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20/05/2010

Indústria do entretenimento tenta salvar a turma do Pernalonga do esquecimento

The New York Times
Brooks Barnes
Em Los Angeles, na Califórnia (EUA)
  • O personagem de desenho animado Pernalonga (esquerda)

    O personagem de desenho animado Pernalonga (esquerda)

Perguntem a um aluno da primeira série quem é Bugs Bunny (Pernalonga) e a resposta mais provável será um olhar que traduz desconhecimento. Dora, ele conhecerá com certeza. Mickey, sem dúvida. Mas eles não fazem a menor ideia de quem é Porky Pig?

Preocupada com a possibilidade de que o pouco sucesso do elenco de personagens do Looney Tunes entre as crianças seja o início do fim para a histórica franchise de desenhos animados, a Warner Brothers está embarcando em uma operação de resgate.

Uma nova série de 26 episódios de meia hora, “The Looney Tunes Show”, está programada para o canal Cartoon Network no outono do hemisfério norte e estrelará Bugs Bunny e Daffy Duck (Patolino) como uma dupla que divide uma moradia em uma contemporânea rua sem saída. Yosemite Sam (Eufrazino), Tweety Bird (Piu-Piu), Sylvester (Frajola), Marvin the Martian (Marvin, o Marciano) e Porky Pig (Gaguinho) são os vizinhos da dupla.

Enquanto isso, Road Runner (Papa-Léguas) e Wile E. Coyote (Coiote) voltarão a trabalhar em salas de exibição de cinema em séries de curtas-metragens em 3D. A primeira produção desse tipo – a Warner aprovou três, e mais três estão em estágio de desenvolvimento – serão exibidas antes do filme “Cats & Dogs: The Revenge of Kitty Galore” (“Como Cães e Gatos: A Vingança de Kitty Galore”), que estreia nos cinemas em 30 de julho.

Os produtos de consumo e as divisões de entretenimento caseiro do estúdio estão tentando fazer a sua parte, divulgando um novo jogo para Nintendo com o Tasmanian Devil (Taz) em setembro e várias novas compilações em DVD. Uma expansão da marca está também em andamento no LooneyTunes.com.

“Nós conversamos bastante sobre a possibilidade de sermos suficientemente audaciosos para apelar para tais tesouros icônicos”, diz Peter Roth, presidente da Warner Brothers Television, que recentemente foi encarregado da supervisão da franchise após uma reestruturação. “Isso é algo caro e arriscado, mas eu acho que é também uma oportunidade extraordinária”.

A Warner recusou-se a dizer quanto está desembolsando com essa iniciativa, mas só a série de televisão tem um custo de cerca de US$ 750 mil (R$ 1,4 milhão) por episódio, segundo estimativas da indústria. “Nós desejamos revigorar a marca com a melhor execução possível – alta qualidade, um trabalho com tecnologia de ponta”, explica Roth.

Melhorar a qualidade não será difícil. “A curva caiu tanto que agora nós só podemos subir”, diz Sam Register, que assumiu o cargo de vice-presidente-executivo de atividades criativas na Warner Brothers Animation há dois anos, referindo-se às iniciativas anteriores no sentido de reimaginar o Looney Tunes para uma nova geração.

A Warner possui a reputação, tanto com os fãs como dentro da indústria, de fazer campanhas ousadas para injetar vida nova na franchise. Steven Spielberg dinamizou as coisas no início da década de noventa com “Tiny Toons Adventures”, uma série na qual novos caracteres interagem com os originais. Mas um trabalho de 2002, “Baby Looney Tunes”, foi um fracasso para a rede WB e, mais tarde, para o Cartoon Network.

E as tentativas de ressuscitação para a tela grande não tiveram muito mais sucesso.

“Space Jam”, uma mistura de animação e ação ao vivo estrelando Michael Jordan, gerou lucro em 1996. Mas o filme mais recente, o híbrido de animação e ação ao vivo de 2003, “ Looney Tunes: Back in Action”, deixou as plateias norte-americanas tapando o nariz. O filme, com Brendan Fraser, custou cerca de US$ 95 milhões (R$ 175 milhões) e vendeu apenas US$ 25 milhões (R$ 46 milhões) em entradas nas bilheterias dos cinemas na América do Norte, segundo a Box Office Mojo. Este número inclui o ajuste relativo à inflação.

Mais recentemente, grandes planos para um mundo Looney Tunes online não deslancharam em meio à crise econômica global. “The Loonatics Unleashed”, uma outra série de televisão, foi mais uma iniciativa de revitalização em 2005, que introduziu um cenário futurista, e versões animê de Bugs Bunny e Daffy Duck. O projeto foi um fracasso. Muitos pais detestaram os Loonatics, que usavam corte de cabelo em estilo moicano e tinham olhos ameaçadores, e a série acabou sendo cancelada em 2007.

Register e Roth prometem que esta nova iniciativa será diferente. Uma grande mudança envolve o DNA dos caracteres – ele é o mesmo que os transformou em astros pela primeira vez na década de quarenta. Bugs, Daffy, Porky e o resto do elenco pela primeira vez em vários anos terão uma aparência e um comportamento que é familiar para os adultos que cresceram assistindo aos desenhos. Nada de bebês. E tampouco aventureiros espaciais acovardados.

“Nós realmente apreciamos a voz e o tom do programa, e o visual é simplesmente magnífico”, diz Stuart Snyder, que supervisiona a Cartoon Network como diretor de operações da divisão de mídia infantil da Turner Broadcasting.

Com o Road Runner, que nunca emite um som, a não ser o ocasional “bip, bip”, e Wile E. Coyote, a Warner retornou diretamente ao visual clássico – embora os personagens sejam agora feitos por computadores, um visual que atualmente é mais familiar para as crianças. Os personagens falantes foram mais difíceis de se atualizar, mas até mesmo eles estão bastante fiéis aos originais do passado.

“No momento em que se começa a desenhar o Bugs Bunny exatamente como ele foi desenhado em 1949, a gente espera que a animação e a voz sejam exatamente as mesmas”, afirma Register. “Isso obviamente não é possível, de forma que aproveitamos o melhor dos personagens e fazemos algo ligeiramente novo com eles”.

Ele acrescenta que a arte de “The Loonatics Unleashed” paira sobre os escritórios de animação da Warner como um lembrete daquilo que não se deve fazer.

A nova série, que ainda não tem uma data para estreia, será dividida em pequenos componentes. Haverá três histórias de seis minutos vinculadas entre si, bem como um componente de dois minutos de “Merrie Melodies” - no qual os personagens atuam em vídeos musicais (um deles mostra Elmer Fund/Hortelino Troca-Letras cantando uma balada romântica para um sanduíche de queijo derretido) – e uma perseguição de dois minutos do Road Runner.

Apesar dos problemas, a marca Looney Tunes é ainda uma parte formidável dos produtos Warner Brothers, especialmente no exterior, onde as exibições de várias encarnações dos desenhos ainda gozam de uma grande audiência. A Warner tentou manter a marca viva nos Estados Unidos em parte por meio de uma parceria com o Safeway e com concertos sinfônicos de âmbito nacional chamados Bugs Bunny at the Symphony, nos quais orquestras executam músicas de clássicos como “The Rabbit of Seville” (“O Coelho de Sevilha”).

As vendas dos produtos Looney Tunes vêm caindo há cerca de oito anos, mas ainda geram um lucro superior a US$ 1 bilhão (R$ 1,8 bilhão) anualmenteee em todo o mundo através de 1.000 contratos de licença (a título de comparação, Winnie the Pooh gera cerca de US$ 5 bilhões anuais para a Disney). A esperança é que “The Looney Tunes Show”, apoiado por curtas teatrais, alimente novas linhas de produtos.

“Nós primeiro precisamos investir bastante dinheiro no conteúdo”, afirma Brad Globe, presidente da Warner Brothers Consumer Products. “Assim que houver um novo conteúdo, as companhias de vendas de produtos ficarão mais interessadas nele”.

Jerry Beck, especialista em história da animação e autor do livro, que será lançado em breve, “100 Greatest Looney Tunes Cartoons”, diz que os fãs apreciarão mais uma tentativa de ressuscitar a marca, e que a Warner, tendo contratado profissionais do mais elevado talento para trabalharem no projeto, parece estar desta vez na rota certa.

“O Bugs Bunny está em baixa, mas não está morto”, diz Beck. “É muito difícil trazer personagens mais antigos de volta à cultura atual, e eu estou satisfeito com o fato de a Warner pelo menos não estar desistindo desses personagens”.

Tradução: UOL

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