UOL Notícias Internacional
 

06/06/2010

Quando o casamento se torna vítima do transtorno de uma criança

The New York Times
Lisa Belkin

Pesquisadores anunciaram este mês que ter um filho com autismo não aumenta a probabilidade de os pais se divorciarem. Foi a refutação da crença muito comum – mas pouco documentada – de que os esforços para cuidar de uma criança doente ou difícil costumam separar os casais.

 

 

O fato de que o divórcio não é uma norma apresenta um conforto ainda que pequeno para os casais que estão se desdobrando para atender as necessidades especiais de seus filhos. Um desses casais tem um menino de cinco anos de idade com déficit de atenção e transtorno de hiperatividade, ou TDAH, em inglês, desordem pervasiva do desenvolvimento, e psicose, entre outras coisas. Eles têm cicatrizes das vezes que foram arranhados e apanharam durante os acessos de raiva do filho.

 

 

O menino, que tomou vários remédios por muitos anos, já foi expulso de uma escola terapêutica destinada a crianças com todos os tipos de dificuldades. A mãe costuma escrever sobre a história da família no site hopefulparents.org, identificando-se como “cms8741” e seu filho como “E-Niner”.

 

 

Na manhã de segunda-feira ela escreveu sobre o próximo passo que se apresenta para a família. Ela e os editores permitiram que eu reproduzisse seu texto aqui. Chegou a hora para eles decidirem se colocar o filho num hospital psiquiátrico residencial irá destruir a família ou salvá-la.

 

 

“Amanhã marca o primeiro dia de um novo capítulo da nossa vida familiar: é o dia em que eu vou pegar o telefone para lembrar à neuropsicóloga do meu filho, como ela pediu, para telefonar no primeiro dia de junho para que ela possa marcar uma avaliação quase anual de E-Niner.

 

 

O que torna essa avaliação diferente de qualquer outra que ela já fez com ele – e o motivo pelo qual amanhã marca um novo capítulo de nossa vida – é porque ela fará esta rodada de testes com o propósito de encaminhar o caso de meu filho para tratamento num hospital psiquiátrico.

 

 

Antes disso, nós ficamos muito tempo nos perguntando sobre a possibilidade, talvez, de considerar colocar meu filho num ambiente fora de casa. Amanhã, indireta mas substancialmente, o processo começa começará rápido e difícil. É mais uma etapa do caminho.

 

 

Eu consegui chegar à uma espécie de aceitação do fato de que meu filho precisa de cuidado psicológico 24 horas, do tipo que não pode ser oferecido num lar, não importa quantos auxiliares nós contratemos para ajudá-lo. Eu acabei decidindo que se meu filho deve viver em algum lugar por tempo indeterminado, todos os membros de nossa família – incluindo nosso filho de 4 anos – nos sentiremos mais como, digamos, indivíduos do que como peças da engrenagem da doença psicológica de meu filho.

 

 

Entretanto, o que eu não posso prever é se esse passo irá estilhaçar nossa família em cacos tão pequenos, distantes e separados que não seremos capazes de nos recuperar. Ao mesmo tempo, não posso prever se o “status quo” não fará a mesma coisa. Parece que nosso casamento está por um fio. Nós fomos atirados na correnteza, e talvez o único caminho seja o choque.

 

 

Meu marido não quer colocar E-Niner num hospital. Embora todos os quatro avós de E-Niner, seu professor, a equipe de tratamento em sua escola terapêutica, a equipe de tratamento de sua antiga escola terapêutica, sua psiquiatra, seu terapeuta, o assistente social da família, seu enfermeiro, seu pediatra, e sua própria mãe acreditem que E-Niner receberá o cuidado de que necessita nesse contexto. Parece que o mundo inteiro está contra meu marido...

 

 

Eu o tenho evitado, e vice-versa, há várias semanas. O que eu não percebi foi que talvez durante os últimos meses, ele não estava mais falando comigo. O fato de não perceber que meu marido não estava falando comigo mostra o quanto disfuncionais e perdidos nós estamos. Agora, sinto como se estivéssemos numa espécie de duelo de faroeste; que nos afastamos vinte passos um do outro e sacamos nossas armas. Um movimento em falso, um movimento do pulso, e alguém atirará que nem louco. Em outras palavras, as coisas estão tensas.

 

 

O problema é, eu não acho que o alívio chegará tão cedo. Na verdade, depois do telefonema de amanhã, as coisas só ficarão cada vez piores. Será que chegará o dia em que um hospital abrirá uma vaga? Será que meu marido vai se sentir obrigado a aceitar a vaga, e depois decidir separar nossa família no final? Será que eu seguirei o desejo de meu marido, esmagando minha própria sensação do que é absolutamente certo e necessário para E-Niner, e depois reverter a situação do nosso casamento? Será que eu é que deixarei de falar com ele por meses a fio? E depois nosso casamento finalmente chegará ao fim? Será que o casamento já está se dissolvendo, bem na frente dos meus olhos?

 

 

Estou vivendo um dia de cada vez. Mas quando olho em volta e percebo as possibilidades, nosso caminho parece muito desanimador nesse momento. Como diz o ditado, alguém tem que ceder."

 

 

Tradução: Eloise De Vylder

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