UOL Notícias Internacional
 

04/06/2010

Partido do governo da Coreia do Sul é rejeitado pelos eleitores

The New York Times
Choe Sang Hun
Em Seul (Coreia do Sul)
  • O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, discursa no Memorial da Guerra erguido perto de uma base do exército em Seul nesta na segunda-feira (24).

    O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, discursa no Memorial da Guerra erguido perto de uma base do exército em Seul nesta na segunda-feira (24).

O partido do presidente Lee Myung-bak sofreu um surpreendente revés nas eleições locais, que eram amplamente vistas como um referendo ao modo como ele está lidando com o aparente torpedeamento de um navio de guerra sul-coreano pela Coreia do Norte.

Os resultados das eleições foram divulgados na quinta-feira e o comparecimento dos eleitores foi de 54,5%, o mais alto para eleições locais em 15 anos.

Os candidatos do Grande Partido Nacional de governo de Lee esperavam que o ultraje na Coreia do Sul com o afundamento do Cheonan, que matou 46 marinheiros sul-coreanos, os ajudaria a pegar uma onda conservadora rumo à vitória. O governo de Lee acusou formalmente a Coreia do Norte de atacar o navio em 26 de março com um torpedo disparado de um submarino, uma acusação que a Coreia do Norte nega.

“Os resultados eleitorais ficaram bem abaixo do que esperávamos e desejávamos”, disse Cho Hae-jin, um porta-voz do partido do governo. O presidente do partido, Chung Mong-joon, um importante aliado de Lee, disse que renunciaria ao cargo devido aos maus resultados. O chefe de Gabinete de Lee, Chung Chung-kil, também ofereceu sua renúncia.

Pesquisas pré-eleitorais mostravam que a maioria dos sul-coreanos culpava a Coreia do Norte pelo afundamento do navio de guerra, que o governo caracterizou como sendo a pior provocação militar norte-coreana desde o final da Guerra da Coreia. Essas pesquisas e analistas políticos previram que o partido do presidente venceria pelo menos 9 de 16 disputas cruciais para prefeitos de grandes cidades e governos provinciais na quarta-feira.

Mas o partido venceu apenas seis das eleições. Seu principal rival, o Partido Democrático, venceu sete. As três disputas restantes foram vencidas por dois independentes e um candidato de um pequeno partido de oposição.

Os resultados foram um duro golpe contra os esforços de Lee para conquistar apoio popular para sua campanha para punição da Coreia do Norte. Ele também queria o apoio para seu controverso projeto de US$ 19 bilhões para dragar e represar os quatro principais rios do país.

O prefeito de Seul, Oh Se-hoon, um membro do partido de Lee, conseguiu a reeleição por margem apertada. Mas em uma disputa eleitoral altamente contestada em Inchon, uma grande cidade portuária a oeste de Seul, o candidato de oposição, Song Young-gil, um forte crítico de Lee, conquistou uma vitória inesperada. O afundamento do navio foi um assunto eleitoral particularmente significativo ali, porque o navio afundou dentro da jurisdição de Inchon.

Ambas as províncias centrais de Chungcheong também rejeitaram os candidatos do partido do governo. Elas ficaram descontentes quando Lee cancelou o plano anterior do governo de transferir várias agências do governo central para uma nova cidade que seria construída na região.

Tensão com vizinho provoca treino de guerra na Coreia do Sul

Em todo o país, cerca de 9.900 candidatos fizeram campanha para 3.991 cargos, incluindo disputas para a prefeitura de cidades pequenas, vereadores e chefes da educação. Na maioria dessas disputas menores a oposição também prevaleceu.

As eleições locais na Coreia do Sul costumam ser vistas como um referendo de meio de mandato para o presidente. Analistas políticos disseram que mesmo antes do afundamento do Cheonan, à medida que a economia do país se recuperava de forma relativamente rápida da recessão global, os índices de aprovação de Lee pairavam próximos de 50% e seu partido parecia ter uma boa chance de vitória.

Mas quando o Cheonan afundou, o partido de Lee transformou o assunto em seu principal tema de campanha para afastar as disputas domésticas, como o projeto de represamento dos rios. Seus candidatos passaram a atacar os rivais da oposição que defendiam uma aproximação com a Coreia do Norte.

Os políticos de oposição argumentaram que a abordagem linha-dura de Lee em relação à Coreia do Norte ajudou a provocar o ataque do Norte.

“Sim, as pessoas concordaram com o presidente de que o Norte precisava ser punido”, disse Jeong Chan-soo, um analista sênior da consultoria política MIN Consulting. “Mas quando o governo anunciou os resultados da investigação no mesmo dia do início da campanha eleitoral, e quando Lee escolheu o Museu da Guerra da Coreia como local para seu discurso criticando a Coreia do Norte, elas acharam que a reação dele foi exagerada.”

“Elas sentiram um risco de guerra”, acrescentou Jeong. “Elas acharam que precisavam conter seu presidente.”

“Este é o veredicto das pessoas a respeito da arrogância de Lee Myung-bak”, disse Woo Sang-ho, um porta-voz do Partido Democrático.

Chung Se-kyun, o líder do Partido Democrático, disse que os resultados indicavam que Lee deveria “abandonar sua política de confrontação com a Coreia do Norte e reduzir as tensões na Península Coreana”.

Preocupações de segurança envolvendo a Coreia do Norte já influenciaram eleições anteriores no Sul, quase sempre ajudando os candidatos conservadores, em um fenômeno conhecido como “Vento Norte”.

Candidatos de oposição em pânico acusaram Lee de explorar o afundamento para aumentar as tensões visando ganhos políticos. E a Coreia do Norte entrou na briga, pedindo aos sul-coreanos para desferirem “golpes de marreta” contra Lee.

 

Tradução: George El Khouri Andolfato

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