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10/08/2010 - 02h06

Em repressão ao uso de energia, China fecha 2 mil fábricas

The New York Times
Keith Bradsher
Hong Kong (China)
  • O governo chinês tenta fechar fábricas, em busca de uma mudança no uso da energia

    O governo chinês tenta fechar fábricas, em busca de uma mudança no uso da energia

Há alguns meses, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, prometeu usar “mão de ferro” para melhorar a eficiência do país em energia, e um crescente número de empresas agora está descobrindo qual é essa sensação.

O Ministério da Indústria e Tecnologia de Informação publicou discretamente na noite de domingo uma lista de 2.087 siderúrgicas, usinas de cimento e outras fábricas de uso intensivo de energia que seriam fechadas até 30 de setembro.

Analistas de energia o descreveram como um passo significativo para as metas de eficiência em energia do país, mas não o suficiente por si só para atingi-las.

Ao longo dos anos, as autoridades provinciais e municipais às vezes bloqueavam as tentativas de Pequim de fechar fábricas antigas em suas jurisdições. Essas autoridades buscavam em particular proteger as siderúrgicas mais antigas e outras operações de indústria pesada que frequentemente empregavam milhares de funcionários e às vezes forneciam moradia, instalações esportivas e outros benefícios para os trabalhadores desde os anos 50 e 60.

Desta vez, para impedir essa obstrução local, o ministério disse em uma declaração em seu site que as fábricas em sua lista seriam impedidas de obter empréstimos bancários, crédito para exportação, licenças de funcionamento e terras. O ministério até mesmo alertou que o fornecimento de eletricidade seria cortado se necessário.

A meta do fechamento das fábricas é “melhorar a estrutura de produção, elevar o padrão de capacidade técnica e competitividade internacional e promover uma transformação na indústria, de grande para forte”, disse o ministério.

O anúncio foi o mais recente em uma série de medidas chinesas para aumentar a eficiência em energia. A Comissão Nacional para Desenvolvimento e Reforma, que é a agência mais poderosa de planejamento econômico do governo, anunciou na última sexta-feira que tinha forçado 22 províncias a suspender sua prática de fornecer eletricidade com desconto para indústria intensivas em energia, como a produção de alumínio.

O atual plano chinês de cinco anos pede pelo uso de 20% menos energia neste ano para cada unidade de produto econômico do que em 2005. Mas o aumento da produção na indústria pesada desde o final do ano passado colocou em dúvida a capacidade da China de cumprir sua meta.

O sucesso ou fracasso da campanha de eficiência em energia da China está sendo observado de perto não apenas por economistas, que citam a campanha como um motivo para o crescimento da China ter desacelerado um pouco nos últimos meses, mas também pelos cientistas climáticos.

O consumo de energia na China aumentou tanto desde o final do ano passado a ponto de ser responsável pelo maior aumento de emissão de gases do efeito estufa por um único país. As usinas elétricas queimaram mais carvão para gerar eletricidade suficiente para atender a demanda.

À medida que a China se torna cada vez mais dependente de petróleo e carvão importado, seu establishment de segurança nacional se tornou visivelmente mais envolvido na política de energia e na segurança de energia, incluindo esforços para melhorar a eficiência em energia.

A eficiência melhorou 14,4% nos primeiros quatro anos do plano atual, apenas para deteriorar em 3,6% no primeiro trimestre deste ano, segundo as estatísticas oficiais. Wen respondeu convocando uma reunião especial do Gabinete em maio, para tratar da situação.

A eficiência em energia foi apenas 0,09% pior na primeira metade deste ano em comparação ao mesmo período em 2009, segundo estatísticas divulgadas na semana passada. Analistas de energia disseram que essas estatísticas indicam melhoria da eficiência no segundo trimestre, que quase compensa a deterioração no primeiro trimestre, apesar do governo não ter divulgado números separados para o segundo trimestre.

Zhou Xizhou, um diretor associado da IHS Cambridge Energy Research Associates, em Pequim, disse que a nova lista de fechamento de fábricas pelo ministério foi uma medida forte para melhorar a eficiência. Mas ele acrescentou que a meta da China de obter uma melhoria de 20% até o final deste ano, em comparação a 2005, “ainda é uma tarefa difícil para o restante do ano”.

O ministério disse em sua declaração que as fábricas que seriam fechadas incluiriam 762 de produção de cimento, 279 de produção de papel, 175 de produção de aço e 84 de processamento de couro.

As fábricas foram escolhidas após discussões com autoridades provinciais e municipais para identificação de operações industriais com tecnologia datada, ineficiente, disse o ministério.

O ministério não forneceu números para o percentual de capacidade que seria fechada em cada setor industrial. O ministério também não disse quantos funcionários seriam afetados.

O fechamento de fábricas é mais palatável agora do que no passado, porque a escassez de mão-de-obra em muitas cidades facilita para os trabalhadores, particularmente os mais jovens, encontrarem outros empregos.

A lista de siderúrgicas que serão fechadas parece enfatizar usinas menores, mais velhas, que produzem aço de menor qualidade. Edward Meng, o diretor chefe financeiro da China Gerui Advanced Materials, uma empresa siderúrgica na província de Henan, na região central da China, disse que o fechamento dessas usinas é consistente com as metas maiores do governo de consolidar o setor de aço e pressionar as empresas a produzirem tipos de aço mais sofisticados.

A Agência Internacional de Energia, em Paris, anunciou no mês passado que a China ultrapassou os Estados Unidos no ano passado como maior consumidora de energia do mundo.

A China ultrapassou os Estados Unidos como maior emissora de gases do efeito estufa em 2006. Esse marco foi superado primeiro por causa da alta dependência de carvão pela China, um combustível fóssil especialmente sujo em termos de emissão de gases que contribuem para a mudança climática global.

Além do objetivo de eficiência em energia no atual plano de cinco anos, um plano anunciado pelo presidente Hu Jiabao, no final do ano passado, pede para a China reduzir suas emissões de carbono por unidade de produto econômico em 40% a 45% até 2020, em comparação aos níveis de 2005. As emissões de carbono são uma medição das emissões causadas pelo homem de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, por um país.

Mesmo se a China cumprir sua meta de eficiência em energia neste ano e sua meta de carbono até 2020, seu total de emissões de carbono ainda apresenta uma tendência de subir acentuadamente na próxima década, segundo previsões da Agência Internacional de Energia. Isso se deve a fatores como o rápido crescimento da economia chinesa, crescente propriedade de carros e aumento da propriedade de eletrodomésticos.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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