UOL Notícias Internacional
 

18/05/2010

Mancha de petróleo no Golfo do México pode se espalhar ainda mais, segundo cientistas

The New York Times
John M. Broder
Em Washington (EUA)
  • Material químico laranja pode ser visto no Golfo do México, uma das maneiras usadas para combater a mancha de petróleo

    Material químico laranja pode ser visto no Golfo do México, uma das maneiras usadas para combater a mancha de petróleo

Os cientistas alertaram na segunda-feira (17) que o petróleo do vazamento no Golfo do México está se movendo rapidamente para uma corrente que poderia levá-los aos Keys da Flórida e ao Oceano Atlântico, ameaçando recifes de coral e centenas de quilômetros adicionais de costas. 

Funcionários do governo insistiram que o petróleo ainda não entrou na chamada Corrente do Golfo e que continuam monitorando atentamente o movimento da mancha de petróleo. Mas dois cientistas independentes, analisando a corrente do oceano e dados por satélite, disseram que o petróleo está em um redemoinho que está sendo rapidamente atraído para a corrente, prenunciando uma disseminação muito maior da mancha perigosa. 

Enquanto isso, a Casa Branca disse na noite de segunda-feira que o presidente Barack Obama nomearia em breve uma comissão independente para investigar a causa e responsabilidade pelo vazamento, em grande parte suplantando a investigação que está sendo conduzida no momento pela Guarda Costeira dos Estados Unidos e pelo Serviço de Gestão de Minerais, a agência do Departamento do Interior responsável pela supervisão das operações de petróleo em alto-mar. O papel de ambas as agências na aprovação da exploração, dos preparativos contra um acidente e na supervisão da limpeza faz parte de qualquer investigação e coloca em dúvida a independência de seu trabalho. 

Vários membros do Congresso e especialistas de fora exigiram a criação de um painel independente, semelhante aos que investigaram o acidente da usina nuclear de Three Mile Island em 1979 e a explosão do ônibus espacial Challenger em 1986. Nenhum membro atual do governo participará do painel, que teria um amplo mandato e autoridade de investigação, disse um funcionário da Casa Branca.

Técnicos da BP, a empresa que arrendou a plataforma de petróleo, disseram na segunda-feira que continuam com a sucção do petróleo do duto de perfuração que se encontra no fundo do oceano, a mais de 1.500 metros de profundidade. Ele estão retirando o petróleo por um tubo estreito a uma taxa de 1.000 barris por dia, aproximadamente um quinto da estimativa oficial da vazão do vazamento.

Doug Suttles, o diretor operacional chefe da BP, disse que o tubo poderia acomodar pelo menos 5 mil barris por dia, mas os engenheiros estão aumentando a vazão muito cuidadosamente, para evitar sugar água, o que poderia levar à criação de estruturas semelhantes a gelo, chamadas hidratos, que se formam na presença de água salgada a baixas temperaturas e altas pressões, que poderiam entupir os dutos.

“Se conseguirmos atingir metade ou mais da vazão total, se conseguirmos que esta recuperação atinja, digamos, mais de 2 mil barris por dia”, disse Suttles, “nós ficaríamos extraordinariamente satisfeitos”.

Milhões de litros de petróleo já escaparam do poço que explodiu, representando um enorme desafio para contê-lo e impedi-lo de matar a vida marinha e poluir praias e terras alagadiças. Essa tarefa se tornará imensuravelmente mais difícil se uma mancha imensa de petróleo for pega pela poderosa e imprevisível Corrente do Golfo, que leva a água quente em um sentido horário da Península de Yucatán até o norte do Golfo do México, depois ao sul até os Keys da Flórida e então para o Atlântico.

No momento, pouco petróleo parece ter atingido a Corrente do Golfo. A contra-almirante Mary E. Landry da Guarda Costeira, uma das principais autoridades supervisionando a resposta ao vazamento, disse em uma coletiva de imprensa na segunda-feira: “Nós sabemos que o petróleo ainda não entrou na Corrente do Golfo. Pode haver um pouco se aproximando a corrente, mas o vazamento ainda não entrou na Corrente do Golfo”.

Mas os cientistas independentes disseram que uma parte da mancha de petróleo está circulando em um redemoinho diretamente ao norte da Corrente do Golfo. Este redemoinho, conhecido como ciclone, gira no sentido anti-horário e está arrastando o petróleo para o sul.

“Há um rastro muito claro de petróleo do vazamento até o ciclone”, disse Nan Walker, um oceanógrafo do Earth Scan Laboratory da Universidade Estadual da Louisiana. “Até o momento parece que o petróleo continua sendo arrastado ao redor do ciclone, mas no final ele se misturará à Corrente do Golfo e chegará ao sul da Flórida.”

Chuanmin Hu, um oceanógrafo da Universidade do Sul da Flórida, disse que a quantidade de petróleo que está entrando no ciclone aumentou acentuadamente nos últimos dias.

“Eu vejo uma imensa mancha de petróleo sendo arrastada naquela direção”, ele disse. “É como um rio.”

Hu estimou que o petróleo que entrou na corrente poderia chegar aos Keys da Flórida em aproximadamente duas semanas.

Uma nova rodada de audiências no Congresso a respeito do vazamento teve início aqui na tarde de segunda-feira, com o Comitê do Senado para Segurança Interna e Assuntos Governamentais colhendo depoimentos a respeito da resposta do governo e do setor privado ao vazamento.

No início da audiência, a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, defendeu as ações do governo após a explosão, dizendo que as autoridades realizaram uma resposta “todas as mãos ao trabalho neste evento”.

Napolitano reconheceu, entretanto, que o governo está em grande parte à mercê da BP na contenção do vazamento e da mancha de petróleo na água.

“Francamente”, ela disse, “o governo federal tem capacidade e perícia limitada em responder a incidentes com poços de petróleo no fundo do mar. Todavia, o governo federal mobilizou cientistas e especialistas da indústria para colaborarem com a BP na identificação e execução das melhores estratégias para selar o poço, e o presidente encarregou o Departamento de Energia de participar no fornecimento de qualquer possível perícia nesse campo”.

Também na segunda-feira, o regulador federal de prospecção em alto-mar no Golfo disse que renunciaria no final do mês, segundo um funcionário do Departamento do Interior.

O regulador, Chris C. Oynes, comandou o escritório em Nova Orleans do Serviço de Gestão de Minerais por 12 anos, supervisionando todas as operações em alto-mar e a cobrança dos royalties, até ser promovido a um alto cargo em Washington em 2007. Seu período cuidando do Golfo coincidiu com um aumento de 50% na produção de petróleo em alto-mar, mas também em várias alegações de que o Serviço de Gestão de Minerais deixou de receber bilhões de dólares em royalties devidos ao governo federal, além de ter sido frouxo na supervisão das práticas de segurança na prospecção em alto-mar.

Funcionários do Departamento do Interior não disseram se a renúncia de Oynes foi voluntária.

*John Collins Rudolf, em Nova York; Shaila Dewan, em Nova Orleans, e Matthew L. Wald, em Washington, contribuíram com reportagem adicional

Tradução: George El Khouri Andolfato

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