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28/06/2010

Na reunião do G-20, falta pulso firme a Obama em relação a estímulos econômicos

The New York Times
Jackie Calmes
Sewell Chan
Em Toronto
  • O presidente dos EUA, Barack Obama, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (27) na Casa Branca, sede do governo dos EUA

    O presidente dos EUA, Barack Obama, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (27) na Casa Branca, sede do governo dos EUA

Apesar da retórica do presidente Obama na reunião de cúpula para as nações desenvolvidas em Toronto, a favor de medidas contínuas de estímulo para evitar outra crise econômica global, os Estados Unidos ficarão ao lado de outros líderes que estão mais preocupados com o aumento das dívidas e assumirão o compromisso de cortar os déficits de seus governos pela metade até 2013, disseram autoridades do governo no sábado.

O objetivo foi proposto por Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá e anfitrião da cúpula do Grupo dos 20 das nações desenvolvidas, que durou dois dias. Harper queria que a proposta fizesse parte do comunicado sobre política econômica global que o grupo adotou antes de concluir a reunião no domingo, e recebeu o apoio dos líderes europeus, inclusive de David Cameron, novo primeiro-ministro da Inglaterra, que propôs o plano de austeridade mais ambicioso em termos de cortes de gastos e aumento de impostos dos últimos 50 anos em seu país.

Cameron e Obama, em seu primeiro encontro privado desde que Cameron assumiu o poder, reconheceram suas abordagens diferentes para equilibrar a necessidade de promover um maior crescimento econômico e a criação de empregos a curto prazo com o desejo de longo prazo de reduzir as dívidas nacionais, que chegaram a níveis perigosos durante a crise. Mas eles minimizaram essas diferenças.

Obama disse que os dois líderes têm abordagens diferentes por causa das diferenças entre os orçamentos de ambos os países; a dívida da Inglaterra é maior do que a dos Estados Unidos, em relação ao tamanho de suas economias. “Mas estamos caminhando na mesma direção, que é um crescimento sustentável a longo prazo que coloque as pessoas para trabalhar”, disse Obama.

Cameron acrescentou: “Os países que tiveram grandes problemas com o déficit como o nosso tomaram medidas para manter o nível de confiança na economia, o que é absolutamente vital para crescer”. Ele brincou que não pode se dar ao luxo de pagar pela viagem de helicóptero que Obama ofereceu a ele no sábado, desde o local isolado onde aconteceram as conversas do Grupo dos 8 até a sessão subsequente do G-20 em Toronto.

As abordagens diferentes representadas por Obama e Cameron refletiram a divisão que está acontecendo dentro do G-20 à medida que a economia mundial se recupera, embora de forma hesitante, em meio aos temores de outra recessão. Nas três cúpulas anteriores desde o começo da crise financeira e econômica em 2008, o Grupo dos 20 concordou em medidas de estímulo, regulamentações dos bancos e medidas antiprotecionistas.

O governo Obama teve aliados na cúpula que também se opuseram às ações rápidas para retirar as medidas de estímulo dos governos. O ministro das finanças do Brasil, Guido Mantega, disse aos repórteres que os alvos de redução de débito podem comprometer o crescimento econômico e que seriam “draconianos demais” para ser cumpridos por alguns países. “Está claro que precisamos cortar, mas com que velocidade?”, perguntou. O Japão também assumiu uma posição mais próxima da dos estados Unidos.

O secretário do Tesouro Timothy F. Geithner enfatizou a posição norte-americana novamente no sábado, enquanto chegava para o começo das conversas do G-20. Ele disse aos repórteres que apesar de todo o progresso que os países do G-20 fizeram desde o final de 2008, “as cicatrizes da crise ainda permanecem conosco”.

Tentando criar uma ponte entre as diferenças entre os líderes, ele disse: “Nosso desafio, como G-20, é agir juntos para fortalecermos as perspectivas de crescimento. Isso exigirá estratégias diferentes em diferentes países. Estamos saindo da crise em velocidades diferentes.”

Obama foi à cúpula no fim de semana com pulso firme para pressionar os líderes mundiais por regulamentações bancárias mais duras, depois que o Congresso concordou numa ampla reforma do sistema regulatório norte-americano. Mas ele não conseguiu persuadir outros governos a continuarem estimulando suas economias.

Embora o Congresso tenha permitido a Obama colocar na mala a grande vitória sobre as regulamentações bancárias quando ele viajou para as conversas do Grupo dos 20, o Senado deu a ele uma derrota significativa que sem dúvida ressoou entre os líderes estrangeiros que pressionavam pela austeridade fiscal: os líderes democratas engavetaram o pacote de estímulo econômico de ajuda para os desempregados de longa data e Estados com dificuldades financeiras, junto com diversos cortes de impostos.

A derrota enfatizou a dificuldade que Obama tem encontrado ao defender o estímulo. Tanto nos EUA quanto fora, Obama está confrontando os limites do consenso que assumiu o comando depois que a crise econômica começou em 2008, que favorecia déficits maiores para encorajar a criação de empregos. Na visão do governo, estão em risco a continuação da recuperação global ou uma recaída para outra recessão. Mas mesmo dentro do governo de Obama, há divergência sobre a quantidade de estímulo desejável.

Algumas reportagens dos últimos dias sugeriram que Peter R. Orszag, diretor de orçamento que recentemente anunciou que deixaria o governo no final de julho, esteja renunciando em parte por se sentir frustrado por perder o argumento por reduções mais rápidas e profundas nos déficits previstos.

Conselheiros e associados de Orszag insistem que não se trata disso, e Orszag foi compelido a falar do assunto na sexta-feira em seu blog no site do Departamento de Administração e Orçamento.

Dizendo que “simplesmente chegou a hora de mudar”, Orszag citou os passos para redução do déficit que Obama havia proposto: um congelamento de três anos depois deste ano fiscal para apropriações domésticas de valores não-mobiliários, US$ 1 trilhão em reduções durante a próxima década e uma comissão fiscal bipartidária – uma prioridade de Orszag – que tentará fazer recomendações, previstas para 1º de dezembro, para reduzir o débito.

“O presidente deixou claro à sua equipe econômica que ele está seriamente comprometido a combater nossos problemas fiscais”, escreveu Orszag.

De fato, Orszag reclamou a seus associados que o debate sobre a criação de empregos versus redução do déficit é falso; o único desacordo é em relação ao ritmo. Antes do G-20, Geithner, que tem um pensamento próximo ao de Orszag, e Lawrence H. Summers, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, e defensor de medidas de estímulo de curto-prazo – escreveram em conjunto uma coluna no “The Wall Street Journal” para projetar uma frente unida sobre o tema.

“Precisamos demonstrar um compromisso em reduzir os déficits de longo prazo, mas não à custa do crescimento de curto prazo”, escreveram. “Sem crescimento agora, os déficits crescerão ainda mais e acabarão com a possibilidade de crescimento futuro.”

Os países europeus costumam ter déficits anuais de cerca de 6% de suas economias – duas vezes mais do que o limite que a União Europeia recomenda. Mesmo antes de Cameron entrar em ação em Londres, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy começaram a passar dos estímulos para reduções imediatas no déficit.

Harper, do Canadá, elogiou Cameron na sexta-feira por sua iniciativa econômica, dizendo que era o tipo de restrição fiscal que o resto das nações do G-20 deveriam adotar. No sábado, um conselheiro disse que Harper estava fazendo lobby com outros líderes para implementarem totalmente os planos de estímulos “já existentes” - sugerindo nenhum apetite por mais medidas de estímulo – e cortarem seus déficits anuais pela metade até 2013 e os colocarem numa trajetória de redução a partir de 2015.

Este é um caminho mais ambicioso e constritivo do que o que Obama propôs como objetivo de sua comissão fiscal. Ele propôs que os Estados Unidos cortasse seu déficit anual para 3% do PIB no ano fiscal de 2015.

Tradução: Eloise De Vylder

 

 

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