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10/07/2010 - 00h05 / Atualizada 10/07/2010 - 00h05

Apresentação de Jimmy Buffett tenta atrair turistas que fugiram após vazamento de petróleo

The New York Times
Robbie Brown
Gulf Shores, Alabama (EUA)
  • Fotografia aérea mostra a queima do petróleo captado no golfo do México pelas equipes de limpeza da BP

    Fotografia aérea mostra a queima do petróleo captado no golfo do México pelas equipes de limpeza da BP

Haverá uma pontada de desconforto quando Jimmy Buffett cantar os versos iniciais de “Margaritaville” aqui, no domingo:

“Mordiscando um bolo fofo

Assistindo o sol bronzear

Todos aqueles turistas cobertos de óleo”

Esta cidade esta literalmente coberta de óleo. E Buffett, o cantor natural da Costa do Golfo, está tentando atrair os turistas.

Enquanto pelotas de alcatrão chegam à costa vindas do vazamento de petróleo da British Petroleum (BP), Buffett, 63 anos, será a atração principal de “Live from the Gulf Coast”, um concerto beneficente (apesar dos ingressos serem gratuitos) que será televisionado para todo país pelo canal “CMT” às 19h de domingo. Ele tocará em uma arena ao ar livre para 35 mil pessoas montada a apenas 30 metros da beira do mar em Gulf Shores, a cerca de 70 quilômetros a sudeste de Mobile.

“Sempre há pausas bem-vindas em toda tempestade, mas a triste realidade é que esse desastre não irá embora por algum tempo”, disse Buffett em uma declaração anunciando o concerto, que também conta com a participação de Zac Brown, Allen Toussaint e Jesse Winchester. “Mas algumas poucas horas de diversão, sem os constantes lembretes da situação, é bom e é basicamente o que faço.”

Essa não é uma arrecadação de fundos pós-desastre padrão, com apelos por doações e fotos comoventes das vítimas. Isso seria muito não-Buffett.

A meta é atrair turistas com uma mensagem de diversão ao sol: a água está quente, as bebidas estão frias e o Golfo está aberto para negócios. Venha ver. E quem melhor para vender essa ideia do que Buffett, um visitante frequente a Gulf Shores cuja filosofia musical frequentemente é descrita como escapista?

“Nós estamos apenas tentando criar alguma esperança e otimismo durante um momento difícil para o Golfo”, disse Robert Craft, o prefeito de Gulf Shores. “Ele apenas virá e tocará música.”

Buffett sente na própria pele as dificuldades dos donos de negócios ao longo da costa. No mês passado, ele abriu um resort de 162 quartos no valor de US$ 50 milhões, o Margaritaville Beach Hotel, em Pensacola Beach, Flórida, a cerca de 50 quilômetros a leste de Gulf Shores, e conseguiu preencher menos da metade dos quartos na primeira noite.

As coisas estão igualmente ruins em Gulf Shores, uma cidade que vive da temporada de verão, mas que parece mais no meio do inverno desde 20 de abril, quando uma plataforma de petróleo da BP explodiu além da costa da Louisiana. Campos de minigolfe estão dando descontos para jogar o dia todo. Os bares de praia cortaram pela metade os preços dos mai tais. E os salva-vidas estão frequentemente hasteando duas bandeiras vermelhas, o símbolo de “não nade no oceano”.

O momento não poderia ser pior, com o período de junho a meados de agosto frequentemente considerado o mais rentável para a cidade. A receita tributária deverá cair 50% em junho e julho, custando à cidade US$ 2,5 milhões, disse Craft. Na maioria dos anos, 4,6 milhões de turistas visitam Baldwin, o condado que inclui Gulf Shores, mas bem menos são esperados neste ano.

“Nós estamos recebendo cancelamentos até mesmo de nossos amigos”, disse Carl Magnuson, 64 anos, um engenheiro que estava no passadiço de tábuas em uma tarde recente. “Qualquer turismo é bem-vindo. Mas se não impedirem a chegada do petróleo, eles podem realizar quantos concertos quiserem que não será suficiente.”

Próximo dali na praia, Bill Childress, 51 anos, um engenheiro de software de Raleigh, Carolina do Norte, que estava bebendo cerveja e tomando banho de sol, disse que prolongaria suas férias para o concerto de Buffett.

“Este lugar precisa de uma dose de Margaritaville”, ele disse, olhando para a praia quase vazia.

Os planejadores do concerto separaram 12.500 ingressos para os proprietários de imóveis de praia para darem como brinde para as pessoas que alugarem casas. As empresas já notaram um benefício. A Kaiser Realty, uma empresa de Gulf Shores, viu um declínio de 40% nos aluguéis após o vazamento de petróleo, mas recuperou 20% após o anúncio do concerto, disse a empresa.

No Hangout, um popular restaurante à beira-mar, o proprietário, Shaul Zislin, um dos organizadores do concerto, espera um público recorde neste fim de semana, após uma queda de 15% nos negócios no verão, em comparação ao ano passado.

“Em vez de deitar e chorar por causa do vazamento e aguardar por um cheque de indenização da BP, nós estamos sendo pró-ativos”, ele disse. “Nossa filosofia desde o 1º dia é nos concentrarmos no que podemos fazer para manter a vinda dos turistas.”

Ainda assim, o show tem sido uma dor de cabeça logística, repleta de problemas não previstos. Primeiro, cambistas passaram a vender os ingressos gratuitos no eBay por lucro. Então o furacão Alex forçou uma mudança de data. Como resultado, uma das principais atrações, Kenny Chesney, cancelou sua apresentação. Acima de tudo, os planejadores do evento ainda estão acertando os detalhes de distribuição de dezenas de milhares de fãs em aproximadamente 400 metros de praia, à noite, com álcool, perto da água.

“Com certeza tudo está corrido”, disse Lucy Buffett, a irmã de Jimmy, que abriu um restaurante local popular, o LuLu’s, e é outra organizadora do show.
A ideia para o concerto veio dos planejadores da cidade e dos donos de negócios. Buffett, que foi voluntário, foi uma escolha natural para atração principal: ele nasceu perto dali, em Pascagoula, Mississippi, e fez carreira ajudando os ouvintes a esquecerem seus problemas.

“A primeira pessoa em que todo mundo pensou foi Jimmy”, disse Lucy Buffett.

O Alabama recebeu US$ 15 milhões da BP para promoção do turismo após o vazamento de petróleo, e Craft disse que parte do dinheiro poderia ajudar a financiar mais concertos em Gulf Shores. Ele se recusou a dizer que artistas foram convidados, exceto que são “grandes nomes”.

Buffett já fez concertos beneficentes para vítimas de furacões e outros desastres ambientais. Um crítico da exploração de petróleo em alto-mar, ele mudou recentemente a letra do refrão de “Margaritaville” para terminar com “Eu acho que é tudo culpa da BP”.

Mas Craft disse que este show não é um evento político.

“Trata-se da volta do filho favorito para casa”, ele disse, “e deixar o restante do país ver que estamos debilitados, mas não estamos mortos”.
 

Tradução: George El Khouri Andolfato

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