UOL Notícias Internacional
 

31/05/2010

Esquerda vence eleição tcheca, mas a direita ganha com o medo da dívida

The New York Times
Hana Kurova
Praga (República Tcheca)
  • Presidente tcheco, Vaclav Klaus, e seu dilema: quem formará o próximo governo, já que a vitória do Partido Socialista foi tão estreita?

    Presidente tcheco, Vaclav Klaus, e seu dilema: quem formará o próximo governo, já que a vitória do Partido Socialista foi tão estreita?

Os social-democratas de centro-esquerda venceram por uma pequena margem as eleições parlamentares na República Tcheca, anunciou a justiça eleitoral do país neste sábado, mas no geral os eleitores, assustados com a crise econômica grega, deram mais votos para os partidos de direita que são a favor da austeridade fiscal.

Com 99,8% dos votos contados, o Departamento Tcheco de Estatísticas disse que o Partido Social Democrata recebeu 22,1% dos votos, enquanto seu principal rival, o Partido Cívico Democrático, conservador, recebeu 20,2%.

A direita foi favorecida pela participação em peso de vários partidos pequenos, incluindo o TOP 09, um novo partido conservador liderado por Karel Schwarzenberg, um príncipe fumante de cachimbo que recebeu 16,7% dos votos. O partido tentou fazer com que os eleitores se afastassem da esquerda enviando-lhes faturas zombando da crescente dívida do país. O também novo Partido da Coisa Pública, de direita, ficou com 10,9% dos votos.

Jaroslav Plesl, comentarista do Hospodarske Noviny, um jornal econômico tcheco, disse que os temores de que a República Tcheca possa se tornar uma “Grécia da Europa Central” enfraqueceram o desempenho dos socialistas, que prometeram aumentar os gastos e benefícios sociais durante a campanha.

A crise grega foi decisiva nesta campanha por espalhar temores de que os socialistas perdulários transformariam a República Tcheca em outra Grécia”, disse Plesl.

É provável que o presidente Vaclav Klaus, que de acordo com a constituição tcheca pode apontar um líder para formar um novo governo, primeiro se volte para o Partido Socialista. Mas autoridades importantes disseram no sábado que a perspectiva de um governo socialista parecia improvável.

“Este país está a caminho de uma coalizão de direita”, disse Jiri Paroubek, líder dos socialistas, depois do anúncio dos resultados da eleição e pouco antes de anunciar planos para renunciar à liderança.

Analistas dizem que a saída de Paroubek, um ex-primeiro ministro divisor cujo estilo brusco espantou muitos eleitores, poderia fortalecer a posição de negociação do partido.

Analistas dizem que o resultado mais provável é ou um governo de coalizão de centro-direita ou uma grande coalizão entre esquerda e direita. Um resultado menos provável seria os socialistas formarem um governo de minoria, apoiado pelo Partido de Assuntos Públicos de direita e com o apoio tácito do Partido Comunista, um partido marxista não reformado que recebeu 11,3% dos votos. Ele é o partido comunista sobrevivente no antigo bloco do Leste.

O país tem sido administrado por um governo temporário desde que a coalizão liderada pelos Democratas Cívicos perdeu uma moção de censura em março de 2009.

Embora a economia tcheca tenha se mostrado relativamente resiliente em comparação com a de vizinhos como a Hungria, os economistas alertaram que a demora nas negociações de coalizão – que se arrastaram por meses nas eleições passadas – podem minar a confiança dos investidores.

A economia encolheu 4,2% no ano passado e um novo governo enfrentará o desafio de cortar o déficit do orçamento que está em cerca de 5,9% do PIB. Ao mesmo tempo, economistas dizem que os sistemas de previdência e de saúde pública inflados do país precisam de uma reforma.

Tradução: Eloise De Vylder

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