UOL Notícias Internacional
 

15/06/2010

Em visita ao golfo, Obama tenta melhorar a economia e o humor

The New York Times
Helene Cooper e Henry Fountain
Theodore (Alabama, EUA)
  • Trabalhadores da British Petroleum tentam remover petróleo acumulado numa praia de Los Angeles (EUA)

    Trabalhadores da British Petroleum tentam remover petróleo acumulado numa praia de Los Angeles (EUA)

O presidente Barack Obama aumentou na segunda-feira seus esforços para limitar o impacto econômico do vazamento de petróleo, anunciando medidas para assegurar aos consumidores que os peixes e frutos do mar do Golfo do México são seguros e promover o turismo na região, enquanto a British Petroleum (BP), sob pressão da Casa Branca, concordou em acelerar a limpeza.

Em sua quarta viagem à região desde que a explosão de uma plataforma provocou o vazamento, Obama visitou o Mississippi e o Alabama um dia antes de fazer um discurso em rede nacional no Escritório Oval, na noite de terça-feira, em sua ação mais visível até o momento para mostrar que seu governo está no comando do que chamou de pior desastre ambiental do país.

Em resposta ao pedido do governo no fim de semana, a BP anunciou um plano para drenar de 40 mil a 53 mil barris de petróleo por dia do poço que está vazando até o final de junho, em comparação aos atuais 15 mil barris por dia.

Segundo o plano, que na prática acelera o cronograma de contenção da BP em duas semanas, a empresa também trará mais embarcações e outros equipamentos de apoio para lidar com tempo ruim e outros problemas imprevistos. O otimismo da BP em relação aos seus esforços anteriores para lidar com a situação provou ser infundado.

O conselho da BP se reuniu na segunda-feira para considerar a exigência da Casa Branca da criação de uma conta de caução para pagamento das indenizações do vazamento, enquanto investidores e autoridades levantavam dúvidas sobre a situação financeira da empresa a longo prazo.

Uma decisão final sobre a conta não foi tomada pelo conselho, que aguarda uma reunião entre seu presidente e Obama em Washington, na quarta-feira.

Documentos internos da BP, incluindo um e-mail chamando de “pesadelo” o poço perfurado pela Deepwater Horizon, mostram um padrão de decisões arriscadas tomadas para poupar tempo e dinheiro nas semanas que antecederam a explosão de 20 de abril, segundo uma carta enviada à companhia petrolífera pelos líderes de um comitê da Câmara, na segunda-feira.
Os líderes do comitê citaram cinco áreas nas quais a empresa tomou decisões que “aumentaram o risco de um poço catastrófico”, incluindo a escolha do projeto do poço, a preparação e teste do trabalho com cimento e na forma de assegurar que o poço estaria selado de forma apropriada no topo.

Juntos, os documentos oferecem o argumento mais forte até o momento de que a BP tem grande parte da responsabilidade pela explosão, que matou 11 funcionários e que continua despejando milhões de galões de petróleo no golfo.

Algumas das decisões pareceram violar as diretrizes do setor e foram tomadas apesar dos alertas dos próprios funcionários da BP e de prestadoras de serviços, disseram o deputado Henry A. Waxman, democrata da Califórnia, e o deputado Bart Stupak, democrata de Michigan, os líderes do Comitê de Energia e Comércio da Câmara. Eles enviaram sua carta ao presidente-executivo da BP, Tony Hayward, antes de seu depoimento perante o comitê, na quinta-feira.

Uma investigação sugeriu que a demora para conclusão do poço “criou a pressão para adoção de atalhos”, disse a carta.
Após uma reunião com o governador do Mississippi, Haley Barbour, e com o governador da Louisiana, Bobby Jindal, em Gulfport, Mississippi, Obama pediu aos americanos que venham visitar as praias da região, muitas delas virtualmente desertas na segunda-feira.

“Ainda há muitas oportunidades para os visitantes virem para cá”, disse Obama após a reunião na estação da Guarda Costeira, em Gulfport.

O presidente fez questão de comer peixes e frutos do mar locais no almoço em Gulfport, onde conversou com uma dona de hotel, que lhe disse que seus negócios caíram 40%, e novamente no jantar, em Orange Beach, Alabama, onde pediu patas de siri, rabos de lagosta, costelas e nachos.

 

“É seguro comer alimentos do golfo”, ele disse mais cedo em Theodore, onde disse que as agências do governo estavam aumentando seu monitoramento das empresas de processamento de peixes e frutos do mar e dos peixes pescados fora das áreas onde a pesca está proibida por causa do vazamento. “Mas nós precisamos assegurar que permaneça assim.”
Hayward certamente sofrerá um interrogatório intenso na quinta-feira, quando aparecer perante um subcomitê do Comitê de Energia e Comércio da Câmara.

Os líderes do comitê disseram que pouco antes da explosão, os engenheiros da BP escolheram o projeto mais rápido e mais barato para o revestimento final, o cano de aço que envolve o poço. O projeto que foi escolhido, chamado “tapered string”, custa cerca de US$ 7 milhões a US$ 10 milhões a menos que outro método. Mas ele propicia menos proteção se o trabalho de cimento for inadequado e gás subir pelo poço, escreveram os congressistas. O “New York Times” já noticiou anteriormente sobre o projeto de revestimento.

Na troca de e-mails na semana que antecedeu a explosão, a equipe de engenheiros de perfuração da BP discutiu os planos para o revestimento, com um, Brian P. Morel, pedindo a outro que fizesse uma revisão do diagrama esquemático.
“Desculpe pelo contato tão tarde”, escreveu Morel, “este poço tem sido um pesadelo que está deixando todo mundo confuso”.

Tempo e dinheiro eram motivos de preocupação, escreveram os líderes da Câmara, porque os trabalhos no poço estavam atrasados. Um problema em março forçou a empresa a tentar um “desvio”, no qual o poço é perfurado ao redor da área problemática. No dia da explosão, a Deepwater Horizon, alugada pela BP da Transocean por meio milhão de dólares por dia, mais as taxas de serviço, estava 43 dias atrasada para seu próximo destino de perfuração, escreveram os líderes.

A escolha do revestimento significava que o poço teria apenas duas barreiras o fluxo de gás de saída, que poderia causar uma explosão: o cimento próximo do fundo do poço e uma selagem próxima do topo. Os congressistas descreveram três decisões falhas relacionadas ao cimento, e disseram que a empresa também decidiu não usar um dispositivo chamado “lockdown sleeve”, para assegurar que a selagem no topo resistiria.

Em uma carta ao contra-almirante James A. Watson, o representante do governo para comandar a limpeza do vazamento, Doug Suttles, o diretor-chefe de operações da BP, disse que até terça-feira um navio de prospecção, o Q4000, estaria disponível para queimar de 5 mil a 10 mil barris por dia de petróleo coletado por canos ligados à chamada “choke line” (linha de estrangulamento) na cabeça do poço.

Isso elevaria sua capacidade para 20 mil a 28 mil barris por dia. Uma equipe de cientistas formada pelo governo estimou a vazão em 25 mil a 30 mil barris por dia, mas a equipe está trabalhando em novas estimativas que podem ser maiores.
Até o final do mês, escreveu Suttles, a BP aumentará a capacidade ao conectar um grande cano flexível a uma segunda linha na cabeça do poço, chamada “kill line” (linha de matar). Este petróleo seria coletado por um navio capaz de lidar com 20 mil a 25 mil barris por dia, elevando o número total de barris coletados por dia para 40 mil a 53 mil.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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