Bilionário cria o seu próprio museu com as obras de arte de sua coleção

Robin Pogrebin

Em Nova York (EUA)

  • Benjamin Norman/The New York Times

O que você faz com 14 obras de Christopher Wools?

E se você quiser exibi-los, ou aos seus quatro Bacons, 10 Warhols, quatro Lichtensteins e três Twomblys, juntamente com alguns de seus 34 bronzes renascentistas e barrocos?

Você abre seu próprio museu.

Isso é o que J. Tomilson Hill decidiu fazer em um espaço de dois andares na West 24th Street no Chelsea, que, quando for inaugurado no último trimestre de 2017, se tornará uma das poucas galerias particulares em Nova York composta principalmente por uma coleção pessoal.

Ela ficará ao lado de um novo condomínio chamado Getty, nome do velho posto de gasolina que ficava no local. Peter Marino, que projetou o interior de cerca de 600 metros quadrados, já foi responsável por sete residências para Hill e sua mulher, Janine, a diretora de assuntos de bolsas de estudos do Conselho de Relações Exteriores.

O casal coleciona junto (apesar de ele ser o mais obcecado dos dois) e agora formaram a Fundação Hill de Arte, que dará nome à galeria.

"Temos muita arte guardada", disse Hill, 68 anos, o bilionário vice-presidente da firma de private equity Blackstone Group, em uma entrevista no apartamento do casal no Upper East Side.

Passar algum tempo com Hill oferece uma janela para o pensamento de uma pessoa importante no mundo das artes: como ele aborda o colecionar e por que decidiu agora compartilhar regularmente alguns dos muitos itens de sua propriedade com o público,

A galeria contará principalmente com a coleção Hill, avaliada em mais de US$ 800 milhões, que inclui importantes exemplos de arte moderna e contemporânea, assim como velhos mestres. Ela também poderá pegar emprestadas obras de coleções "com as quais tenho relacionamento", disse Hill.

O apartamento dos Hill, assim como a casa deles em East Hampton, Paris e Telluride, Colorado, também é um museu por si só.

É difícil absorver tudo: o crucifixo de terracota de Lucio Fontana dos anos 50; o bronze "Corpus Christi" do século 17 de Alessandro Algardi. Hill passa casualmente pela escultura "Clamdigger" de Willem de Kooning na entrada, por um retrato de Sarah Murphy de autoria de Picasso acima da lareira e pela obra em pastel e grafite em papel "Hollywood" de Ed Ruscha na suíte máster.

Hill, que com seu cabelo penteado para trás e comportamento suave dizem ter inspirado o visual de Gordon Gekko no filme "Wall Street –Poder e Cobiça" (uma alegação que Hill diz ser inverídica), não apenas deseja compartilhar mais sua coleção com o público. Ele também deseja que sua galeria forneça ensino de arte para os estudantes da cidade.

"Eles estão cortando os programas de artes nas escolas públicas", ele disse.

Quando a coleção de bronzes dos Hill foi exibida em uma exposição na Frick Collection em 2014, por exemplo, estudantes de uma escola primária de East Harlem estudaram os trabalhos de Hércules por uma semana antes de verem as obras em bronze expostas sobre ele, de autoria de artistas como Giuseppe Piamontini e Antonio Susini.

"Eram crianças que nem mesmo sabiam que tinham acesso à Frick", disse Hill.

A fundação também planeja se tornar parceira em esforços educacionais com instituições como o Studio Museum, no Harlem, e o Museu Metropolitano de Arte (Met), onde Hill faz parte do conselho.

O espaço, que terá entrada franca, ficará aberto durante a semana (em horário ainda a ser determinado) e aos sábados, quando as galerias do Chelsea costumam ter maior movimento. Principalmente, Hill deseja colocar mais do que possui em exposição.

"Ele tem coisas ótimas", disse o marchand Matthew Marks, de quem Hill comprou recentemente uma escultura de Robert Gober que será exposta permanentemente na nova galeria.

Há algum tempo, os Hill decidiram colecionar de forma mais profunda, o que Hill define como ser proprietário de "pelo menos quatro" obras de um artista.

Eles se concentraram originalmente em oito: Francis Bacon, Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Cy Twombly, Ruscha, Bryce Marden, Fontana e Agnes Martin. Mais recentemente, eles adicionaram Wool e Mark Grotjahn.

"Eu tinha um Rothko incrível, mas não consegui encontrar outros três", disse Hill. "Assim, vendi o Rothko para comprar outro Bacon."

Hill não vende com frequência, apesar da valorização das obras que possui. "A idéia de comprar arte como investimento não faz sentido", ele disse, "porque você não tem ideia do que vai valorizar".

Ele disse que sua coleção foi elevada pelos seus relacionamentos pessoais com os artistas. (Segundo ele, Warhol assistia regularmente a missa em sua igreja, a Saint Vincent Ferrer.)

Esse círculo agora inclui Richard Prince, Grotjahn e Wool.

"Se você é dono de obras deles, eles se interessam, 'Quem é esta pessoa que deseja comprar este de minha coleção pessoal?" disse Hill.

Ele também disse que os artistas ficam incomodados quando colecionadores vendem suas obras. Quando o ex-administrador de fundo hedge David Ganek vendeu "Apocalypse Now" de Wool, por exemplo, na Christie's em 2013 por US$ 26,5 milhões, "isso realmente chateou o Christopher", disse Hill.

Nascido e criado em Nova York, Hill cresceu freqüentando museus. (Sua mãe fazia esculturas em argila e bronze até sua morte aos 98 anos, em setembro do ano passado.) Após uma educação de ponta (Buckley em Manhattan, Milton Academy em Massachusetts, faculdade e administração e negócios em Harvard), Hill se casou em 1980. O casal começou a comprar naturezas mortas pelo pintor dinamarquês Johan Laurentz Jensen, no final adquirindo 14.

"Queríamos descobrir do que gostávamos", disse Hill, "e então descobrir o que queríamos olhar em nossa casa".

Hill disse que grande parte de sua coleção pode no final ir parar no Met, que está ávido por grandes doações de arte moderna e contemporânea. "O Met precisa de tudo o que tenho", ele disse.

Ele não frequenta feiras de arte e nem depende de consultores de arte. Ele possui todos os catálogos de exposição dos principais artistas que coleciona e o que mais gosta é passar horas "lendo e pensando sobre arte".

"Não acho que seja possível montar uma coleção séria com um consultor de arte", ele disse. "Você precisa tomar suas próprias decisões, cometer seus próprios erros."

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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