UOL Notícias Internacional
 

12/05/2010

Filho de Corazon Aquino assume a liderança na contagem de votos nas Filipinas

The New York Times
Norimitsu Onishi e Carlos H. Conde
Em Manila (Filipinas)

O senador Benigno S. Aquino III, cujos pais retiraram as Filipinas de um regime autocrático uma geração atrás, assumiu ampla liderança na manhã de terça-feira (11/05) na disputa para tornar-se o próximo presidente do país, segundo resultados parciais da eleição de segunda-feira.

Após a contagem de quase 60% dos votos em toda a nação, Aquino, cuja plataforma de campanha foi o combate à corrupção, tinha mais de 40% dos votos. Ele contava com vantagens de dois dígitos sobre os seus dois principais rivais, Joseph Estrada, um ex-presidente que sofreu impeachment por corrupção, e Manuel Villar, um senador e empresário que teria utilizado o seu poder político para beneficiar o seu império do setor imobiliário. Vilar admitiu a derrota na terça-feira. A violência, as fraudes e defeitos em um novo sistema de votação automatizado prejudicaram as votações, quando dezenas de milhões de eleitores foram às urnas para eleger milhares de autoridades além do presidente. O uso de novas máquinas computadorizadas para a contagem de votos aumentou visivelmente o comparecimento dos eleitores, mas isso criou atrasos extremamente longos e outras dificuldades que poderão dar aos candidatos derrotados um motivo para contestar os resultados.

Aqui em Manila, a capital do país, muitos eleitores aguardaram horas para depositar os seus votos, geralmente em escolas públicas extremamente lotadas e em meio a um calor intenso. Os meios de comunicação anunciaram que muita gente em todo o país acabou desistindo e foi embora sem votar. A Comissão Eleitoral registrou um comparecimento eleitoral de 75%, menor do que os 85% que haviam sido previstos.

A violência foi registrada em várias regiões, mas especialmente na ilha de Mindanao, no sul do país, onde fraudes generalizadas teriam modificado o resultado da eleição anterior, em 2004. Tiroteios ocorridos naquela ilha entre apoiadores de políticos rivais provocaram a morte de pelo menos cinco pessoas na segunda-feira, e a suspensão das votações em vários locais. Em meio a relatos de compra generalizada de votos, um político local foi visto distribuindo dinheiro a potenciais eleitores, enquanto caminhava ao longo de uma estrada.

A Comissão Eleitoral disse que poderá declarar um “fracasso das eleições” em várias áreas em Mindanao e imediações, nas quais a votação não pôde ser realizada devido à violência, incluindo a luta entre as forças armadas e insurgentes islamitas. As áreas afetadas incluem três cidades em Basilan, uma ilha na qual tropas norte-americanas de contra-insurgência operam há anos.

Apesar dos atrasos, a comissão deverá anunciar os resultados da eleição presidencial dentro de dois dias, e os vencedores de outros cargos eleitorais ainda antes disso.

Aquino – que decidiu disputar a presidência devido à grande simpatia que recebeu após a morte da sua mãe, no ano passado –, pareceu ter se beneficiado da sua reputação de homem honesto.

“Ele é uma pessoa boa que parece desejar ajudar outras pessoas”, declarou Reymond Quizong, 19, um trabalhador da indústria têxtil, após ter votado em uma escola de segundo grau em Tondo, um bairro pobre de Manila.

Mas outros eleitores não apoiaram nenhum dos principais candidatos presidenciais, o que expôs aquilo que os analistas descreveram como um conjunto fraco de candidatos.

Maria Rosalina Liwanag, uma professora particular de 31 anos de idade, disse que votou para um candidato presidencial menos conhecido, tendo rejeitado Villar e Estrada por questões de ordem ética, e Aquino porque este não teria feito nada no Senado.

“Ele só é popular devido à sua mãe, ao seu pai e às suas irmãs”, disse Liwanag, mencionando como exemplo Kris Aquino, uma irmã mais nova de Aquino que é apresentadora de televisão, e que é muitas vezes descrita como a Oprah do país.

Apesar dos atrasos, muitos eleitores entrevistados expressaram entusiasmo em relação ao uso das novas máquinas. Muitos disseram que as máquinas, que compilam e transmitem eletronicamente os votos, ajudarão a prevenir a manipulação de urnas que ocorreu em eleições passadas. “É uma urna confiável”, disse Passion Bernardo Obana, 41, que é segurança de um banco.

Mas os cabos eleitorais de alguns candidatos pareciam estar tentando driblar as máquinas comprando votos antes que estes fossem registrados. No distrito de Malate, em Manila, Noel Carual, 38, e a mãe dela, Cora, 64, disseram que um vizinho havia recebido 1.500 pesos, o equivalente a cerca de US$ 32,75 (R$ 58,40), de cabos eleitorais de um candidato presidencial que elas não quiseram identificar. Carual afirmou ter ficado desapontada por não ter recebido nenhuma oferta de dinheiro, que ela teria aceitado com prazer.

“Mas depois de aceitar eu teria votado do mesmo jeito no meu candidato”, declarou Carual.

E filho dela acrescentou, “Aceite o dinheiro, mas vote com o seu coração”.

Em Mindanao, alguns candidatos foram menos discretos na hora de tentar comprar votos.

Em uma estrada que leva a Tugaig, uma cidade no distrito de Barira, um candidato a vereador parou a sua caminhonete várias vezes para distribuir dinheiro a pessoas ao longo da rodovia. O candidato dirigiu-se a seguir para a Escola Primária Ibra Bulyog, onde alguns eleitores disseram que os cabos eleitorais dele estavam distribuindo dinheiro às pessoas que aguardavam na fila o momento de votar.

Tradução: UOL

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