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04/06/2010

Para Julian Marley, a música é um negócio de família

The New York Times
Ricardo Baca
  • Julian Marley, herdeiro musical do ícone do reggae

    Julian Marley, herdeiro musical do ícone do reggae

Julian Marley teve uma vida bastante diferente daquela vivida pelos seus meio-irmãos mais velhos, Ziggy, Damien e Stephen. Julian foi criado em Londres, pela sua mãe, Lucy Pounder. E ainda que, quando era criança, ele fizesse viagens anuais à Jamaica para visitar o seu pai, a lenda do reggae Bob Marley, e o resto da sua família, Julian é um produto distinto de uma Londres multicultural.

Julian, que acabou de fazer 35 anos, mudou-se para Kingston, na Jamaica, aos 17 anos de idade para iniciar a sua carreira na música, e atualmente ele divide o seu tempo entre Kingston e Miami. Mas quando se ouve a música de Julian, percebe-se que existe algo de pessoalmente único em relação à arte dele – uma característica que distingue a carreira dele da dos seus irmãos.

Nós conversamos com Julian sobre a sua casa, a sua família e a importância de levar adiante a música do seu pai.

Pergunta: Nos fale sobre a sua infância em Londres.

Resposta: Eu nasci lá. Portanto, crescer em Londres foi bom. Para mim foi uma experiência como a de qualquer outra criança comum. Nós morávamos no bairro onde a maioria das pessoas do Caribe mora, e eu frequentei a escola pública e outras coisas desse tipo. Eu fui um jovem comum.

P: Qual é a sua relação com Kingston e com o lado da família do seu pai?

R: Eu costumava voltar para lá todo ano a partir de 1981 para as férias de verão, mas foi então que percebi, “Eu quero de fato me concentrar na minha música. Eu amo a música, e preciso estar onde a música estiver ocorrendo”. E, por volta de 1992, eu me mudei para a Jamaica. Foi algo de diferente. Eu tinha 17 anos, e encarava a música de forma mais séria. Eu não fazia ideia do que era a Jamaica, e quando eu me vi lá, foi mais fácil criar uma banda e fazer música, algo que era um sonho meu.

P: Você foi recebido calorosamente quando chegou lá?

R: Sim, foi uma reação calorosa. Você sai e conhece gente que não sabe das suas capacidades. Na sua juventude, é possível que você não seja reconhecido até que eles vejam que você realmente possui talento. Nós passamos por várias fases. E a seguir você cresce até tornar-se o que de fato é. Na Jamaica existe bastante apoio. Sabe como é, coisas negativas não podem criar coisas positivas.

P: Você atualmente está trabalhando em algumas músicas novas em Miami? Por que não em Kingston?

R: Às vezes eu venho a Miami para ter paz de consciência. Eu ainda amo a Jamaica, devido à vibração, e além do mais é lá que a música está. Mas atualmente o reggae é um estilo vasto e amplo, que cobre o mundo inteiro.

P: Como é que você acha que o período passado em Londres afetou aquilo que veio a se tornar a sua música?

R: Mesmo hoje em dia eu ainda identifico as diferenças entre a minha música e a dos meus irmãos. Tendo crescido na Inglaterra, talvez eu tenha visto as mesma injustiças que ocorrem nos Estados Unidos e na Jamaica. O mundo é um só. Em todo lugar aonde você vai, é sempre a mesma coisa. Você descobre que trata-se de um mundo só, realmente, não importa de onde você venha.

P: O seu disco mais recente, “Awake”, foi lançado há um ano. Você ainda está descobrindo vida nova nele?

R: Sempre existe vida nova vinda de músicas que foram compostas no passado. Até mesmo nas músicas do meu pai. Eu ainda escuto as músicas dele de 1967 e 1966. Aquele tipo de música diz respeito à vida. É algo que diz respeito à inspiração e à mensagem continda nos álbuns. É uma coisa muito séria.

P: Você e os seus irmãos continuam interpretando a música do seu pai. Por que isso é importante?

R: Sim, todos nós interpretamos a música do nosso pai. Nós amamos o nosso pai. Ele é uma parte de nós. Ele é o artista, e foi ele que nos mostrou esta arte, portanto temos que respeitar isso.

P: E você e os seus irmãos colaboram bastante quando gravam. Como é esta vibração no estúdio?

R: É uma loucura. Colaboração significa que nós cozinhamos juntos, comemos juntos, jogamos futebol. Mas isso depende. É como se fôssemos amigos trabalhando naturalmente juntos. Você não tem que dizer muita coisa. Eu toco alo, e de repente já sei o que o meu irmão está pensando. É força em cima de força. Tudo diz respeito a entendimento e comunicação, que é o fator chave.

Tradução: UOL

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