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24/07/2010 - 21h46

Schumacher não vence mas faz progresso em sua volta às pistas

The New York Times
Brad Spurgeon
  • Schumacher passeia por Hockenheim antes de disputar o GP da Alemanha

    Schumacher passeia por Hockenheim antes de disputar o GP da Alemanha

Por mais de uma década, Michael Schumacher dirigiu como um metrônomo, colecionando até 91 vitórias na Fórmula 1 e sete títulos mundiais. Nenhum outro piloto atingiu nada parecido. Mas assim como muitos recordistas dos esportes, Schumacher transmitiu uma imagem de alguém frio, calculista, insensível, de um robô com armadura – e um tanto arrogante.

Alguns fãs de corridas ficaram tão entediados e aborrecidos com a liderança de Schumacher que receberam sua aposentadoria no final de 2006 com um suspiro de alívio. Quando aos 41 anos e depois de três anos longe do esporte, Schumacher anunciou que retornaria este ano para dirigir para a equipe da Mercedes, muitos fãs com certeza disseram: “Ah, não, de novo não!”

Mas também ficaram curiosos. Será que o campeão envelhecido que passou 16 anos correndo no topo voltaria para vencer novamente? Enquanto a Fórmula 1 se prepara para a corrida de Schumacher em sua terra natal, no Grande Prêmio da Alemanha, neste fim de semana em Hockenheim e a temporada chega à sua segunda metade, a resposta até agora é não. Schumacher não só não ganhou nenhuma corrida, mas pela primeira vez em sua carreira, foi superado por seu companheiro de equipe.

O inesperado da história é que Schumacher nunca pareceu tão humano, e tão pouco robô. Seu verdadeiro caráter está se mostrando, aquele que os membros de sua equipe sempre viram, mas que o público e a mídia raramente percebiam.

Em meio a uma avalanche de perguntas sobre sua motivação e satisfação apesar de seus resultados desapontadores, ele manteve a cabeça erguida. Ainda assim, ele tem parecido um tanto cansado das mesmas perguntas recentemente.

Depois de uma corrida de qualificação ruim no Grânde Prêmio da Inglaterra em 11 de julho, ele foi questionado se ainda estava gostando de sua volta à Fórmula 1.

“Sim”, ele respondeu. Pediram para que ele elaborasse, ele disse que tinha prazer em “dirigir o carro, trabalhar com a equipe, é o mesmo princípio.”

Schumacher terminou a corrida em nono lugar; seu colega de equipe também alemão Nico Rosberg, 16 anos mais novo, terminou em terceiro. Rosberg, filho do ex-campeão mundial Keke Rosberg da Finlândia, é o sexto na série com 90 pontos, e Schumacher é o nono com 36.

Mas Schumacher nunca foi afeito às estatísticas, e esses números não contam a história de seu retorno até agora. Não só muitos de seus maus resultados foram por causa de fatores além do seu controle – mecânico e esportivo – mas seus resultados também são excepcionais levando em conta as circunstâncias. Ele terminou nove das dez corridas e marcou pontos em seis delas. Ele terminou em quarto lugar duas vezes, e sua diferença de Rosberg é medida em décimos de segundo.

Fisicamente, ele está com uma forma tão boa quanto ou ainda melhor do que a maioria dos pilotos no grid por causa de um programa de treinamento extenuante que ele nunca interrompeu, mesmo aposentado.

Na quinta-feira em Hockenheim, ele disse que não estava muito feliz com seu desempenho até agora, mas acrescentou: “Eu fiquei fora por três anos e voltar e retomar exatamente onde parei, com um carro que talvez não me permita fazer isso nesse momento, é provavelmente irrealista. Não sou um mágico.”

Ele assinou um contrato de três anos com a Mercedes, e disse que irá cumpri-lo e tem objetivos de longo prazo. Norbert Haug, diretor esportivo da Mercedes, concordou.

“Até o fim do ano, Michael vai se concentrar em atingir os melhores resultados absolutos, e no ano que vem, ele lutará pelo título”, disse ele na semana passada na revista alemã Kicker.

Um piloto capaz de entender a situação de Schumacher melhor do que qualquer um é Pedro de la Rosa, 39, que depois de vários anos distante das corridas voltou nesta temporada como segundo piloto mais velho da série.

“Para mim a volta não tem sido tão difícil”, disse de la Rosa, que pilota para a equipe da Sauber. “Entretanto, para voltar ao pico, você precisa de consistência – corrida após corrida – e acho que isso vem depois de um ano de corrida”. Schumacher voltou à Fórmula 1 numa época em que o nível dos pilotos e dos carros nunca esteve tão próximo. A velocidade, em todo caso, nunca foi o único dom de Schumacher. Ele dava mais retorno técnico, conhecimento e habilidade para uma equipe do que qualquer outro piloto. Suas habilidades de construir uma equipe continua excepcionais, e isso pode ajudá-lo a melhorar o carro, o que por sua vez pode ajudar seu colega de equipe a vencer.

Nick Heidfeld, piloto reserva e de testes da equipe de Schumacher, correu na Fórmula 1 por uma década mas nunca tinha trabalhado com Schumacher até agora. “Não tem uma coisa que se sobressaia, algo em que você possa dizer 'nossa, ele é totalmente diferente nisso' – é como se ele fosse muito bom em vários aspectos, em todas as áreas”, disse sobre Schumacher. “O que eu acho que ele faz muito bem é a forma como ele se comunica com a equipe. E como ele trata os problemas e tenta melhorar as coisas.”

Ross Brawn, diretor da equipe da Mercedes, que também trabalhou com Schumacher na Benetton e na Ferrari durante todos os seus sete títulos, nunca perdeu a esperança em público. E Nigel Mansell serve como exemplo do porque ele não deve perdê-la. Mansell ganhou o título em 1992 com 39 anos. Depois ele deixou a Fórmula 1 e voltou dois anos mais tarde para ganhar outra corrida, a última aos 41 anos.

“Se alguém se mantém em ótima forma e tem a força de vontade para fazer o trabalho, e a determinação, ele será capaz de fazê-lo”, disse Mansell. “Michael é um campeão de vitórias extraordinárias, ele é excepcional, tudo o que ele precisa é um carro para trabalhar. Ele está se adaptando, e acho que ele tem feito um ótimo trabalho em algumas das corridas. Ele teve dificuldades em algumas, também, mas vamos dar a ele mais um tempo.”

Nas últimas voltas do Grande Prêmio da Inglaterra, Schumacher foi ultrapassado por seu conterrâneo Sebastian Vettel pelo oitavo lugar e depois por outro alemão, Adrian Sutil. E na última volta, ele estava sob uma pressão extrema de mais um compatriota, Nico Hulkenberg, mas conseguiu segurá-lo.

De todos esses pilotos – há seis alemães na série – Vettel da Red Bull representa a melhor esperança de um campeão alemão. Até o seu apelido é Baby Schumi.

Vettel, que ganhou duas corridas esta temporada e está em quarto lugar na classificação, disse que não pode desconsiderar Schumacher. O maior elogio que recebeu veio da sensação de disputar roda a roda com ele.

“Eu competi algumas vezes com ele este ano, e você sabe, do lado de dentro, às vezes é muito engraçada a impressão que você tem, porque você pode sentir que não é qualquer um pilotando ou competindo com você”, disse Vettel. “Você percebe que quem quer que seja esse cara, ele sabe se defender bem e sabe como destruir a sua aceleração e defender bem sua posição – melhor do que a maioria – e algumas outras ações que você vê no treino livre, ou movimentos, mostram que há algo especial acontecendo. Os resultados não são os melhores que ele já teve, mas acho que isso vai mudar.”
 

Tradução: Eloise De Vylder

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