UOL Notícias Internacional
 

13/05/2010

Petrolífera BP diz que solução para o vazamento no Golfo do México ainda pode levar semanas

The New York Times
Henry Fountain e Matthew L. Wald
  • Soldados da Guarda Nacional do Estado da Louisiana (EUA) usam sacos de areia para tentar barrar o avanço da mancha de petróleo oriunda do vazamento no Golfo do México

    Soldados da Guarda Nacional do Estado da Louisiana (EUA) usam sacos de areia para tentar barrar o avanço da mancha de petróleo oriunda do vazamento no Golfo do México

Representantes da BP sugeriram cautelosamente na quarta-feira que estavam mais próximos de uma solução potencial que poderia deter o vazamento de petróleo aparentemente incontrolável no Golfo do México em semanas, e não meses. 

Segundo os representantes, seus planos, desenvolvidos por engenheiros e cientistas no centro de comando da BP em Houston, envolveriam trabalhar ao redor e no dispositivo de segurança chamado “blowout preventer” (sistema de prevenção de fluxo descontrolado), um dispositivo enorme projetado para fechar o poço em uma emergência. O dispositivo fracassou em impedir a explosão no poço que provocou o vazamento há três semanas. 

A gigante do petróleo tem “crescente confiança de que podemos intervir diretamente no BOP (blowout preventer) com um risco aceitavelmente baixo”, disse um porta-voz da BP, Andrew Gowers. 

Esforços anteriores nas últimas três semanas para fechar o vazamento fracassaram, apesar das previsões igualmente otimistas da empresa. 

Em Washington, membros de um subcomitê da Câmara que está investigando o desastre de 20 de abril interrogaram executivos da indústria do petróleo por quase seis horas na quarta-feira, a respeito das possíveis causas do desastre. Eles levantaram a possibilidade de que o blowout preventer estivesse desativado por um vazamento hidráulico, por exemplo, e que o controle do poço falhou em um teste de pressão poucas horas antes da explosão. 

Apesar disso, à medida que manchas de petróleo atingiam uma ilha na Louisiana a mais de 100 quilômetros a oeste do Mississippi, havia sinais de que a esperança de contenção do vazamento está aumentando. Enviados pelo presidente Barack Obama para Houston, o secretário de Energia, Steven Chu, e o secretário do Interior, Ken Salazar, se encontraram com importantes engenheiros e cientistas no centro de comando da BP por várias horas. 

“As coisas parecem estar melhorando”, disse Chu aos repórteres após a reunião. “Há progressos.” 

Ele alertou que a situação ainda não está sob controle e se recusou a detalhar os motivos para seu otimismo. Mas quando foi pressionado, ele disse: “Eu estou me sentindo mais tranquilo do que estava há uma semana”. 

Como a companhia de petróleo que alugou a plataforma, a BP é uma das partes responsáveis por deter e limpar o vazamento. Uma opção empregada por ela para deter o vazamento é a perfuração um poço de alívio, que seria usado para fechar o poço danificado, mas esse procedimento leva vários meses. 

Um funcionário da empresa, familiarizado com os esforços para conter o vazamento, disse que equipamento foi posicionado no leito do oceano para três outras opções de intervenção, que potencialmente poderiam deter o vazamento em semanas. 

Ele disse que uma decisão seria tomada, mais provavelmente no domingo, sobre o prosseguimento de alguma delas. O trabalho teria início poucos dias depois, disse o funcionário, que falou sob a condição de anonimato, por não estar autorizado a discutir o assunto. 

Ele disse que 10 submersíveis robóticos estavam realizando os preparativos a 1.500 metros abaixo da superfície do golfo. 

Os engenheiros disseram que uma das três abordagens poderia deter o vazamento: um chamado “junk shot”, que entupiria o blowout preventer com materiais como pneus picados e bolas de golfe; o acréscimo de um segundo blowout preventer acima do primeiro e sua utilização para interromper o fluxo; ou cortando o duto que ruiu e instalando uma válvula que faria a mesma coisa. 

O junk shot seria seguido por um “top kill”, o bombeamento de lama pesada de prospecção no poço para vencer a pressão do petróleo em ascensão. 

O funcionário disse que o junk shot poderia ser tentado primeiro mesmo se outra opção for escolhida, porque restringiria ainda mais ou interromperia o fluxo de petróleo, tornando outros reparos mais fáceis e seguros. 

A instalação de uma válvula ou segundo blowout preventer, ele disse, manteria o poço sob controle até a conclusão de um ou dois poços de alívio e lama pesada e cimento serem injetados para selá-lo permanentemente. 

O funcionário da BP disse que o material para o junk shot seria bombeado de um navio na superfície por meio de um novo duto descendo ao blowout preventer, no qual os robôs submersíveis estão trabalhando nos últimos dias. 

Os representantes disseram que essas abordagens nunca foram tentadas a essas profundidades e que podem fracassar –assim como o plano para uso de um grande domo de contenção, para capturar parte do petróleo, fracassou no fim de semana. 

A técnica de junk shot foi usada com sucesso nos campos de petróleo do Kuait na Guerra do Golfo Pérsico de 1991. Mas aqueles poços estavam em terra e, mesmo nas condições mais árduas do deserto, podiam ser reparados por pessoas, não por robôs trabalhando em águas extremamente frias a uma pressão de 156 atmosferas. 

Mas o funcionário da BP disse que os dados de pressão deixaram os engenheiros mais e mais esperançosos de que a realização do trabalho não agravaria o vazamento. Esses dados foram obtidos acima e abaixo do blowout preventer, e a diferença nas leituras mostrou que o blowout preventer está parcialmente fechado e, na verdade, restringindo o fluxo. Ao mesmo tempo, uma inspeção com raios gama do dispositivo mostrou que ele apresenta “integridade externa”, disse o funcionário. 

Os engenheiros temiam que se o dispositivo estivesse rachado ou danificado, o trabalho nele poderia levar a uma piora do vazamento. 

Os dados de baixo do blowout preventer ficaram disponíveis no domingo por acaso, disse o funcionário: um submersível robótico começou repentinamente a receber um sinal de um medidor sem fio no poço. 

A empresa disse na quarta-feira que baixou uma caixa de contenção, conhecida como “top hat”, ao leito do oceano. Um dispositivo bem menor do que um domo de contenção que fracassou no fim de semana, ele poderia estar conectado até o final da semana, disse a empresa. 

Em Washington, um subcomitê da Câmara interrogou duramente os executivos de quatro empresas no coração no acidente: a BP, que é dona do poço; a Transocean, que forneceu a plataforma de petróleo e grande parte dos funcionários; a Halliburton, que forneceu o cimento para selar o poço; e a Cameron, que forneceu o blowout preventer. 

“Esta catástrofe parece ter sido causada por uma série calamitosa de falhas de equipamento e operacionais”, disse o deputado Henry A. Waxman, democrata da Califórnia e presidente do Comitê de Energia e Comércio. “Se as maiores empresas de petróleo do mundo e de serviços para o setor tivessem sido mais cuidadosas, 11 vidas poderiam ter sido salvas e nosso litoral estaria protegido.” 

O painel da Câmara, o painel de supervisão e investigações do Comitê de Energia e Comércio, foi bem mais duro do que os dois comitês do Senado que realizaram audiências na terça-feira. 

Eles forneceram a cada testemunha uma pasta grossa de documentos, a maioria de suas próprias empresas, que apresentava a possibilidade do blowout preventer ter ficado inoperante devido a um vazamento hidráulico antes do evento, de que o controle do poço poderia ter falhado em um teste de pressão poucas horas antes do acidente e que havia problemas de manutenção e de projeto. 

Pelo segundo dia, funcionários da Guarda Costeira e do Serviço de Gestão de Minerais continuaram interrogando os representantes em uma audiência pública na Louisiana, sobre a explosão na plataforma Deepwater Horizon. 

Na quarta-feira, o governo Obama propôs um pacote de US$ 118 milhões para ações para combater o vazamento de petróleo no golfo, grande parte dele pago pela BP, incluindo seguro desemprego para os pescadores impedidos de trabalhar, ajuda alimentícia para os prejudicados pelo vazamento e maior inspeção dos peixes e frutos do mar. 

A legislação também pede pelo aumento do teto dos pagamentos feitos por uma companhia de petróleo para outras partes que sofreram danos devido ao vazamento, mas sem especificar um número. O teto existente, de US$ 75 milhões para os proprietários de plataformas de petróleo, foi criado por uma lei de 1990. 

Reportagem de Henry Fountain, em Nova York, e Matthew L. Wald, em Washington. John M. Broder, em Washington; Campbell Robertson, em Kenner, Louisiana; e Susan Saulny, em Nova Orleans, contribuíram com reportagem adicional. 

Tradução: George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host