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11/08/2010 - 01h48

Incêndios russos aumentam medo de fumaça radioativa

The New York Times
Michael Schwirtz
  • Pedestres utilizam máscaras para cobrir rosto da fumaça nas ruas de Moscou

    Pedestres utilizam máscaras para cobrir rosto da fumaça nas ruas de Moscou

Como se a situação na Rússia já não desse a impressão de ser suficientemente apocalíptica, com temperaturas de 38º Celsius e fumaça tóxica oriunda de turfeiras e florestas incendiadas, existe um temor cada vez mais intenso de que os incêndios nas regiões cobertas com a precipitação de partículas do desastre nuclear de Chernobyl, ocorrido 24 anos atrás, possam emitir cortinas de fumaça radioativa.

Vários incêndios foram documentados nas áreas do oeste da Rússia que foram afetadas pelo desastre de Chernobyl, incluindo três locais altamente contaminados por radioatividade na região de Bryansk, segundo afirmou o grupo ambiental Greenpeace Russia em um comunicado divulgado na terça-feira (10/08). Bryansk faz fronteira com a Belarus e a Ucrânia.

“Incêndios nesses territórios provocarão, sem dúvida alguma, um aumento da radiação”, alertou Vladimir Chuprov, diretor do programa de energia do Greenpeace Russia. “A fumaça irá se disseminar, e os traços de radioatividade irão se espalhar. A magnitude da contaminação dependerá da intensidade do vento”.

Autoridades do serviço federal de proteção de florestas da Rússia confirmaram que na terça-feira os incêndios estavam ocorrendo em áreas contaminadas por radiação, e manifestaram temor de que uma fiscalização precária, decorrente de recentes mudanças no serviço de proteção de florestas, possa fazer com que aumente a possibilidade de que a fumaça radioativa invada áreas habitadas.

Não se sabe que riscos à saúde humana a radiação poderia representar, e tampouco se tem ideia de até que ponto as partículas radioativas se espalharam durante as semanas em que os incêndios florestais vêm se propagando pela Rússia, consumindo aldeias e cobrindo vastas áreas com uma fumaça densa.

O perigo reside nos resíduos radioativos que ainda cobrem várias áreas da Ucrânia, da Belarus e da Rússia, anos após a explosão do Reator Número Quatro da Usina Nuclear de Chernobyl, em 26 de abril de 1986, naquela que à época era a república soviética da Ucrânia.

“A catástrofe de Chernobyl ocorreu e essas áreas ficaram cobertas com partículas radioativas”, explica Aleksandr Nikitin, diretor do escritório em São Petersburgo do grupo ambiental internacional Bellona.

“Isso contaminou as árvores e o capim dessas regiões”, afirma Nikitin. “Agora, que existe um incêndio e tudo isso está queimando, toda essa radioatividade, juntamente com a fumaça, sobe à atmosfera e espalha-se para outros territórios, incluindo áreas habitadas nas quais as pessoas respiram esse material”.

O ministro de Questões Emergenciais da Rússia, Sergei K. Shoigu, alertou na semana passada que os incêndios poderiam liberar partículas radioativas.

Mas, neste momento em que o governo é alvo de críticas pela maneira como tem enfrentado o problema dos incêndios, que provocaram mais de 50 mortes e um prejuízo de dezenas milhões de dólares, poucas informações oficiais têm sido divulgadas a respeito da ameaça radioativa.

Respondendo a uma declaração do Greenpeace na terça-feira, Gennadi G. Onishchenko, o principal médico sanitarista da Rússia, minimizou o perigo.

“Não existe necessidade de semear o pânico”, declarou ele à agência de notícias Interfax. “A situação está muito tranquila”.
Onishchenko e outras autoridades já foram altamente criticadas por parecerem ter ocultado informações a respeito do índice de mortalidade acima do normal provocado pelas altas temperaturas e a fumaça densa. Na última segunda-feira, a principal autoridade de saúde de Moscou anunciou que o índice de mortes dobrou na capital devido ao calor.

A Rússia é conhecida por ocultar desastres nacionais potencialmente embaraçosos, uma tendência que é um legado da era soviética. Em 1986, o governo soviético demorou vários dias para informar à população que havia ocorrido uma explosão na usina nuclear de Chernobyl, o que fez com que milhares de pessoas, sem saber o que estava acontecendo, fossem expostas a uma radiação letal.

Ninguém está afirmando que a contaminação radioativa provocada pelos incêndios é capaz de atingir a magnitude do desastre de Chernobyl. Os cientistas sabem há anos que incêndios em zonas contaminadas têm o potencial para espalhar materiais radioativos em pequenas quantidades.

O serviço de proteção florestal identificou sete regiões nas quais dezenas de incêndios estão ativos em zonas atingidas pelo desastre radioativo de 1986, e as atenções encontram-se voltadas para Bryansk, uma das regiões mais intensamente contaminadas pelo desastre da usina nuclear de Chernobyl.
 

Tradução: UOL

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