UOL Notícias Internacional
 

25/06/2010

EUA e Rússia estreitam relações comerciais, acompanhados de hambúrgueres

The New York Times
Jackie Calmes
Em Washington (EUA)
  • Obama e Medvedev, almoçam juntos no Ray's Hell Burger, especializado em hambúrgueres e carnes

    Obama e Medvedev, almoçam juntos no "Ray's Hell Burger", especializado em hambúrgueres e carnes

Após os recentes acordos envolvendo segurança nacional, o presidente Barack Obama e o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, realizaram uma espécie de conferência econômica na quinta-feira, com Obama buscando aumentar as exportações para a Rússia e Medvedev buscando mais investimentos de empresas americanas, especialmente em tecnologia.

“Vinte anos após o fim da Guerra Fria, o relacionamento entre Estados Unidos e Rússia precisa envolver mais do que apenas segurança e controle de armas”, disse Obama em uma coletiva de imprensa conjunta. “Ele precisa tratar de nossa prosperidade compartilhada e do que podemos construir juntos.”

As realizações de fato na frente econômica são modestas. Os Estados Unidos prometeram redobrar seus esforços para ajudar a Rússia a ingressar na Organização Mundial do Comércio, concordando em tentar completar os anos de negociação em setembro. A Rússia disse que suspenderia as barreiras à importação multibilionária de frango americano. E concordaram em promover uma colaboração em tecnologias de energia limpa.

Mais do que qualquer coisa, os eventos em torno da visita de Medvedev serviram para ressaltar a afinidade pessoal que os dois homens desenvolveram e, de modo mais amplo, a maior cooperação entre os países, após anos de tensão que chegaram ao ponto mais baixo em agosto de 2008, quando a Rússia entrou em guerra com a Geórgia, sua vizinha menor e uma aliada dos Estados Unidos.

Na coletiva de imprensa no ornamentado Salão Leste da Casa Branca, ambos os presidentes reconheceram que continuam discutindo suas diferenças em relação à Geórgia. Por meio de um intérprete, Medvedev descreveu a guerra como “o conflito que foi iniciado pela liderança da Geórgia”.

Acima de tudo, entretanto, eles enfatizaram seus pontos em comum, com Obama dizendo que ele e Medvedev tiveram “excelentes discussões, discussões que seriam improváveis há apenas 17 meses”, quando o relacionamento entre os países “talvez tenha chegado ao seu ponto mais baixo desde a Guerra Fria”.

Após uma manhã de reuniões na Casa Branca, o presidente foi ao Ray’s Hell Burger, um ponto popular em um subúrbio da Virgínia, para comer cheeseburgers e batatas fritas. Eles retornaram para a coletiva de imprensa, durante a qual Medvedev sorria abertamente. Ele brincou que a hospitalidade americana foi tão completa que “até o clima está mais quente”. E lembrou uma recente conversa por telefone com Obama que durou uma hora e 45 minutos, acrescentando: “A orelha até começa a doer”.

Depois, apesar de uma temperatura de quase 38ºC, os dois apoiaram o paletó no ombro e caminharam da Casa Branca até a sede da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, passando pelo Parque Lafayette. Lá, eles participaram de uma conferência com líderes empresariais americanos e russos, que estão envolvidos em grandes acordos comerciais e de investimento nas áreas aeroespacial, automotiva, financeira e de tecnologia, entre outras.

O encontro foi o sétimo entre os presidentes desde a posse de Obama há 17 meses, e seu convite para Medvedev vir à Casa Branca retribuiu a visita de Obama a Moscou, em julho.

Eles inicialmente se encontraram por quase uma hora na quinta-feira, com a presença de alguns poucos conselheiros de ambos os lados, incluindo a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton. Uma reunião com um grupo expandido se seguiu; ela incluiu o vice-presidente Joe Biden; o conselheiro de segurança nacional de Obama, o general James L. Jones; e vários conselheiros econômicos, incluindo Lawrence H. Summers, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca; o secretário de comércio, Gary Locke; e o representante de comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk.

A participação dos conselheiros econômicos de cada presidente refletiu o que funcionários do governo Obama chamaram de nova fase na “reinicialização” do relacionamento entre os Estados Unidos e a Rússia, que Obama e Clinton têm buscado desde as tensões dos anos Bush. Eles buscaram ir além das questões de segurança nacional que definem as relações entre Washington e Moscou há décadas, tanto como aliados quanto como antagonistas, para expansão dos laços econômicos.

Após obter progresso com a Rússia em uma série de questões de segurança nacional nos últimos meses –incluindo um novo tratado que reduz ainda mais o arsenal nuclear de cada país, as sanções na ONU contra o Irã e a Coreia do Norte e a cooperação nos esforços de contraterrorismo– Obama está se voltando mais plenamente às questões de comércio e cooperação em negócios, que frustraram seus antecessores recentes. Os esforços anteriores fracassaram em parte quando as empresas americanas se depararam com a corrupção e outros crimes de colarinho branco na Rússia, assim como com as ações frequentemente arbitrárias do governo contra as empresas.

Por acaso, quem visitava separadamente a Casa Branca na manhã de quinta-feira era Robert Dudley, o executivo da British Petroleum (BP) atualmente encarregado da resposta de sua empresa ao vazamento de petróleo no Golfo do México. Dudley foi forçado a sair da Rússia em 2008, após uma luta pelo controle de um joint venture entre a BP e magnatas do petróleo russos.

No início desta semana, Medvedev parou na Califórnia para fazer lobby para que as empresas de tecnologia do Vale do Silício auxiliem em um centro de inovação russo semelhante nos arredores de Moscou. Obama chamou a inovação em alta tecnologia de uma “paixão pessoal” de Medvedev. Antes de Medvedev partir da Rússia, como parte de sua iniciativa de modernização mais ampla, ele abriu um fórum econômico em São Petersburgo, Rússia, no qual anunciou impostos mais baixos sobre ganhos de capital para os investidores, um maior foco na privatização das indústrias, uma regra da lei mais forte e novos esforços especificamente contra o crime de colarinho branco, assim como uma liberalização do acesso aos vistos de turismo e permissões para trabalho.

Klaus Kleinfeld, o presidente da Alcoa e do Conselho de Negócios Estados Unidos-Rússia, que estava entre os executivos que se encontraram com os presidentes na Câmara de Comércio, aplaudiu as oportunidades de negócios na Rússia.

“Há sempre um ceticismo quando se trata de mudanças”, ele disse. “Ao mesmo tempo, eu acho que é preciso dar à Rússia o benefício da dúvida e também olhar para as ações que estão acontecendo, particularmente no último ano.”

Kleinfeld citou “uma nova qualidade nas relações, tanto na política quanto nos negócios” –não apenas no relacionamento entre Obama e Medvedev. “Os dois líderes estão realmente se dando muito bem; há muito progresso na frente política”, ele disse, acrescentando: “Os negócios virão em seguida”.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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