UOL Notícias Internacional
 
11/08/2010 - 08h21

ONU culpa insurgentes pelo aumento de morte de civis afegãos

The New York Times
Rod Nordland
Cabul (Afeganistão)
  • Pedestres afegãos caminham em rua de Cabul. A Organização das Nações Unidas informou nesta terça-feira que 1.271 civis morreram no conflito afegão até este mês de julho

    Pedestres afegãos caminham em rua de Cabul. A Organização das Nações Unidas informou nesta terça-feira que 1.271 civis morreram no conflito afegão até este mês de julho

O número de baixas civis no Afeganistão continuou a subir no primeiro semestre de 2010, com um crescente número de crianças entre as vítimas e um pico no nordeste atualmente problemático. Mais do que nunca, as mortes foram causadas pelos insurgentes, disse a Organização das Nações Unidas em um relatório divulgado na terça-feira.

Em seu relatório de meio de ano, a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão, conhecida como Unama, disse que o número de civis feridos e mortos aumentou em quase um terço nos primeiros seis meses do ano, à medida que as forças da coalizão aumentavam o número de ações militares contra os insurgentes.

Naquele período, 1.271 civis foram mortos e 1.997 ficaram feridos, disse o relatório, com mais de três quartos atribuíveis ao que chamou de “elementos antigoverno”.

O número de crianças mortas e feridas aumentou 55%, com 176 mortas e 389 feridas, disse o relatório, notando que bombas improvisadas eram frequentemente colocadas em áreas frequentadas pelas crianças, como parques e mercados.

A maior causa individual de aumento de mortes de civis foram os atentados a bomba dos insurgentes, incluindo tanto atentados suicidas quanto bombas caseiras, que os militares chamam de artefatos explosivos improvisados. Juntas, elas causaram 557 mortes.

“Este é um alerta para nós”, disse o alto representante das Nações Unidas em Cabul, Staffan de Mistura, em uma coletiva de imprensa. “Olhando para os números, nós repentinamente temos uma tendência de aumento que devemos expor publicamente, em particular para aqueles que estão causando estas mortes.”

Desde 2009, quando os militares americanos transformaram em alta prioridade a redução das mortes de civis, a tendência tem sido a de um percentual bem menor delas causadas pelos militares, e um bem maior pelo Taleban e outros insurgentes.

Em 2007, menos da metade das mortes de civis foram causadas pelos insurgentes, segundo estatísticas da ONU. O novo número, um aumento de 53% em relação ao mesmo período no ano passado, foi a mudança mais significativa até o momento.

“Nove anos após o início do conflito, medidas para proteção dos civis afegãos de forma eficaz e para minimizar o impacto do conflito sobre os direitos humanos básicos são mais urgentes do que nunca”, disse Georgette Gagnon, diretora de direitos humanos da Unama.

De Mistura, o alto representante da ONU no Afeganistão, fez duras críticas à conduta dos insurgentes, notando o uso crescente e disseminado de armas indiscriminadas como bombas de estrada em áreas civis, e sua tendência de lutar com escudos civis.

“As pessoas que participam deste conflito não deveriam usar escudos humanos, não deveriam lutar a partir de onde estão os civis”, ele disse.

No geral, as mortes de civis causadas por forças do governo ou da coalizão caíram em 30% no período. As mortes de civis por bombardeios aéreos da Otan, antes a principal causa dessas mortes, caíram 64% no mesmo período em 2009, para um total de 69 civis mortos, disse a ONU.

O relatório atribuiu a redução à ordem em julho de 2009 do general Stanley A. McChrystal, o comandante americano na época, limitando enormemente o uso de ataques aéreos quando houvesse risco de morte de civis.

O aumento geral de 31% nas mortes de civis também foi atribuído a um aumento das operações militares, particularmente no sul e sudeste do Afeganistão, disse o relatório, à medida que um número maior de forças da Otan penetrava no país e aumentavam as operações militares.

No nordeste do país, até recentemente relativamente quieto, o aumento de morte de civis no primeiro semestre do ano foi de 136% ao longo do mesmo período em 2009.

O relatório também notou um aumento do uso de intimidação e assassinato da população civil pelo Taleban, visando qualquer um “percebido” como ligado ao governo ou às forças internacionais.

Em 2009, esses assassinatos eram em média de 3,6% por semana, aumentando para 7 por semana nos primeiros quatro meses de 2010, então passando para 18 por semana em maio e junho de 2010, disse o relatório.

Uma declaração da força internacional da Otan, na terça-feira, apreciou os resultados do relatório, mas acrescentou um comentário do novo comandante, o general David H. Petraeus, tirado de sua recente diretriz tática para os soldados da coalizão.

“Cada afegão morto diminui nossa causa”, disse Petraeus. “Apesar do progresso que fizemos em nossos esforços para reduzir as mortes de civis causadas pela coalizão, nós sabemos que a medida pela qual nossa missão será julgada é a proteção da população de qualquer mal por ambos os lados.”

Tradução: George El Khouri Andolfato

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