Marido de americana presa por espionagem na China pede ajuda a Obama

Chris Buckley

Em Pequim (China)

  • Reprodução/Savesandy.org

    Phan "Sandy" Phan-Gillis

    Phan "Sandy" Phan-Gillis

Uma consultora de negócios americana será julgada na China por acusações de espionagem que remontam 20 anos, incluindo ter tentado recrutar chineses nos Estados Unidos para espionar seu país natal, disse o marido dela. Ele pediu ao presidente Barack Obama que discuta o assunto com o presidente da China, Xi Jinping, na cúpula do Grupo dos 20 que terá início no leste da China no fim de semana.

A consultora, Phan Phan-Gillis, amplamente conhecida como Sandy, foi indiciada no mês passado por acusações de espionagem após ser detida enquanto visitava a China no ano passado. Mas o marido dela, Jeff Gillis, disse que aguardou para revelar o indiciamento enquanto novos advogados de sua mulher estudavam o caso.

"O momento é realmente crítico para Sandy, com o encontro eminente entre os presidentes Obama e Xi Jinping", disse Gillis por telefone, do lar do casal em Houston. As alegações dos promotores contra Phan-Gillis incluem espionagem enquanto ela visitava Guangxi, uma região no sul da China, em 1996, ele disse.

"Sandy é absolutamente inocente", ele disse. "As autoridades chinesas nem mesmo checaram seus próprios bancos de dados internos para ver se Sandy estava no país na época. Ela nem mesmo estava na China."

O indiciamento também acusa Phan-Gillis de tentar recrutar chineses nos Estados Unidos no final dos anos 90 para trabalhar para uma "organização estrangeira de espionagem", disse Gillis. Ele disse que essa alegação também é falsa e que julgar Phan-Gillis por supostos eventos ocorridos duas décadas atrás em outro país desafia a lei e o bom senso.

Os laços entre Washington e Pequim estão cada vez mais estremecidos por assuntos como a construção pelos chineses de ilhas no Mar do Sul da China, o ressentimento americano com as barreiras a investimentos e negócios na China e a irritação do governo chinês com as críticas que recebe por prender dissidentes e defensores de direitos.

O caso de Phan-Gillis pode aumentar essas tensões quando Xi se encontrar com Obama em Hangzhou, local de uma cúpula de dois dias que terá início no domingo. Os dois presidentes deverão realizar conversações bilaterais no sábado antes da reunião principal, segundo a Casa Branca.

"O Departamento de Estado tentou agressivamente falar com os chineses sobre a soltura de Sandy, inclusive junto aos altos escalões", disse Gillis. Funcionários do Departamento de Estado disseram a "todos os níveis do governo chinês" que Phan-Gillis não era uma espiã, ele disse.

Autoridades consulares americanas têm visitado Phan-Gillis na detenção uma vez por mês desde março de 2015, disse a assessoria de imprensa da embaixada americana em resposta às perguntas sobre o caso dela. Mas a assessoria encaminhou outras perguntas a Washington.

O Ministério das Relações Exteriores chinês não respondeu às perguntas por fax sobre o caso.

Um dos advogados de defesa de Phan-Gillis, Shang Baojun, confirmou que foi notificado por telefone no mês passado sobre o indiciamento por acusações de espionagem e que recebeu o documento do indiciamento no início de agosto. Mas Shang disse que seria inapropriado para ele confirmar ou discutir alegações específicas.

Phan-Gillis está sendo mantida em um centro de detenção em Nanning, a capital de Guangxi. Ela disse a Shang durante uma visita que ela inicialmente admitiu algumas das alegações contra ela, mas apenas por ter sido intimidada e estar sob intensa pressão dos investigadores.

"Ela me disse que confessou apenas sob intimidação", ele disse. O tribunal em Nanning ainda não estabeleceu uma data para o julgamento, mas o caso dela provavelmente será ouvido no próximo mês ou no seguinte, ele disse.

Até o ano passado, Phan-Gillis, 56 anos, era uma consultora de negócios que atuava na China como ligação entre a comunidade empresarial de Houston e as empresas no sul da China. Ela nasceu no Vietnã de uma família de origem chinesa, mas fugiu de barco na adolescência e acabou se estabelecendo nos Estados Unidos.

Em março de 2015, ela foi detida em uma travessia de fronteira da China continental para Macau, uma região administrativa especial do país com suas próprias leis, e mantida em detenção secreta, disse Gillis.

Em junho deste ano, o Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas concluiu que Phan-Gillis está sendo submetida a detenção arbitrária, incluindo privação ao acesso a advogados. E Gillis disse que sua mulher disse à autoridade consular americana que a visitou em julho que está sendo submetida à interrogatório severo e incessante.

"Eles colocam palavras na minha boca, dizendo que devo repeti-los na forma de dizer as coisas", disse Phan-Gillis à autoridade consular, segundo o relato de seu marido a respeito do que lhe disseram funcionários do Departamento de Estado. A pressão parece ter contribuído para os problemas cardíacos sofridos por sua mulher, que resultaram em duas internações hospitalares, disse Gillis.

Se condenada, ela poderá cumprir mais de 10 anos de prisão, ele disse. Mas ele disse se preocupar que a saúde frágil dela, incluindo diabete e hipertensão, não resista.

"Francamente, mesmo que seja mínima, eu realmente temo por minha mulher", ele disse sobre uma possível pena de prisão. "Uma prisão chinesa não é um clube de campo."

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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