UOL Notícias Internacional
 

27/05/2010

BP inicia tentativa de selar vazamento de petróleo com procedimento "top kill"

The New York Times
Clifford Krauss e Robbie Brown*
Em Houston (EUA)
  • Região coberta por mancha de óleo no Golfo do México, próximo à Brush Island, Louisiana (EUA)

    Região coberta por mancha de óleo no Golfo do México, próximo à Brush Island, Louisiana (EUA)

A BP deu início na tarde desta quarta-feira (26) ao seu esforço mais ambicioso - e potencialmente mais arriscado - para selar o vazamento de petróleo a 1,5 quilômetro de profundidade que está se espalhando pelo Golfo do México há mais de um mês.

O procedimento, conhecido como “top kill”, começou às 14 horas, horário da Costa Leste dos Estados Unidos, disse a empresa.

O procedimento envolve a injeção de milhares de quilos de fluidos pesados em uma pilha de canos de cinco andares, em um esforço para entupir o poço e impedir o fluxo de petróleo. Representantes da BP disseram que o método de contenção de vazamentos nunca foi tentado nessa profundidade e que poderá levar dias para saber se foi bem-sucedido. Eles alertaram que não há garantia de que funcionará.

A Guarda Costeira deu aprovação para a BP na manhã de quarta-feira para dar prosseguimento à manobra após consultar os cientistas do governo, enquanto técnicos concluíam o trabalho de diagnóstico preparatório. Um vídeo ao vivo do vazamento estará disponível online durante todo o procedimento, disseram os representantes da BP.

Tony Hayward, presidente-executivo da BP, disse que levaria “um dia ou dois para sabermos ao certo se funcionou”. Por outro lado, o fracasso ficaria aparente em minutos ou horas, disse um técnico envolvido no procedimento.

De qualquer forma, o presidente Barack Obama voltará à Louisiana na sexta-feira para verificar os danos causados pelo vazamento, disse a Casa Branca.

As consequências para a BP são profundas: uma contenção bem-sucedida do vazamento poderia finalmente dar início à recuperação da imagem da empresa, após semanas de esforços fracassados, e talvez limitar que os danos à vida selvagem e marinha cheguem a níveis catastróficos.

Um fracasso poderia significar mais vários meses de vazamento de petróleo, com impactos econômicos e ambientais devastadores por toda a região do Golfo, aumentando as obrigações financeiras da empresa. A BP já gastou cerca de US$ 760 milhões no combate ao vazamento, e os dois poços de alívio que está perfurando como um último recurso para selar o poço podem não ficar prontos antes de agosto.

A investigação sobre o que causou a explosão a bordo da plataforma de petróleo Deepwater Horizon em 20 de abril, e o vazamento de petróleo resultante, prosseguiu na quarta-feira, em audiências na Louisiana e Washington.

Em uma audiência em Covington, Louisiana, realizada pela Guarda Costeira e pelo Serviço de Gestão de Minerais, o mecânico chefe da Deepwater Horizon depôs que testemunhou uma “briga” entre um funcionário da BP e tripulantes da Transocean na plataforma, na manhã da explosão.

O mecânico, Douglas H. Brown, descreveu a “briga” ou “leve discussão” entre o líder da BP para área do poço (a quem ele se referia como o “representante da empresa”) e funcionários da Transocean, incluindo o gerente da instalação em alto-mar, ou OIM (na sigla em inglês). A discussão envolvia o desejo da BP de substituir o fluído pesado da perfuração por água salgada mais leve antes do poço ser selado com tampões de cimento.

“O sondador estava expondo o que ocorreria, quando o representante da empresa se levantou e disse: ‘Não, nós faremos algumas mudanças nisso’”, disse Brown. “O OIM, o encarregado da sonda e o sondador discordaram daquilo, mas o representante da empresa disse: ‘É assim que vai ser’, e o OIM, o encarregado da sonda e o sondador concordaram relutantemente.”

Um ex-alto oficial da Guarda Costeira alertou durante a audiência que tensões entre representantes de companhias de petróleo e os operadores das plataformas podem ser perigosas.

“Sempre há conflito entre as pessoas que representam os proprietários da plataforma e as pessoas que a alugam”, disse o ex-oficial, o capitão Carl R. Smith, que não trabalhou na Deepwater Horizon, mas tem 15 anos de experiência em prospecção de petróleo. “As pessoas que a alugam querem ir mais depressa e perfurar, enquanto as pessoas que são donas da plataforma querem manter a integridade da plataforma.”

Ele disse que os representantes das companhias na plataforma costumam pagar US$ 500 mil por dia de sondagem.

“Os representantes das empresas que já vi variavam muito em habilidade”, ele disse. “Alguns deles são pessoas altamente capazes, que acrescentam muito à operação. Alguns deles, em duas ocasiões, se transformaram em adversários” dos funcionários da plataforma que tentavam manter a segurança.

Na quinta-feira, Obama pedirá por medidas de segurança mais rígidas para a exploração de petróleo em alto-mar e provavelmente anunciará um regime de inspeção mais rigoroso para essas operações, disseram funcionários do governo.

O anúncio por Obama deverá ocorrer após ele receber um relatório do Departamento do Interior, que está preparando uma regulamentação mais rígida para as práticas de segurança e ambientais, substituindo o sistema em grande parte de autorregulamentação das companhias petrolíferas. As companhias são contrárias às novas regras, dizendo que serão excessivamente rígidas e caras de ser cumpridas.

A tramitação das regras estava lenta antes do vazamento, mas um alto funcionário do Departamento do Interior disse que seriam aceleradas.

A técnica “top kill” já foi usada com sucesso para outros vazamentos, notadamente na contenção dos vazamentos dos poços de petróleo kuaitianos, sabotados pelo exército iraquiano no final da primeira Guerra do Golfo Pérsico.

Vários veteranos daquela operação estão orientando os técnicos no Golfo. Para liderar o esforço, a BP trouxe Mark Mazzella, seu principal perito em controle de poço, que foi orientado por Bobby Joe Cudd, um lendário bombeiro de incêndio de poços de petróleo do Oklahoma.

Mas a um quilômetro e meio abaixo da superfície do golfo, as pressões do petróleo e gás que estão jorrando podem ser muito grandes para a injeção de material, conhecido como lama pesada de perfuração, conter e reverter o fluxo, alertaram representantes da BP.

“Ela já foi realizada com sucesso no passado, mas nunca foi tentada a esta profundidade”, disse Kent Wells, vice-presidente sênior da BP para exploração e produção. “Nós sempre precisamos ser cuidadosos quanto a criar expectativas.”

Representantes da BP disseram que se o fluxo de petróleo puder ser detido, cimento será despejado no poço e o velho “blowout preventer”, a pilha de canos acima do poço que não conseguiu controlar a explosão e que está vazando, poderia ser substituído por um novo como medida adicional de segurança. Os representantes disseram que o poço nunca mais seria usado para fins de produção.

Wells disse que se o “top kill” falhar, a próxima opção seria colocar um domo de contenção sobre o poço. Esta abordagem foi tentada há três semanas, mas uma lama de gelo de água e gás entupiu o domo. Os representantes disseram que uma abordagem diferente poderia evitar o problema.

*Matthew L. Wald e Helene Cooper, em Washington, e Liz Robbins, em Nova York, contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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