UOL Notícias Internacional
 

25/06/2010

Quirguistão pede ajuda a órgão de segurança europeu

The New York Times
Andrew E. Kramer
Bishkek (Quirguistão)
  • Um uzbeque se desespera ao ver os destroços de sua casa que foi queimada, em Och, no Quirguistão

    Um uzbeque se desespera ao ver os destroços de sua casa que foi queimada, em Och, no Quirguistão

O governo interino do Quirguistão, que tem lutado para controlar a violência étnica e aparentemente até mesmo sua polícia e forças armadas, pediu à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que enviasse uma força policial internacional, semelhante à posicionada na antiga Iugoslávia.

Este é o quarto apelo por ajuda internacional do governo fraco e seriamente desestabilizado, que fracassou em intervir para deter a violência étnica no sul do país, que matou milhares de pessoas, a maioria de etnia uzbeque, e provocou uma crise de refugiados.

A OSCE considerará o pedido quando um conselho de representantes de suas dezenas de países membros se reunir em 1º de julho, disse Andrew Tesoriere, o embaixador do grupo no Quirguistão. Uma equipe avançada chegou aqui na quinta-feira, ele disse.

Mesmo se a intervenção for aprovada, equipes policiais não chegariam antes de meados do próximo mês, ele disse. Não se sabe quantos policiais internacionais seriam enviados.

O Quirguistão pediu duas vezes à Rússia o envio de forças de paz, mas retirou o pedido após a recusa do presidente russo, Dmitri A. Medvedev. O país então apelou à Organização do Tratado de Segurança Coletivo, um grupo de ex-Estados soviéticos, que também se recusou a agir.

Um porta-voz do governo interino disse que as autoridades quirguizes discutiram uma presença policial externa com a OSCE, mas disse que não podia confirmar que um pedido para envio foi feito.

A força policial internacional, se aprovada, incluiria autoridades policiais de países da Europa Ocidental e dos ex-Estados soviéticos, disse Tesoriere, e não realizaria funções de força de paz, como montar postos de controle separando bairros uzbeques e quirguizes. Ele disse que poderia seguir o modelo dos esforços da organização nos Bálcãs para monitorar e treinar policiais locais.

Os uzbeques étnicos no sul clamam por uma intervenção internacional. Muitos uzbeques disseram que foram atacados em seus bairros não apenas por turbas de civis, mas também por militares e policiais quirguizes utilizando veículos de transporte blindados e disparando armas automáticas.

Membros do governo interino quirguiz negaram que soldados estivessem envolvidos e culparam o presidente deposto em abril, Kurmanbek S. Bakiyev, de fomentar o massacre étnico. Ele negou as acusações.

As autoridades quirguizes emitiram uma série de explicações a respeito das origens exatas da violência e, na quinta-feira, publicaram uma nova versão em uma declaração do Serviço de Segurança Nacional, a agência sucessora da KGB no Quirguistão. Ela dizia que a família de Bakiyev estava em conluio com radicais islâmicos, incluindo o Movimento Islâmico do Uzbequistão, um grupo com laços com o Taleban afegão.

A declaração disse que grupos de atiradores promoveram “uma grande quantidade de disparos de precisão” durante os choques e então “rapidamente se esconderam”, reaparecendo apenas em outras áreas para atirar contra civis. Ela disse que radicais islâmicos se reuniram em bairros e vilarejos uzbeques.

Anteriormente, um comandante policial no sul culpou mercenários tadjiques. As autoridades quirguizes disseram que centenas de rifles foram roubados dos arsenais da polícia e dos militares.

Ominosamente, dada as tensões entre uzbeques e a polícia e forças armadas quirguizes, a declaração do serviço de segurança disse que líderes da comunidade uzbeque étnica “mereciam uma nota especial”, já que estavam discutindo autonomia e maior representação política com o governo antes da violência.

“Para cumprimento de suas exigências políticas, eles acabaram associados a terroristas e forças pró-Bakiyev”, disse a declaração, apesar de que sem oferecer provas de suas alegações.

A polícia quirguiz já está detendo uzbeques proeminentes. Na quarta-feira, Jalal Salakhutdinov, presidente do Centro Cultural Nacional Uzbeque, se escondeu após a polícia ter revistado sua casa e realizado uma batida em sua fábrica de tapetes, segundo um colega, Zafar Akbaraliyev.

“Por que eles estão nos investigando quando nós é que fomos atacados, nossas casas foram destruídas e milhares de nós morreram?” disse Akbaraliyev. A Anistia Internacional relatou na quinta-feira que um estudo de imagens por satélite mostrou que 1.807 prédios foram destruídos na cidade de Osh. Muitos outros foram danificados.

Na quinta-feira, o Comitê para Proteção de Jornalistas, com sede em Nova York, emitiu uma declaração dizendo que a polícia deteve dois repórteres que trabalhavam no sul do Quirguistão, na cidade de Jalal-Abad.

“Os jornalistas disseram ao CPJ que jornalistas uzbeques étnicos estão sendo vítimas de retaliação devido à sua etnia, e que as autoridades quirguizes são incapazes de fornecer proteção adequada”, disse a declaração.

Apesar da violência estar confinada ao sul, persistem as preocupações de que a instabilidade poderia se disseminar. Na quinta-feira, um pequeno avião sobrevoou Bishkek despejando panfletos alertando contra “provocadores”, que estariam incitando a inquietação na capital, e pedindo calma entre os diferentes grupos étnicos.

A violência desestabilizou seriamente o Quirguistão, que abriga uma base militar russa e uma base americana que ajuda a fornecer suprimentos para a força da OTAN no Afeganistão.


 

 

Tradução: George El Khouri Andolfato

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