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11/06/2010

Irã defende histórico de direitos enquanto oposição cancela comício

The New York Times
Neil Macfarquhar
Na ONU
  • Manifestantes oposicionistas protestam contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã, capital do Irã

    Manifestantes oposicionistas protestam contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã, capital do Irã

Enquanto o Irã defendia seu histórico perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, chamando a si mesmo de modelo de democracia no Oriente Médio, os líderes de oposição em Teerã cancelaram na quinta-feira um comício no fim de semana, para marcar um ano desde a eleição presidencial contestada do país, porque o governo não lhes deu permissão.

Entenda a polêmica envolvendo o programa nuclear do Irã

Especialistas acreditam que o Irã ainda não tem capacidade de fabricar sozinho as varetas de combustível necessárias para o reator de Teerã.


Mohammad Javad Larijani, o secretário-geral do Alto Conselho Iraniano para os Direitos Humanos, apareceu diante do conselho de direitos humanos em Genebra e declarou que seu país está fazendo o máximo para cumprir a maioria das recomendações submetidas por outros países ao conselho para melhoria do histórico do Irã – parte de uma revisão periódica pela qual todos os países membros passam.

Muitas perguntas de países ocidentais e de organizações internacionais de direitos humanos participantes do processo se concentraram na falta de prestação pública de contas no Irã pela grande violência e aprisionamentos sofridos pelos manifestantes pró-democracia, desde a eleição de 12 de junho de 2009.

Peter Gooderham, o embaixador britânico, disse que os países membros acompanhariam as promessas do Irã com interesse, “incluindo aquelas sobre liberdade de reunião e expressão”.

“Desde fevereiro”, disse Gooderham, “o Irã tem impedido qualquer organização de realizar encontros públicos. Por quê?”
Ressaltando a questão, os dois principais líderes do Movimento Verde de oposição no Irã, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, cancelaram os planos para marcar nacionalmente os eventos do ano passado, porque temiam um derramamento de sangue na ausência de uma autorização do governo.

Em sua declaração anunciando o cancelamento, os dois homens repetiram sua acusação de que o presidente Mahmoud Ahmadinejad – contra o qual disputaram a eleição– não pode dizer que está à frente de um governo legítimo, mas disseram que não querem que o comício aconteça, citando a preocupação com possível violência.

“Até mesmo o simples anúncio de uma intenção de manifestação fez os repressores estremecerem de medo e promoverem uma mobilização policial e de segurança em grande escala”, disse a declaração.

A secretária de Estado americana, Hillary Rodham Clinton, disse que a repressão à dissensão pública é apenas uma das muitas formas que o Irã “causa tanta preocupação ao redor do mundo”. Ela falou um dia após os Estados Unidos terem conseguido a aprovação pelo Conselho de Segurança de novas sanções contra o Irã, por causa das suspeitas em torno de seu programa nuclear. (O Irã diz que o programa é pacífico.)

“Quando você olha para a combinação de repressão ao seu próprio povo, manipulação de suas próprias eleições, o fato de ainda serem exportadores e patrocinadores de atividades terroristas ao redor do mundo, e a busca do país por armas nucleares, a soma de tudo isso é muito perigosa”, disse Clinton em um encontro de líderes do Caribe, em Barbados.
Em Genebra, os governos ocidentais e as organizações de direitos humanos acusaram o Irã de ser falso a respeito de seu histórico, prometendo cooperação com o conselho em questões de direitos humanos, ao mesmo tempo em que subverte muitas delas em casa –inclusive liberdade de religião, expressão e reunião, além de um judiciário independente.

A Anistia Internacional disse que o governo vem visando estudantes, jornalistas, ativistas políticos, sindicalistas, defensores de direitos humanos e membros de minorias étnicas e religiosas.

“Execuções são realizadas por motivos políticos e utilizadas para amedrontar aqueles que desejam se manifestar”, disse a organização em uma declaração. “Essas violações de direitos humanos parecem ser cometidas pelas autoridades do Estado com total impunidade.”

Larijani atacou o histórico dos Estados Unidos, chamando o país de centro de racismo, islamofobia e “centenas de outras fobias”, mas o presidente da conferência lembrou a Larijani que era o histórico do Irã que estava sendo analisado, não o dos Estados Unidos.

O secretário de Direitos Humanos iraniano negou as acusações de que representantes especiais da ONU, investigando questões como a tortura, tiveram acesso negado ao Irã, dizendo que o convite está aberto a eles. Ele disse que o Irã é avaliado segundo um padrão não alinhado à sua cultura islâmica.

“Nós não somos um sistema secular, nós não somos um sistema liberal; nós somos talvez a única democracia, a maior democracia no Oriente Médio”, disse Larijani em comentários transmitidos ao vivo de Genebra pela Internet. Ele não fez nenhuma referência direta à violência pós-eleitoral em qualquer um de seus comentários.

 

*Mark Landler, em Barbados, contribuiu com reportagem

Tradução: George El Khouri Andolfato

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