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08/05/2010

Seleção mexicana conquista enorme popularidade nos EUA

The New York Times
Billy Witz
  • Jogador Israel Castro (centro), do México, festeja com companheiros seu gol na vitória sobre os EUA, nas eliminatórias para a Copa 2010 (12/08/09)

    Jogador Israel Castro (centro), do México, festeja com companheiros seu gol na vitória sobre os EUA, nas eliminatórias para a Copa 2010 (12/08/09)

No final de 1993, extasiado por ter se classificado para a Copa do Mundo nos Estados Unidos no ano seguinte, a seleção de futebol do México abandonou momentaneamente os seus locais usuais de exibição – Los Angeles, Chicago, Dallas e Nova York – para disputar um jogo amistoso em San Diego.

Os promotores do evento, que nunca haviam atraído mais de 20 mil torcedores para um jogo de futebol que não fosse acompanhado por um concerto musical, teriam ficado satisfeitíssimos em alcançar esse número em um jogo disputado à noite, em um dia de semana, contra a China.

Mas, quando o jogo começou, eles ficaram surpresos. O trânsito para o norte a partir da fronteira na rodovia Interstate 805 ficou engarrafado por quilômetros, e, à medida que o momento do início da partida se aproximava, as pessoas começaram a estacionar os seus carros ao lado da estrada. Elas caminharam por platôs, atravessaram um riacho e correram pelas ruas para chegarem ao Estádio Jack Murphy. Ao chegarem lá, longas filas se formaram em frente às bilheterias.

Quando a multidão finalmente se acomodou, um pouco depois do início do intervalo entre o primeiro e o segundo tempo, quase 50 mil pessoas se encontravam no estádio.

“Aquele jogo, de certa forma, abriu os olhos da seleção do México e dos promotores do evento para aquilo que seria possível caso se assumissem riscos”, afirma Paul Mendes, que está envolvido há duas décadas com a organização de jogos da seleção do México nos Estados Unidos. “A partida criou uma onda”.

E essa onda está crescendo. As viagens da seleção mexicana aos Estados Unidos, incluindo aquela para um jogo na noite da última sexta-feira contra o Equador, no novo estádio com capacidade para 75 mil torcedores, em Meadowlands, em Nova Jersey, tornaram-se um grande negócio.

O México jogará contra a seleção do Senegal no Estádio Soldier Field, em Chicago, na segunda-feira, e contra a equipe nacional de Angola no Estádio Reliant, em Houston, no Texas, na quinta-feira. Ao final da turnê, cujo objetivo é preparar os jogadores do México para a Copa do Mundo, o time conhecido como El Tricolor terá feito seis jogos nos Estados Unidos em menos de três meses, todos eles diante de grandes multidões de torcedores.

Quando o México jogou contra a Nova Zelândia no Estádio Rose Bowl, em Pasadena, na Califórnia, em março último, o único jogo que contou com a participação de jogadores que atuam na Europa, 90 mil pessoas lotaram o estádio em uma noite de quarta-feira. É fácil perceber o que traz o México de volta aos Estados Unidos.

Não são apenas os inúmeros torcedores, muitos dos quais pagam mais de US$ 40 (R$ 74) por entrada – cerca do dobro do preço de uma entrada para uma partida de futebol no México –, mas também, nas horas que antecedem os jogos, as festa animadas que cercam o estádio, criando um clima de carnaval, com torcedores de caras pintadas, exibições de “lucha libre”, bandas e jogos.

É um clima bem diferente daquele de uma década atrás, quando os jogos do México atraíam tipicamente uma multidão na qual predominavam os homens jovens. Atualmente a multidão é composta também de mulheres e famílias, e o comportamento brutal desapareceu de cena.

Esse é um cenário tipicamente estadunidense – a não ser pelo fato de a língua preferida ser o espanhol.

“Isso é uma nação dentro de outra nação”, afirma Doug Logan, o diretor da Comissão de Atletismo dos Estados Unidos e ex-comissário da Liga Principal de Futebol. “A multidão agora é mais afluente, e ela possui mais mulheres. Quando esse grupo se torna mais afluente, as mulheres sentem-se mais seguras para comparecer aos estádios”.

Não é de se surpreender que um ambiente melhor seja mais atraente para os negócios. As visitas da seleção mexicana aos Estados Unidos contam com 14 grandes patrocinadores, incluindo a Home Depot, a Coca-Cola, a AT&T e a Wrigley.

Georgiana Flores, a diretora de marketing multicultural e de patrocínio da empresa de seguros Allstate, que patrocina a seleção nacional do México nos Estados Unidos há quatro anos, diz que o futebol é o melhor veículo para atingir o consumidor mexicano-americano.

“A paixão que os hispânicos, e os mexicanos em particular, têm pelo futebol não é comparável a nada mais”, diz Georgiana Flores, cuja companha não faz negócios no México. “A seleção nacional mexicana têm sido o nosso alvo no setor de esportes”.

A audiência televisiva reflete esse fenômeno. A transmissão pela ESPN2 da vitória dos Estados Unidos sobre o México em fevereiro de 2009 atraiu 1,2 milhão de telespectadores, a maior audiência já registradas em um jogo de classificação para a Copa do Mundo – mas isso foi apenas um quinto da audiência que a rede de língua espanhola Telemundo registrou nos Estados Unidos.

Nos últimos sete anos, os jogos do México nos Estados Unidos têm sido organizados pela Soccer United Marketing, o braço empresarial da Liga Principal de Futebol. A Soccer United Marketing controla a maior parte dos direitos de patrocínio nos Estados Unidos, incluindo os direitos de transmissão televisiva da Copa do Mundo, campeonatos como o Gold Cup e a Federação de Futebol dos Estados Unidos. Um dos seus contratos mais rentáveis é com a Federação Mexicana de Futebol.

Embora algumas pessoas questionem porque a Liga Principal de Futebol faria negócios com uma seleção concorrente, o comissário Don Garber diz que isso se encaixa nos planos da liga.

“O nosso objetivo é criar uma nação do futebol no nosso país”, diz ele. “Nós não nos importamos com o time para o qual eles torcem, com quem eles assistem na televisão ou com o time que motiva as suas paixões. Esses jogos amistosos criam grandes momentos, mas no fim das contas os torcedores reais têm vínculos com os times locais. A seleção nacional mexicana está indo embora hoje, e não retornará durante anos. Na semana que vem o Red Bulls fará um jogo no novíssimo estádio Red Bull Arena”.

Antes do seu contrato com a Soccer United Marketing, a federação mexicana fez contratos com diferentes promotores em mercados diferentes.

“Nós sentimos que, se pudéssemos nos profissionalizar, poderíamos usar isso como uma plataforma para que os patrocinadores vendessem os seus produtos”, disse Garber. “Isso proporcionaria linhas diretas para acessar os corações e mentes dos consumidores mexicanos”.

Isso possibilitou que o México se aventurasse com sucesso em outros mercados. Em 2008, o México atraiu 56.416 torcedores em Seattle para um jogo contra a seleção da China. Em 2009, o El Tricolor atraiu uma plateia de 51.115 pessoas quando jogou contra a Venezuela em Atlanta. E, em março deste ano, 63.227 torcedores compareceram a uma partida em Charlotte, na Carolina do Norte, na qual o México enfrentou a Islândia.

É por isso que a seleção do México continua retornando aos Estados Unidos. Nos estádios repletos de torcedores usando a camisa da sua seleção nacional, é difícil não perceber a cor predominante – o verde está por toda parte.

Tradução: UOL

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