UOL Notícias Internacional
 

05/05/2010

Erros de segurança permitem que suspeito de atentado embarcasse em avião nos EUA

The New York Times
Scott Shane
Em Washington (EUA)

Por que Faisal Shahzad foi autorizado a embarcar em um voo para Dubai cerca de 24 horas após os investigadores do caso de terrorismo em Times Square tomarem conhecimento de que ele poderia estar ligado à tentativa de atentado a bomba? 

Apesar de Shahzad ter sido detido antes que pudesse partir, ocorreram pelo menos dois lapsos significativos na resposta de segurança do governo e da companhia aérea, que quase permitiram que ele escapasse, disseram funcionários do Departamento de Segurança Interna, do Birô Federal de Investigação e de outras agências na terça-feira. 

Primeiro, uma equipe de vigilância do FBI que encontrou Shahzad em Connecticut perdeu o rastro dele –não se sabe por quanto tempo– antes que ele dirigisse ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, disseram as autoridades. Como resultado, os investigadores não sabiam que ele estava planejando voar para o exterior até a lista final de passageiros ser enviada para as autoridades da Alfândega e Proteção de Fronteiras minutos antes da decolagem. 

Além disso, a Emirates Airline fracassou em atender a uma mensagem eletrônica enviada ao meio-dia de segunda-feira, notificando todas as companhias aéreas a verificarem a lista de pessoas proibidas de embarcar devido ao importante acréscimo de um nome, disseram as autoridades. Isso significou oportunidades perdidas de sinalizá-lo quando fez a reserva e pagou por sua passagem várias horas antes da partida. 

Altos funcionários do governo Obama e alguns membros do Congresso elogiaram na terça-feira a forma como o governo lidou com a investigação, notando que Shahzad foi identificado, rastreado e preso antes que pudesse escapar. 

Nas o prefeito Michael R. Bloomberg, apesar de ter dito que relutava em criticar as pessoas encarregadas pela segurança aeroportuária, acrescentou: “O sujeito estava claramente no avião e não deveria estar. Nós tivemos sorte”. 

A senadora Susan M. Collins, republicana do Maine, disse que aplaudiu o trabalho das autoridades na solução rápida da caso. Ainda assim, ela acrescentou: “Uma pergunta chave para mim é por que foi permitido que este suspeito embarcasse no avião. Parece haver uma lacuna preocupante entre o momento em que receberam seu nome e o momento em que embarcou no avião”. 

Em uma coletiva de imprensa em Washington, o secretário de Justiça, Eric H. Holder Jr., disse que apesar da quebra na vigilância física, ele nunca esteve preocupado de que Shahzad escaparia. 

Câmera de segurança flagra suspeito

“Eu estava aqui ontem, o dia todo, e durante grande parte da noite passada, e estava ciente de que a perseguição estava em andamento”, disse Holder. “Em nenhum momento eu temi o risco de perdê-lo.” 

Janet Napolitano, a secretária de segurança interna, chamou a captura do acusado de terrorismo de “um grande esforço de equipe”. Ela acrescentou: “O trabalho das autoridades neste caso foi realmente exemplar”. 

Apesar das autoridades terem enfatizado o resultado bem-sucedido da perseguição, um relato mais detalhado, em entrevistas com funcionários que falaram sobre a investigação em andamento na condição de anonimato, deram um quadro mais ambíguo. 

Na noite de domingo, cerca de 24 horas após o Nissan Pathfinder soltando fumaça ter sido estacionado em uma rua movimentada de Manhattan, os investigadores identificaram Shahzad como o comprador do carro. Apesar do número de identificação do veículo ter sido removido do compartimento do passageiro, um detetive encontrou uma cópia do número no bloco do motor. 

Mas àquela altura, disseram as autoridades, eles não sabiam ao certo qual era o papel de Shahzad e não sentiam que tinham evidência suficiente para prendê-lo e acusá-lo de um crime. Em vez disso, eles deram início a uma caçada humana urgente, e agentes do FBI o localizaram em Bridgeport, Connecticut, apesar de não onde ele morava, e começaram a segui-lo. 

Exatamente quando ele foi localizado e quando ele foi perdido não ficou claro na noite de terça-feira. Paul Bresson, um porta-voz do FBI, se recusou a comentar a questão da vigilância. 

Região onde o suspeito de terrorismo teria recebido treinamento em bombas

  • Google Earth/UOL Arte

Mas por volta das 12h30 de segunda-feira, diante da maior certeza de que Shahzad era o suspeito de terrorismo, os investigadores pediram ao Departamento de Segurança Interna para colocá-lo na lista dos impedidos de embarcar em aviões, o que foi feito imediatamente. 

Três minutos depois, o departamento enviou para as companhias aéreas, incluindo a Emirates, uma notificação eletrônica de que deveriam checar a lista de pessoas proibidas de embarcar devido a uma atualização. Por volta das 16h30, mais informação foi acrescentada à lista, incluindo o número do passaporte de Shahzad, disseram as autoridades. 

Os funcionários da Emirates evidentemente não checaram a lista, porque às 18h30 Shazad telefonou para a companhia aérea e foi autorizado a reservar um lugar no voo para o Paquistão com escala em Dubai, disseram as autoridades. Às 19h45, ele chegou ao aeroporto e pagou em dinheiro por sua passagem e recebeu o cartão de embarque.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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