UOL Notícias Internacional
 

19/05/2010

EUA fecham acordo sobre novas penas da ONU contra o Irã

The New York Times
David E. Sanger e Mark Landler*
Em Washington (EUA)
  • Em reunião com comitê no Senado, Clinton anunciou o fechamento do acordo de sanções

    Em reunião com comitê no Senado, Clinton anunciou o fechamento do acordo de sanções

O governo Obama anunciou na terça-feira (18) um acordo com outras grandes potências, incluindo a Rússia e a China, para imposição de uma quarta rodada de sanções ao Irã devido ao seu programa nuclear, preparando o terreno para um intenso cabo-de-guerra com Teerã enquanto ele tenta evitar a aprovação das penas pelo Conselho de Segurança da ONU.

O anúncio ocorreu um dia após os líderes iranianos anunciarem seu próprio acordo, intermediado pela Turquia e o Brasil, para entrega de metade do estoque de combustível nuclear do Irã por um ano, parte de um esforço frenético para interromper a campanha liderada pelos americanos para sanções mais duras.

“Este anúncio é a resposta mais convincente aos esforços realizados por Teerã nos últimos dias que poderíamos fornecer”, disse a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, ao Comitê de Relações Exteriores do Senado, descrevendo a resolução como uma “minuta forte”.

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Mas mesmo se o Conselho de Segurança da ONU adotar essas novas sanções, não se sabe se os artigos –incluindo a inspeção de navios iranianos suspeitos de entrar em portos internacionais com tecnologia relacionada a atividades nucleares ou armas– causariam dor suficiente para forçar o Irã a suspender seu enriquecimento de urânio e cooperar com os inspetores internacionais. Nenhuma das três rodadas anteriores de sanções, aprovadas pelo Conselho de Segurança durante o governo Bush, teve sucesso em forçar o Irã a interromper seu enriquecimento de urânio e responder às muitas perguntas feitas pelos inspetores internacionais a respeito da pesquisa de armas nucleares.

Algumas das propostas mais duras mal foram discutidas enquanto os Estados Unidos buscavam apoio da China, que é uma grande parceira comercial do Irã e portanto é o país mais resistente a novas sanções. Juntamente com a Rússia, os chineses bloquearam qualquer medida que impeça a saída do petróleo dos portos iranianos ou a entrada de gasolina no país. O próprio presidente Barack Obama levantou a possibilidade dessas sanções durante a campanha de 2008.

No final, o acordo foi acertado pelos cinco membros permanentes, detentores de poder de veto, do Conselho de Segurança –Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China–mais a Alemanha. Eles concordaram em sanções contra as instituições financeiras iranianas, incluindo aquelas que apoiam a Guarda Revolucionária Islâmica. A Guarda é responsável pela supervisão dos aspectos militares do programa nuclear e assumiu um papel importante na economia iraniana.

O mais novo elemento das sanções exigiria que os países inspecionassem navios ou aviões que entrem ou saiam do Irã caso haja suspeita da presença de materiais proibidos a bordo. Mas como no caso das sanções contra a Coreia do Norte, não há autorização para subir a bordo desses navios à força no mar, uma medida que as autoridades de muitos países alertaram que poderia provocar um confronto maior.

Outro novo elemento proíbe todos os países de permitir que o Irã invista em usinas de enriquecimento nuclear, minas de urânio e outras tecnologias nucleares. Isso aparentemente visa impedir os supostos empreendimentos iranianos em conjunto com a Venezuela e o Zimbábue, ou com empresas na Europa que possam fornecer equipamento chave.

Hillary fala sobre sanções ao Irã (em inglês)

O acordo ocorreu meses depois do que o governo esperava e após uma semana de diplomacia febril, concluída por um telefone de último minuto de Clinton ao ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei V. Lavrov, para confirmar se Moscou estava realmente a bordo, disse um alto funcionário americano. Os Estados Unidos acreditavam estar próximos de um acordo na semana passada, disse esse funcionário, que não quis ser identificado discutindo negociações internas. Mas o país não conseguiu resolver os pontos finais com a Rússia a respeito de vendas de armas convencionais, não-nucleares, ao Irã, e com a China a respeito de seus investimentos em energia lá.

A embaixadora americana na ONU, Susan E. Rice, disse: “Nós votaremos assim que as condições estiverem certas e os membros do conselho tiverem tido tempo para considerá-las”. Vários funcionários disseram que o momento não ocorrerá até o próximo mês, quanto muito.

Mesmo se as sanções sobreviverem sem serem diluídas, funcionários do governo reconhecem que é improvável que mudem o comportamento do Irã, a menos que sejam combinadas com pressão adicional considerável. As três rodadas anteriores de sanções foram simplesmente ignoradas por muitos dos parceiros comerciais do Irã.

“O diabo tem sido a implantação”, disse Patrick Clawson, o vice-diretor de pesquisa do Instituto de Washington para Estudos do Oriente Próximo.

A resolução já enfrenta resistência do Brasil e da Turquia, que ocupam cadeiras no Conselho de Segurança e intermediaram um acordo para transferir parte do combustível nuclear do Irã para fora do país. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan da Turquia, uma vizinha do Irã, criticou fortemente a continuidade do esforço pelas sanções por parte dos Estados Unidos.

Maria Luiza Ribeiro Viotti, a embaixadora do Brasil na ONU, disse: “O Brasil não vai participar de nenhuma discussão neste momento porque sentimos que existe uma nova situação”.

Tanto o Brasil quanto a Turquia possuem relações comerciais consideráveis com o Irã, e cada um está disposto a exercer sua força no cenário internacional.

Os embaixadores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, falando aos repórteres na ONU, disseram que respeitam o acordo que o Brasil e a Turquia intermediaram com o Irã, mas que ele não trata de sua principal preocupação: a continuidade dos esforços do Irã para enriquecer urânio.

Vitaly Churkin, o embaixador russo, disse que a minuta da resolução contém “termos com os quais podemos conviver, porque se concentra de forma adequada em questões de não-proliferação”. O senador Christopher Dodd, democrata de Connecticut e um importante membro do Comitê de Relações Exteriores do Senado, chamou o acordo de sanções de “um tremendo passo à frente” e notou que o Congresso está trabalhando em uma legislação que imporia sanções apenas americanas ao Irã.

O anúncio pelo Irã de que enviaria o que acredita-se ser aproximadamente metade de seu combustível nuclear para a Turquia, para enriquecimento adicional, pareceu ser uma tentativa de esvaziar os esforços americanos para atrair o apoio da China e a Rússia. A oferta lembra um acordo acertado com o Ocidente em outubro passado, que fracassou quando o Irã recuou.

O Irã diz que seu programa nuclear visa produzir energia para fins civis, mas as autoridades americanas e europeias apontaram para trabalhos que parecem não relacionados à simples produção de energia.

Nas últimas semanas, o Irã enviou seu ministro das Relações Exteriores para as capitais dos países que ocupam as cadeiras do Conselho de Segurança da ONU, para argumentar que as sanções representam uma conspiração americana.

Enquanto as negociações em torno da minuta da resolução chegavam ao final na noite de segunda-feira, um alto funcionário do governo disse que uma das partes mais críticas das sanções propostas foi baseada em uma resolução aprovada no ano passado contra a Coreia do Norte, após seu segundo teste nuclear. Essa resolução autorizava todos os países a revistarem os navios de carga que entram e saem do país à procurar de armas suspeitas ou tecnologia nuclear.

No caso da Coreia do Norte, já há algum sucesso modesto em consequência da resolução. Em uma ocasião a Coreia do Norte chamou de volta um de seus navios ao porto, em vez de correr o risco de que fosse inspecionado. Mas a Coreia do Norte possui relativamente pouco comércio com o mundo exterior; o Irã, devido ao petróleo, possui um volume imenso de comércio. Não se sabe quão rigorosamente essa cláusula, se adotada, seria executada.

*Neil MacFarquhar, na ONU; Peter Baker, em Washington; e Raphael Minder, em Madri, contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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