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26/08/2010 - 01h23

ONU busca mais ajuda para as enchentes no Paquistão

The New York Times

Islamabad (Paquistão)

Mais chuvas ameaçaram o Paquistão na quarta-feira (26), à medida que trabalhadores de ajuda humanitária imploravam por mais ajuda e helicópteros adicionais para chegar a centenas de milhares de pessoas isoladas pelas enchentes recordes.

O Departamento Meteorológico do Paquistão previu chuvas com trovoadas e ocasionais chuvas pesadas na sexta-feira na província do Punjab, na província de Khyber-Pakhtunkhwa e na Caxemira.


Na terça-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) disse que o acesso a 800 mil pessoas só pode ser feito pelo ar e pediu por 40 helicópteros adicionais à comunidade internacional, para auxílio na entrega de ajuda humanitária.

“Essas enchentes sem precedentes apresentam desafios logísticos igualmente sem precedentes, algo que exige um esforço extraordinário por parte da comunidade internacional”, disse John Holmes, o Coordenador de Auxílio Emergencial da ONU, em uma declaração preparada.

Reforçando seu pedido por mais helicópteros, a ONU citou a destruição de estradas de acesso e pontes no norte do Paquistão, particularmente no Vale de Swat em Khyber-Pakhtunkhwa, na região de Gilgit-Baltistan e na parte da Caxemira administrada pelos paquistaneses. A enchente também isolou pessoas nas províncias do Punjab e de Sindh, segundo o Programa Mundial de Alimentos, uma agência da ONU especializada na entrega de ajuda alimentar para áreas afetadas por crises.

Marcus Prior, um porta-voz da organização, disse: “Nas áreas no norte que estão isoladas, os mercados carecem de suprimentos vitais e os preços estão subindo acentuadamente. As pessoas necessitam de alimentos básicos para sobreviver. Atualmente não há outra forma de chegar até essas vítimas das enchentes a não ser por helicóptero”.

As autoridades paquistanesas disseram que a necessidade de helicópteros se estende até a província do Baluquistão no sudoeste, onde as águas ultrapassaram as margens dos canais, cortando os acessos por estrada. Elas disseram que milhares de famílias estavam ilhadas no distrito de Jaffarabad no Baluquistão, sem ligação com o restante do país.

Na quarta-feira, o jornal “Dawn” citou uma autoridade do Baluquistão, Nasibullah Bazai, como tendo dito que as pessoas permanecem presas em diferentes áreas, em meio aos esforços para resgatá-las. “Mas nós precisamos de mais helicópteros e barcos”, disse Bazai.

As operações de resgate na cidade próxima de Gandakha também estão sendo atrapalhadas pela falta de barcos e helicópteros, disseram as autoridades.

“Com tamanha quantidade de pessoas, deslocamento e necessidade, as pessoas estão muito furiosas”, disse James Kambaki, o coordenador no Baluquistão da Médicos Sem Fronteiras. “Eu já vi alguns protestos e quando realizamos distribuições é bem difícil. As pessoas me dizem que estão bravas porque muitas delas não receberam alimentos e algumas não têm abrigo”, ele disse.

Kambaki disse que encontrou um homem que viajou mais de 190 quilômetros com sua família. “Eles não tinham nada e estavam desesperados por alimento e por algum lugar onde ficar”, ele disse. “Ele estava extremamente bravo e eu não podia culpá-lo. Mas estamos fazendo tudo ao nosso alcance para ajudar pessoas como ele.”

Chuvas incomumente pesadas das monções provocaram enchentes que começaram no final de julho e já afetam 17 milhões de pessoas, aproximadamente um décimo da população, segundo estimativas da ONU. Cerca de 1.600 pessoas morreram, disse a ONU, e apenas 1 milhão das cerca de 6 milhões de pessoas necessitadas receberam abrigo de emergência.

 

Tradução: George El Khouri Andolfato

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