UOL Notícias Internacional
 

06/05/2010

Faisal Shahzad: o retrato de um suspeito de terrorismo que passou de anônimo a notório

The New York Times
Michael P. Mayko
Em Bridgeport, Connecticut (EUA)
  • Faisal Shahzad, 30, foi preso tentando embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes, dois dias depois da tentativa de atentado

    Faisal Shahzad, 30, foi preso tentando embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes, dois dias depois da tentativa de atentado

Faisal Shahzad nunca foi alguém que atraia atenção para si mesmo. 

Um estudante comum na faculdade, um funcionário comum no trabalho, um vizinho comum no subúrbio. 

Shahzad passava essa imagem em empregos na área de contabilidade para elites corporativas da América como Elizabeth Arden, o que lhe permitiu comprar uma casa para sua esposa e filhos na suburbana Shelton, Connecticut. 

Só que a queda foi mais rápida do que a ascensão. Em junho passado, Shahzad interrompeu os pagamentos de sua hipoteca de US$ 218.400, deixou seu emprego no Affinion Group, em Norwalk, Connecticut, e mudou com sua família de volta ao Paquistão. 

Então aconteceu –no Primeiro de Maio– o feriado do Dia do Trabalho no Paquistão e frequentemente uma celebração do socialismo, comunismo e anarquia em outros lugares. 

Neste Primeiro de Maio, o paquistanês Shahzad, que retornou aos Estados Unidos apenas em fevereiro, encheu com explosivos sua Nissan Pathfinder recém-comprada e a conduziu a um ponto de encontro do mundo –a Times Square de Nova York. 

Daquele momento em diante, Shahzad deixou o mundo do anonimato e ingressou no da atenção mundial. 

O que fez com que ele mudasse? 

Seu pai, Bahar ul Haq, é um oficial da Força Aérea Paquistanesa reformado. Ele conseguiu fornecer um estilo de vida de classe média alta para sua família, enviando seus filhos para estudar nos Estados Unidos. 

Nada em seus primeiros anos chamou a atenção das autoridades de imigração dos Estados Unidos. 

Em 1998, eles concederam a Shahzad um visto de estudante, o que permitiu que ele frequentasse a atualmente fechada Universidade do Sudeste, em Washington, D.C., e posteriormente a Universidade de Bridgeport, para a qual se transferiu. Lá ele estudou ciência da computação. 

Em 13 de maio de 2001, Ul Haq estava sentado com sua esposa na segunda fileira na 91ª Cerimônia de Formatura da Universidade de Bridgeport. 

Seus pais falaram para um repórter do “Connecticut Post” sobre viajar para a Alemanha na semana seguinte para ver a formatura de outro filho. Quando Shahzad passou para receber seu diploma de bacharel em ciência da computação, seu pai disse animadamente ao repórter, “aquele é ele”. 

Mesmo assim, Shahzad não chamou a atenção de ninguém. 

William Greenspan, que foi o orientador acadêmico de Shahzad na escola, lembra dele como “um tanto desinteressante... ele não fazia nada para se destacar”. 

Greenspan nunca notou Shahzad conversando ou entre os outros estudantes que se reuniam regularmente em Mandeville Hall. 

“Ele vinha para as aulas e então ia embora”, disse o professor. “Sempre bastante educado, mas um pessoa da qual você esqueceria, até hoje.” 

Em abril de 2002, a imigração americana concedeu outro visto de três anos para Shahzad, permitindo que iniciasse um pós-gradução na Universidade de Bridgeport, assim como trabalhar na área. 

Os professores ainda assim não notaram mudança na personalidade ou na atividade acadêmica de Shahzad. 

“Ele não me impressionava com sendo bom ou ruim”, disse Ward Thrasher, reitor assistente da escola de administração da universidade, onde é diretor do programa de MBA. “Ele não se destacava nem de um jeito e nem de outro.” 

Enquanto trabalhava em sua pós-graduação, Shahzad entrou no mundo corporativo, começando como contador na Elizabeth Arden, em Stamford, Connecticut. Um porta-voz da empresa de cosméticos disse que ele trabalhou lá até 15 de junho de 2006, quando pediu demissão para trabalhar em outro lugar. 

Da Arden, Shahzad foi para o Affinion Group, em Norwalk, onde ele trabalhou como analista financeiro. A empresa multinacional fornece serviços de marketing assim como ajuda para seus clientes contra roubo de identidade e violação de dados. 

“Ele era bastante discreto”, disse um ex-colega do Affinion, que pediu para que seu nome não fosse citado. “Não havia nada diferente nele.” 

A resposta da empresa, expressada por Michael Bush, um porta-voz, foi de nenhum comentário. 

“Devido à natureza sensível da investigação e das comunicações que estamos tendo com as autoridades, eu não posso fornecer nenhum comentário a respeito”, disse Bush. 

Mas o colega de trabalho que sentava ao lado dele, disse que Shahzad partiu abruptamente na metade do ano passado. Isso ocorreu poucas semanas após os Serviços de Imigração e Cidadania dos Estados Unidos, uma unidade do Departamento de Segurança Interna, concederem a Shahzad a cidadania americana. Shahzad se tornou oficialmente um cidadão durante uma cerimônia em 17 de abril de 2009, em um tribunal federal em Bridgeport. 

Dois meses depois, Shahzad tinha partido. 

Até então, Shahzad levava uma boa vida nos Estados Unidos. 

Ele comprou um apartamento em Norwalk. Depois uma casa em Shelton. 

A corretora que vendeu o primeiro imóvel para Shahzad e então o ajudou a vender o segundo ficou chocada quando viu a foto do suposto terrorista no noticiário. 

“Se você se encontrasse com ele, nada chamaria sua atenção”, disse a corretora, quando contatada em seu escritório em Trumbull, Connecticut. “Ele era uma pessoa comum.” 

Mas outro corretor imobiliário, Igo Djuric, que mostrou a Shahzad a casa em Shelton, lembra que uma coisa se destacou. 

Djuric disse em uma entrevista para o “Wall Street Journal” que Shahzad era abertamente crítico do presidente George W. Bush e da guerra no Iraque. 

“Eu não achei nada demais, já que muita gente não gosta do Bush”, disse o corretor, “mas ele expressou de uma forma um pouco mais forte”. 

Foi por volta dessa época que Shahzad deixou de pagar sua casa em Shelton. 

Meses antes, ele conseguiu um empréstimo tendo a casa como garantia no valor de US$ 65 mil. 

A segunda hipoteca poderia ter sido feita por necessidade financeira. Poderiam ter sido as crescentes despesas familiares e o estilo de vida elevado que o levaram a suspender o pagamento da hipoteca de US$ 218 mil de sua casa em Shelton, colocando sua casa em execução hipotecária e enviando sua família para Dubai em 2 de junho de 2009. 

Possivelmente foram os oito meses que viveu no Paquistão, antes de retornar aos Estados Unidos em 1º de fevereiro de 2010. 

“Há muitas possibilidades aqui”, disse Monahan. “Pode ser que seus sonhos de viver o sonho americano tenham sido arruinados e ele sentiu como se fosse um fracasso.”

Tradução: George El Khouri Andolfato

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