UOL Notícias Internacional
 

05/06/2010

Obama nomeará general reformado para alto cargo de espionagem

The New York Times
Peter Baker e Eric Schmitt
Em Washington (EUA)
  • Clapper Jr. será o novo homem forte da inteligência

    Clapper Jr. será o novo homem forte da inteligência

O presidente Barack Obama escolheu o general James R. Clapper Jr. como diretor nacional de inteligência, usando um oficial reformado com décadas de experiência para melhorar a coordenação do vasto aparato de espionagem do país, em meio às crescentes ameaças em casa e a escalada das operações no exterior.

Obama planeja anunciar sua escolha no Jardim das Rosas da Casa Branca no sábado, duas semanas após forçar a renúncia do almirante Dennis C. Blair do cargo, segundo funcionários do governo, que revelaram a decisão sob a condição de anonimato para evitar atropelar a cerimônia.

A escolha representa um apertar do botão de “reinicialização” para o presidente, enquanto ele tenta recalibrar uma estrutura de inteligência que tem passado por contínuas reformas desde os problemas que levaram à guerra no Iraque, mas que segundo a maioria dos relatos ainda carece da coesão necessária para a guerra contra o terror. Enquanto as agências de inteligência expandem seu papel no exterior com ataques com aeronaves não-tripuladas no Paquistão e um crescente foco no Iêmen e na Somália, elas enfrentam uma série de tentativas de ataque nos Estados Unidos.

Clapper, 69 anos, que se aposentou em 1995 após 32 anos na Força Aérea, ascendeu de um oficial de inteligência a subsecretário de Defesa para inteligência, supervisionando todas as operações militares de espionagem. Ao escolhê-lo, o presidente encontrou um veterano de inteligência que entrou em choque com o então secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, e foi afastado do cargo como resultado, apenas para retornar ao Pentágono como principal vice do secretário de Defesa, Robert M. Gates.

Se confirmado pelo Senado, Clapper será o quarto oficial desde 2005 a supervisionar as 16 agências de inteligência do país, um cargo criado após os fracassos de inteligência no Iraque. Alguns funcionários de inteligência retrataram o cargo como um pesadelo burocrático. Basicamente, ele envolve a coordenação de alguns chefes de inteligência muito poderosos, incluindo o diretor da CIA, que possuem orçamentos maiores, suas próprias bases de poder e acesso a autoridades do governo e membros do Congresso.

Mas Obama concluiu que a experiência de Clapper lhe permitiria consertar uma situação disfuncional.

“O mandato dele é para melhorar a situação e isso exigirá algumas mudanças”, disse um alto funcionário do governo.

“Ele conhece o funcionamento interno do setor melhor do que qualquer pessoa que conheço”, disse John J. Hamre, um ex-vice-secretário de Defesa e atual presidente do Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos.

Mas Clapper terá que encontrar uma forma para tornar mais eficaz o cargo criado pelo Congresso.

“Não dá para consertar administrativamente defeitos de nascença na legislação”, disse Hamre.

Clapper poderá enfrentar uma luta para ser confirmado. A escolha provocou consternação no Senado, onde alguns democratas e republicanos se queixaram de que ele está alinhado demais aos militares, resistiu ao fortalecimento do cargo para o qual foi escolhido e não cultivou laços estreitos com o Capitólio.

“Ele serviu com honra e distinção por muito tempo, mas está concentrado demais em assuntos do Departamento de Defesa”, disse o senador Christopher Bond, do Missouri, o líder da bancada republicana no comitê de inteligência, em uma entrevista por telefone na sexta-feira. “E eu não acredito que ele será acessível e aberto com o comitê de inteligência.”

A senadora Dianne Feinstein, da Califórnia, a presidente do comitê, estava viajando na sexta-feira e não estava disponível para comentário, disse seu gabinete. Mas Feinstein também expressou reservas quando Clapper despontou no mês passado como um candidato a sucessão de Blair, dizendo que seria melhor nomear um civil para o cargo.

Outros senadores disseram que Clapper carece de uma personalidade forte o bastante e de um estilo de gestão para exercer controle sobre o vasto aparato de inteligência americano.

“Há problemas dentro da comunidade de inteligência que precisam ser tratadas de forma muito forte e direta”, disse o senador Saxby Chambliss, um republicano da Geórgia no comitê, por meio de uma porta-voz. “Eu tenho sérias reservas a respeito do general Clapper ser essa pessoa.”

Mas Clapper não teve medo de contestar seus chefes no passado. Quando o Congresso estava debatendo a criação do cargo de diretor nacional de inteligência, Clapper era diretor da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial, uma parte pouco conhecida da infraestrutura de espionagem do país que analisa mapas e imagens por satélite secretas. Ele disse ao Congresso que apoiaria a transferência do controle de sua agência pelo Pentágono para o do novo diretor de inteligência.

Essa posição era contrária à de Rumsfeld, que forçou a saída de Clapper em 2006. Mas Rumsfeld foi afastado pelo presidente naquele mesmo ano e foi substituído por Gates, que recontratou o general reformado para o principal cargo de inteligência do Pentágono em 2007.

Em 2008, Clapper supervisionou o desmanche de um controverso escritório de inteligência militar que os legisladores e grupos de liberdades civis diziam fazer parte de um esforço do Pentágono para expandir sua espionagem doméstica. Rumsfeld criou a unidade, chamada de escritório de Atividades de Campo de Contrainteligência, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, para responder ás operações dos serviços de inteligência estrangeiros e grupos terroristas dentro dos Estados Unidos e no exterior.

Mas o escritório secreto passou a sofrer fortes críticas em 2005, quando foi revelado que dispunha de um banco de dados contendo informação sobre os protestos antiguerra planejados em igrejas, escolas e salões de reunião quacres. Clapper ordenou o fim do banco de dados, chamado Talon, e grande parte das operações do escritório foi absorvida pela Agência de Inteligência da Defesa, que foi liderada por Clapper de 1991 a 1995.

O diretor nacional de inteligência supostamente supervisiona as agências de espionagem separadas e serve como principal consultor do presidente em assuntos de inteligência. Mas na prática, a autoridade do diretor não é clara, particularmente devido a grande parte do orçamento anual de inteligência americano, de quase US$ 50 bilhões, estar fora de seu controle direto, porque é destinado aos satélites de espionagem e dispositivos de escuta de alta tecnologia operados pelo Pentágono.

Também não é claro quanto controle o diretor exerce sobre a CIA, que cresce em poder à medida que expande seu papel nas guerras secretas no Paquistão, Iêmen e outros lugares.

De fato, o antecessor de Clapper era visto como estando no lado perdedor das batalhas internas com Leon E. Panetta, o diretor da CIA. Blair tinha pouca afinidade com Obama, disseram funcionários, e perdeu para Panetta a disputa sobre quem nomearia os chefes de estação. O presidente criticou a coordenação do compartilhamento de inteligência após a tentativa fracassada de explodir um avião de passageiros da Northwest Airlines, no Natal passado.

O presidente decidiu fazer uma mudança e se sentou com Clapper no Escritório Oval em 5 de maio, quando perguntou ao general reformado quais eram seus pontos de vista sobre o futuro das operações de inteligência e especificamente do cargo de diretor, segundo um funcionário do governo informado sobre a sessão. Clapper apresentou posteriormente uma carta sobre sua visão que impressionou o presidente e o convenceu a nomeá-lo ao cargo, disse o funcionário. Blair renunciou sob pressão em 20 de maio.

Aqueles que o conhecem dizem que Clapper deverá trabalhar bem com Panetta e John O. Brennan, o chefe de contraterrorismo de Obama, o que em termos práticos provavelmente deixará a CIA e a Casa Branca na liderança das questões de contraterrorismo, disseram funcionários do Congresso na sexta-feira.

“Jim é um verdadeiro profissional de inteligência”, disse o general Michael V. Hayden, um ex-diretor da CIA, em uma entrevista na sexta-feira.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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