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03/07/2010 - 01h55

Secretário de Defesa dos EUA endurece as regras para contatos de militares com a mídia

The New York Times
Thom Shanker
Washington (EUA)
  • General Stanley McChrystal chega na Casa Branca para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

    General Stanley McChrystal chega na Casa Branca para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

Nove dias após um general de quatro estrelas ter sido removido do comando devido a comentários feitos à revista “Rolling Stone”, o secretário de Defesa, Robert M. Gates, emitiu ordens na sexta-feira endurecendo as regras para oficiais lidarem com a mídia.
O memorando exige que líderes militares e do Pentágono notifiquem o gabinete do secretário-assistente de Defesa para assuntos públicos “antes de qualquer entrevista ou outros modos de envolvimento com a mídia e o público que possam ter possíveis implicações nacionais ou internacionais”.

Assim como a remoção do general Stanley A. McChrystal do comando no Afeganistão foi visto como uma reafirmação do controle civil das forças armadas pelo presidente Barack Obama, o memorando de Gates para “Interação com a Mídia” foi visto como uma reafirmação por parte de especialistas em assuntos públicos do controle sobre os contatos dos militares com a mídia de notícias.
Altos funcionários envolvidos na preparação do memorando de três páginas disseram que o trabalho nele teve início bem antes do barulho causado pela entrevista de McChrystal para a “Rolling Stone”. Mas eles reconheceram que a controvérsia e a dispensa de um dos comandantes mais influentes das forças armadas serviram para enfatizar a determinação de Gates de aumentar a disciplina nas interações do Departamento de Defesa com a mídia.

“Eu já disse muitas vezes que devemos nos esforçar para sermos o mais abertos, acessíveis e transparentes que pudermos”, escreveu Gates no memorando, que foi enviado aos altos funcionários civis do Pentágono, ao mais alto oficial militar do país, cada um dos secretários das forças armadas e aos comandantes dos quartéis-generais regionais de guerra. “Ao mesmo tempo, eu temo que o departamento tenha se tornado frouxo na forma como lidamos com a mídia, frequentemente violando os procedimentos e regras estabelecidas.”
O memorando de Gates, um ex-diretor da CIA, também exigiu maior cumprimento dos padrões de sigilo, emitindo um forte alerta contra a divulgação de informação confidencial: “O vazamento de informação confidencial é contra a lei, não pode ser tolerado e levará, quando comprovado, a uma ação penal contra os envolvidos nessa atividade”.

Uma cópia do memorando não confidencial de Gates foi fornecida ao “New York Times” por um funcionário que não estava autorizado a divulgá-lo. Douglas B. Wilson, o novo secretário-assistente de Defesa para assuntos públicos, e Geoff Morrell, o secretário de imprensa do Pentágono, verificaram seu conteúdo.

O memorando de Gates “se baseia basicamente em sua visão de que devemos à mídia e devemos a nós mesmos um engajamento por parte daqueles que tem pleno conhecimento das situações à mão”, disse Wilson.

Gates estava particularmente preocupado com o fato de os oficiais militares e funcionários civis que falavam aos repórteres às vezes tinham apenas uma visão paroquiana da questão de segurança nacional em discussão. As novas ordens, disse Wilson, foram concebidas para “assegurar que todos aqueles que falem tenham o quadro mais completo possível e a informação mais completa possível”.

As repercussões do artigo da “Rolling Stone” incluem preocupações de que os oficiais militares se tornem mais desconfiados da imprensa – e espera-se que muitos oficiais entendam o novo memorando como um alerta oficial para restringir o acesso aos repórteres.
Wilson e Morrell rejeitaram essas suposições, dizendo que Gates permanecerá comprometido em fazer com que o Pentágono trabalhe estreitamente com os repórteres.

“Desde o momento em que assumiu o cargo, este secretário diz que tratar a imprensa como inimigo é autodestrutivo”, disse Morrell. “Essa atitude está refletida em seu mandato: ele tem sido incrivelmente solícito, incrivelmente acessível e incrivelmente cooperativo com a imprensa. Dito isso, ele acha que nós, na condição de uma grande instituição, nos tornamos indisciplinados demais na forma como abordamos nossas comunicações com a imprensa.”

Mas os correspondentes que cobrem questões de segurança nacional, um reino que rotineiramente exige um aprofundamento no mundo confidencial, passaram a depender de acesso não oficial aos altos líderes para orientação e contexto – e informação, quando as políticas ou missões não dão certo.

As pessoas envolvidas na elaboração do memorando de Gates citaram várias situações recentes como centrais ao seu pensamento. Elas incluem a revelação do debate interno durante o esforço do governo para desenvolver uma nova política para o Afeganistão e Paquistão, uma exposição pública semelhante das deliberações internas a respeito do orçamento do Pentágono e compra de armas, e, entre outros, um artigo do “The Times”, descrevendo um memorando a respeito da política para o Irã, escrito por Gates e enviado a um pequeno círculo de assessores de segurança nacional.

Em nome dos militares, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, foi consultado durante a elaboração do memorando sobre as relações com a mídia e “apoiou plenamente a intenção do secretário”, disse o capitão John Kirby, porta-voz do almirante.
Ele citou a visita no último fim de semana de Mullen a Cabul, Afeganistão, na qual o almirante disse aos oficiais militares americanos e aos funcionários da embaixada que “devemos continuar contando nossa história –nós só precisamos fazê-lo de modo inteligente e coordenado”.

O memorando de Gates também ordena aos altos líderes civis e militares que coordenem a divulgação de informação oficial do Departamento de Defesa que possa ter implicações nacionais e internacionais, assim como assegurar que seus assessores tenham experiência e perspectiva “para cumprir de forma responsável as obrigações de coordenação dos contatos com a mídia”.

O memorando deverá reanimar o grupo de profissionais de relações públicas entre os assessores civis e militares do Pentágono, que não fazem segredo de seu descontentamento com o crescente número de prestadores de serviço contratados para questões de “comunicações estratégicas”. Foi um desses contratados que intermediou a entrevista de McChrystal à “Rolling Stone”.

 

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