do existente em Louisiana, para administrar o impacto costeiro potencial no Alabama, Mississippi e Flórida. O secretário do Interior, Ken Salazar, ordenou uma revisão imediata das 30 plataformas marítimas de exploração de petróleo e das 47 plataformas de produção que operam em águas profundas do Golfo, e está enviando equipes para conduzir inspeções no local. 

A mancha de petróleo estava a apenas cinco quilômetros da costa na tarde de quinta-feira e a expectativa era de que atingisse a Louisiana já na noite de quinta-feira, levando o governador Bobby Jindal a declarar estado de emergência e requisitar a participação da Guarda Nacional nos esforços de limpeza. Cerca de 12 mil metros de barreiras foram colocados ao redor de Pass-a-Loutre, a área do Delta do Rio Mississippi onde era esperado que o petróleo chegaria primeiro, disse um porta-voz de Jindal. 

A Marinha forneceu 50 empresas prestadoras de serviço, sete sistemas de remoção e 20 mil metros de barreiras de contenção infláveis. Cerca de 65 mil metros de barreiras foram instaladas para proteger o litoral em vários lugares ao longo da Costa do Golfo, apesar dos especialistas terem dito que as terras pantanosas representavam um maior desafio de limpeza do que as praias arenosas. 

Oito dias após a primeira explosão na plataforma petrolífera, que matou 11 trabalhadores, o tom dos boletins da equipe de resposta mudou abruptamente na noite de quarta-feira, com uma coletiva de imprensa convocada às pressas para anunciar que a taxa do vazamento era estimada em 5 mil barris por dia, ou mais de 750 mil litros –cinco vezes a estimativa anterior. Na quinta-feira, estava evidente que a operação de limpeza necessitava urgentemente de ajuda, já que não havia nenhum indício de que o poço seria selado tão cedo e com o petróleo se aproximando da costa.

O esforço de resposta foi liderado pela BP, a empresa que operava a plataforma de petróleo e que é responsável pela limpeza, sob supervisão da Guarda Costeira. Apesar de recursos federais, incluindo apoio naval, já estarem disponíveis antes de quarta-feira, as autoridades deram pouca indicação de que esses reforços seriam empregados tão rapidamente e em tamanha escala. 

“Parte deles estava disponível desde o início”, disse a contra-almirante Mary E. Landry da Guarda Costeira, a coordenadora federal no local, sobre os recursos federais. “Nós podemos aumentá-los de acordo com a necessidade.” 

Referindo-se ao que ela chamou de “tensão dinâmica” entre os participantes na resposta ao vazamento, Landry disse que é seu dever assegurar que a BP tente todas as abordagens disponíveis. 

“Se a BP não requisitar esses recursos, então eu posso e irei”, ela disse. 

Ao ser perguntada sobre se a Guarda Costeira mantinha a confiança nos esforços da BP, Landry disse: “A BP, desde o primeiro dia, tem tentado responder à altura e ser uma empresa muito responsável”. 

A BP, por sua vez, apontou em mais de uma ocasião que a Transocean é dona da plataforma de petróleo e do “blowout preventer” (BOP –sistema de prevenção de fluxo descontrolado), o dispositivo que aparentemente falhou em funcionar apropriadamente e que continua sendo o maior obstáculo para interromper o vazamento. 

Ressaltando quão grave a situação se tornou, a BP está solicitando ideias e técnicas de quatro outras grandes companhias petrolíferas – Exxon Mobil, Chevron, Shell e Anadarko. Os representantes da BP também pediram ajuda ao Departamento de Defesa em suas tentativas de ativar o blowout preventer, um conjunto de válvulas ativadas hidraulicamente no topo do poço, que é projetado para selar o poço no caso de uma liberação repentina de pressão. 

Doug Suttles, o diretor operacional chefe de exploração e produção da BP, disse que a empresa pediu especificamente aos militares por melhor tecnologia de imagens e mais veículos avançados de operação remota. Até o momento, há seis desses veículos monitorando ou tentando ativamente consertar o blowout preventer, que está situado no solo do oceano. 

“Para ser franco, a oferta de ajuda de todos os cantos é bem-vinda”, disse David Nicholas, um porta-voz da BP. 

Mas Norman Polmar, um especialista em sistemas militares, disse que os submersíveis robóticos utilizados pela indústria petrolífera são melhor equipados para tentar deter o vazamento de petróleo do que qualquer minissubmarino da Marinha. Ele disse que os submarinos não-tripulados da Marinha possuem câmeras e podem recuperar pedaços de equipamento, mas não são projetados para tapar um buraco em um cano ou realizar trabalho de reparos. 

Veja como foi a explosão da plataforma de petróleo no Golfo do México

Outros esforços para conter o vazamento incluem uma tática que Landry chamou de “absolutamente nova”: equipes aguardavam aprovação na noite de quinta-feira para começarem a despejar dispersantes químicos no fundo do mar, perto da fonte dos vazamentos. Aeronaves despejaram quase 380 mil litros de dispersantes na superfície para decompor o petróleo, uma estratégia mais convencional. 

A BP também está projetando e construindo grandes estruturas semelhantes a caixas para serem baixadas sobre os vazamentos no duto de interligação, o cano de 1.500 metros de comprimento que conecta o poço à plataforma de petróleo, que se soltou e está serpenteando no fundo do oceano. As estruturas conteriam o petróleo que está vazando e o conduziriam para a superfície para ser coletado. Esta solução temporária poderia levar semanas para ser executada. 

Suttles disse que três dessas estruturas estavam sendo preparadas, sendo que uma está completa e poderia encurralar o pior dos vazamentos. Mas citando a revelação de um novo vazamento na noite de quarta-feira, os especialistas disseram que certamente mais deles são possíveis. 

“Todo esse movimento continuará aumentando o estresse e fadiga do cano, criando mais vazamentos”, disse Jeffrey Short, diretor de ciência para o Pacífico da Oceana e ex-químico da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), que ajudou a limpar o vazamento do Exxon Valdez em 1989. 

“Esta não é uma boa trajetória”, ele acrescentou. 

A próxima solução é perfurar poços de alívio que permitiriam às equipes tampar a cavidade que está vazando com lama, concreto ou outro líquido pesado. A perfuração de um poço desses deverá começar nas próximas 48 horas, disse Suttles, mas poderiam ser necessários três meses para que o vazamento seja fechado com este método. 

As dimensões legais e políticas do vazamento de petróleo também se espalharam na quinta-feira, com advogando dando entrada a uma enxurrada de processos em nome de pescadores comerciais, produtores de camarão e trabalhadores feridos contra a BP; a Transocean; a Cameron, a empresa que fabricou o blowout preventer; e outras empresas envolvidas no processo de exploração de petróleo, incluindo a Halliburton. 

Edward J. Markey, um democrata de Massachusetts que é presidente do Comitê Seleto de Independência Energética e Aquecimento Global, pediu aos chefes das grandes companhias de petróleo, incluindo a BP e três daquelas para as quais a BP pediu assistência, para testemunharem em uma audiência sobre o vazamento. 

Os oponentes do plano do presidente Barack Obama de expandir a exploração de petróleo em alto-mar também pediram uma suspensão. O senador Bill Nelson, democrata da Flórida, pediu na quinta-feira por uma moratória de toda nova exploração de petróleo em alto-mar enquanto a causa da explosão desta plataforma de petróleo estiver sob investigação. Nelson, um antigo oponente da exploração de petróleo além da costa da Flórida, disse em uma carta para Obama que a disseminação do vazamento de petróleo ameaça provocar um desastre econômico e ambiental ao longo de toda a Costa do Golfo. 

Funcionários do governo destacaram que o plano do presidente para exploração em alto-mar foi o início de um longo processo de revisão e não significa que novas áreas vejam atividade imediata de gás e petróleo. Eles também disseram que esperam que os membros do Congresso e o público tenham novas dúvidas a respeito da segurança das operações em alto-mar e que o governo repensará seu compromisso com a exploração em alto-mar diante do acidente. 

“Este é o início de um processo”, disse Carol M. Browner, a coordenadora de política de energia e clima da Casa Branca. “O que está ocorrendo agora também será levado em consideração.” 

*Robbie Brown, em Robert, Louisiana; John M. Broder e Helene Cooper, em Washington; e Christopher Drew e Henry Fountain, em Nova York, contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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