Bem-estar

Por que uso de antioxidantes não devem fazer parte de sua rotina de exercícios

Gretchen Reynolds

Vitaminas antioxidantes são altamente populares entre as pessoas que se exercitam. Acredita-se que os suplementos aliviem os danos musculares e ampliem os efeitos do exercício. Mas estudos recentes levantam questões sobre se os antioxidantes podem ser contraproducentes para corredores e outros atletas de resistência.

E agora um novo experimento de advertência aumenta essas dúvidas, ao apontar que os antioxidantes também podem reduzir os benefícios de treinamento com pesos.

É fácil ver por que as pessoas podem pensar que antioxidantes como as vitaminas C e E podem ser de ajuda para quem se exercita regularmente. Tanto o exercício aeróbico como exercício com pesos leva à produção de radicais livres, moléculas que, em quantidades concentradas, podem causar danos aos tecidos.

Os antioxidantes envolvem e neutralizam os radicais livres. Assim, prossegue o pensamento, tomar antioxidantes deve reduzir parte dos danos e dores após os exercícios e permitir às pessoas treinar de modo ainda mais duro.

Mas experimentos recentes com atletas de resistência apontaram que o consumo de grandes doses de vitaminas C e E na verdade resulta em uma resposta ligeiramente menor ao treinamento. Os atletas que tomam essas vitaminas apresentavam níveis mais baixos de certas enzimas que promovem um aumento nas mitocôndrias nas células musculares.

As mitocôndrias ajudam a criar energia celular, e ter mais delas permite às pessoas se exercitarem por mais tempo e mais duramente. Ao impedir a criação de mitocôndrias, as vitaminas reduziram o aumento esperado na condição física.

Mas esses estudos olharam apenas para esportes de resistência, como corrida e ciclismo, não treinamento com pesos, que envolve processos bioquímicos diferentes dentro dos músculos.

Assim, para o novo estudo, que foi publicado online neste mês no "The Journal of Physiology", os cientistas da Escola Norueguesa de Ciências Esportivas, em Oslo, e outras instituições, algumas das quais já tinham estudado anteriormente exercício aeróbico e antioxidantes, buscaram repetir esses experimentos no treinamento com pesos.

Eles começaram recrutando 32 homens e mulheres que tinham ao menos alguma experiência com treinamento com pesos.  Eles mediram o tamanho e força dos músculos dos voluntários.

Então os dividiram aleatoriamente em dois grupos. A metade foi pedido que começasse a tomar dois comprimidos de vitaminas antioxidantes por dia, uma antes e outra depois dos exercícios. A dosagem total diária equivalia a 1.000 miligramas de vitamina C e 235 miligramas de vitamina E, que "é alto, mas não maior do que os atletas normalmente usam", disse o dr. Goran Paulsen, professor da Escola Norueguesa de Ciências Esportivas, que liderou o estudo.

O outro grupo não tomou nenhum suplemento.

Todos os voluntários então deram início ao mesmo regime de treinamento de resistência, consistindo de quatro sessões razoavelmente rigorosas de treinamento por semana. À medida que os exercícios se tornavam fáceis, os pesos eram aumentados, visando aumentar o tamanho e força dos músculos dos voluntários.

O programa durou 10 semanas. Na metade desse período, os pesquisadores recolheram pequenas amostras do tecido muscular de cada voluntário, visando determinar o que, precisamente, estava ocorrendo no interior das células de cada voluntário.

Então os homens e mulheres concluíram o restante do programa, ao final do qual os pesquisadores mediram de novo a força e tamanho dos músculos deles.

Em geral, os músculos das pessoas aumentaram em tamanho na mesma medida, proporcionalmente. O grupo que tomou as vitaminas agora apresentava músculos maiores. Assim como o grupo que não tomou.

Mas havia diferenças sutis, mas significativas, nos seus ganhos de força. No geral, os voluntários que tomaram os antioxidantes não aumentaram sua força tanto quanto o grupo de controle. Seus músculos eram mais fracos, apesar de terem crescido em tamanho.

As diferenças continuavam sob a pele, onde, como mostraram as biópsias dos músculos, os voluntários que tomaram as vitaminas apresentavam níveis reduzidos de substâncias conhecidas por iniciar a síntese de proteínas.

A síntese de proteína é necessária para reparar e fortalecer os músculos após o treinamento com pesos. Assim, os voluntários que tomaram as vitaminas estavam obtendo uma resposta em geral menor de seus músculos, apesar de estarem seguindo o mesmo programa de exercícios.

Exatamente como os comprimidos de antioxidantes mudam as reações dos músculos ao treinamento com pesos ainda é desconhecido. Mas Goran e seus colegas especulam que, ao reduzir o número de radicais livres após o exercício, as vitaminas provocam um curto circuito de processos fisiológicos vitais.

Nesse cenário, os radicais livres não são moléculas prejudiciais, mas mensageiros essenciais que informam as células a começarem a bombear proteínas e outras substâncias necessárias para melhorar a força e a boa forma. Sem radicais livres suficientes, há mesmo resposta geral ao exercício.

Goran acredita que o mesmo processo ocorre após exercícios de resistência, apesar dos sinais e caminhos bioquímicos específicos serem diferentes.

A conclusão é que independente de você levantar pesos ou correr, Goran aconselharia "contra o uso de altas doses de suplementos antioxidantes concentrados".

É claro, seu conselho não se aplica a pessoas com deficiência de um dos antioxidantes, ele disse, apesar da condição ser rara. Ele também não sugere que devemos evitar suco de laranja ou outras fontes naturais de vitamina C e E enquanto treinamos. "Mas grandes volumes seriam desnecessários", ele disse.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos