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28/05/2010

Obama admite erro no gerenciamento da crise ambiental no Golfo do México

The New York Times
Peter Baker
Em Washington (EUA)
  • O presidente dos EUA, Barack Obama, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (27) na Casa Branca, sede do governo dos EUA

    O presidente dos EUA, Barack Obama, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (27) na Casa Branca, sede do governo dos EUA

O presidente Barack Obama proferiu três palavras na quinta-feira (27) que muitos de seus 43 antecessores não mediram esforços, com vários graus de sucesso, para evitar: “Eu estava errado”. 

Ele entrou no Salão Leste para fazer uma defesa robusta da forma como lidou com o maior vazamento de petróleo na história americana, tranquilizando a nação de que está encarregado e dizendo que faria “tudo o que for necessário” para deter e limpar o vazamento da BP no Golfo do México. Mas ao partir uma hora depois, ele equilibrou isso com uma autocrítica presidencial bastante incomum.

Ele estava errado, ele disse, ao presumir que as companhias petrolíferas estavam preparadas para o pior ao tentar expandir a exploração de petróleo em alto-mar. Sua equipe não agiu com “urgência suficiente” para reformar a regulamentação do setor. Ao lidar com a BP, seu governo “deveria ter pressionado mais cedo” pelo fornecimento de imagens do vazamento, e “demoramos demais” para medir o tamanho do vazamento.

“Em caso de vocês estarem se perguntando quem é o responsável, eu assumo essa responsabilidade”, disse Obama enquanto concluía a coletiva de imprensa. “É meu trabalho assegurar que tudo seja feito para acabar com isso. Isso não significa que será fácil. Não significa que vai acontecer imediatamente ou da forma que eu gostaria que acontecesse. Não significa que não vamos cometer erros. Mas não deve haver nenhuma confusão aqui. O governo federal está plenamente engajado e eu estou plenamente engajado.”

A mistura de determinação e arrependimento serviu para levantar uma sapata política que os conselheiros esperam que possa conter parte dos danos causados por uma crise que já dura cinco semanas e que desafia a presidência de Obama. Em meio à profunda frustração pública e críticas de ambos os partidos, o presidente buscou reafirmar sua liderança em resposta a um desastre em câmera lenta que emana de 1,5 quilômetro de profundidade no mar.

Mas as críticas não foram acalmadas e os republicanos mantiveram seus esforços para igualar os problemas de Obama no golfo com a resposta do presidente George W. Bush ao furacão Katrina, em 2005. Um vídeo postado na Internet pelo Comitê Senatorial Nacional Republicano dividia as palavras “nunca mais novamente” de Obama a respeito do Katrina com comentaristas liberais exigindo que ele faça algo a respeito do vazamento de petróleo.

“Ele parece não estar envolvido nisso”, James Carville, um estrategista democrata e especialista em televisão, falava diretamente da Louisiana no vídeo. “Você precisa vir aqui e assumir o controle disso, colocar alguém no comando desta coisa e fazer com que as coisas aconteçam. Nós estamos prestes a morrer aqui.”

Obama afastou as comparações com o Katrina, argumentando que o governo fez “o maior esforço desse tipo na história americana” e estava encarregado da resposta da BP.

“Aqueles que pensam que fomos lentos em nossa resposta ou que ela carecia de urgência não têm conhecimento dos fatos”, ele disse. “Esta tem sido nossa maior prioridade desde que a crise ocorreu.”

De fato, ele disse, ele também está “furioso e frustrado” a respeito do vazamento de petróleo, e pensa a respeito dele desde que acorda até a hora em que vai dormir. E enquanto se barbeava na manhã de quinta-feira, ele disse, sua filha de 11 anos, Malia, entrou no banheiro. “Você já tampou o buraco?” ela perguntou.

Ainda assim, há lembranças desconfortáveis do Katrina. Assim como Bush afastou Michael Brown, o então chefe da Agência Federal de Gestão de Emergência, Obama falou aos repórteres poucas horas depois de S. Elisabeth Birnbaum, sua diretora do Serviço de Gestão de Minerais, renunciar sob pressão.

Assim como Bush foi criticado por estar em férias no Texas enquanto o Katrina atingia Nova Orleans, Obama foi criticado por estar jogando golfe, levantando fundos e, na noite de quinta-feira, por seguir para Chicago para um feriado prolongado enquanto a mancha de petróleo atingia os pântanos e praias da Louisiana.

Obama tentará desarmar isso ao interromper sua volta para casa em Chicago, na sexta-feira, para uma segunda visita à Louisiana. E ele apontou o dedo para o governo Bush por permitir que o Serviço de Gestão de Minerais se aproximasse demais da indústria do petróleo, citando um relatório do inspetor-geral sobre a atividade antes de 2007 “que só pode ser descrita como aterradora”.

Mas o reconhecimento de erros por parte do presidente foi notável. Afinal, reconhecer um erro não é um hábito presidencial comum e acontece apenas sob grande pressão. A voz passiva é uma técnica favorita. O presidente George Bush disse que “erros foram cometidos” durante o escândalo Irã-Contras. O presidente Bill Clinton disse que “erros foram cometidos” durante os escândalos de financiamento de campanha. E o presidente George W. Bush disse que “erros foram cometidos” durante a demissão de promotores federais.

Quando o Bush mais jovem aceitou a responsabilidade pela resposta ao Katrina, ele o fez dizendo que os “resultados não são aceitáveis” e prometeu “tratar dos problemas”. Em questão de horas, ele modificou sua avaliação, dizendo que na verdade estava “satisfeito com a resposta” apesar de não “com todos os resultados”.

Obama já demonstrou disposição de admitir erros antes. Quando seu primeiro indicado para secretário da Saúde e Serviços Humanos, Tom Daschle, se retirou por causa de impostos não pagos, o presidente disse de modo estimulante e franco: “Eu pisei na bola”.

Ele escolheu suas palavras mais cuidadosamente na quinta-feira, mas apresentou uma lista das formas como seu governo não agiu adequadamente. A certa altura, ele sugeriu que a explosão de 20 de abril, que matou 11 trabalhadores e provocou o vazamento, poderia ter sido evitada caso seu governo tivesse sanado mais cedo o que chamou de relacionamento confortável e corrupto entre os reguladores e a indústria.

“Eu assumo a responsabilidade por isso”, ele disse. “Não havia urgência suficiente em termos de velocidade com que essas mudanças precisavam ocorrer.” Ele acrescentou: “Obviamente, elas não aconteceram rápido o bastante. Se tivessem ocorrido rápido o bastante, talvez isso pudesse ter sido evitado”.

Quanto ao seu desejo antes do vazamento de expandir a exploração de petróleo em alto-mar, ele disse que ainda acha isso acertado e que mais petróleo será necessário até que combustíveis alternativos suficientes possam ser desenvolvidos.

“Onde eu estava errado”, ele disse, “foi na minha crença de que as companhias petrolíferas estavam preparadas para os piores cenários”.

Nisso, ao menos, ele e seus críticos podem concordar.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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