Na Biblioteca Pública de NY, livros são levados aos leitores por meio de "mini-trens"

Corey Kilgannon

Em Nova York (EUA)

  • Demetrius Freeman/The New York Times

Nesta época do ano, o Bryant Park fica tomado por pessoas fazendo compras para as festas, caminhando entre as bancas e os patinadores deslizando pelo rink de gelo.

Mas poucas, se é que alguma, sabem que abaixo delas se encontra um importante repositório de materiais de pesquisa em uma biblioteca climatizada cercada de concreto. E uma pequena ferrovia vermelha.

O recém-inaugurado bunker de livros, com mais de 5.000 metros quadrados de espaço, se estende a oeste do prédio principal da Biblioteca Pública de Nova York, na Quinta Avenida. A pequena linha de trem vermelha serpenteia do bunker subterrâneo até o prédio cavernoso.

O trem não é um toque decorativo de festas, como as grinaldas colocadas nos dois leões de mármore que guardam a entrada principal da biblioteca, mas um sistema sofisticado de transporte de livros que funciona nos bastidores, visto apenas por um punhado de funcionários e usuários atentos.

"Tanto os funcionários quanto os usuários que o veem ficam apaixonados por ele". disse Gerry Oliva, o diretor de operações da biblioteca.

O trem de livros é crucial para atender um novo nível subterrâneo do Arquivo Milstein de Pesquisa, que diretores da biblioteca consideram um dos arquivos de livros mais sofisticados do mundo. Ele logo abrigará cerca de 1,5 milhão de livros.

Os trens são mais rápidos e mais confiáveis do que o sistema anterior, uma série de esteiras e elevadores mecânicos que, após 25 anos, estavam começando a falhar.

A quebra de uma única peça podia deixar inoperante todo o sistema, atrasando enormemente a entrega para os usuários da biblioteca, disse Oliva, e o fabricante suspendeu a manutenção e a fabricação de peças de reposição.

"Sempre que uma correia partia, era preciso entre uma semana e 10 dias para uma substituta ser encontrada", ele disse, o que obrigava os funcionários da biblioteca a terem que transportar os materiais por elevador ou por um pequeno elevador manual por múltiplos andares. O velho sistema finalmente quebrou de vez em fevereiro.

O novo sistema com trens é quase duas vezes mais rápido e terá menos interrupções, já que qualquer carro com problema pode ser removido dos trilhos sem atrapalhar todo o sistema.

Em um dia útil recente, um funcionário da biblioteca no Arquivo Milstein colocou uma pequena pilha de livros em um carro de trem e apertou um botão para que este seguisse para o terceiro andar. Ele então seguiu para a majestosa sala de leitura principal Rose, que foi reaberta recentemente após uma restauração que levou dois anos.

O carro seguiu até a área de comutação, onde fez uma pausa enquanto o trilho apropriado para a rota designada era mudado mecanicamente, da mesma forma como um trem real é desviado de rota.

A linha de trilhos de US$ 2,6 milhões foi construída para o transporte de livros e outros materiais pela rota de cerca de cinco minutos entre os arquivos subterrâneos e as mesas de circulação no primeiro e terceiro andares.

Cada um dos 24 carros vermelhos é monitorado por sensores nos trilhos e é movido por um motor elétrico, que recebe corrente dos trilhos de alumínio eletrificados.

Os carros podem percorrer 23 metros por minuto e se prendem aos trilhos para curvas ou subidas verticais, realizada por uma roda dentada.

Cada carro exibe a insígnia de cabeça de leão da biblioteca e pode carregar 13 quilos. Os trilhos serpenteiam horizontal e verticalmente por 290 metros.

Em um escritório no Arquivo Milstein, bibliotecários e atendentes preenchem "listas" eletrônicas (pedidos por materiais de pesquisa) enviadas por computador a cada cinco minutos. Os funcionários pegam os materiais e os colocam em uma caixa de metal cinzenta montada sobre dobradiças em um carro vermelho, para que balance livremente e não tombe durante a viagem.

Todo o processo deve fazer com que os livros cheguem à pessoa que fez o pedido em cerca de 45 minutos.

O novo espaço recebe parte do arquivo que era mantido em um espaço sob a principal sala de leitura, sete andares de prateleiras metálicas centenárias, que os diretores da biblioteca disseram que não era mais adequado para a preservação dos aproximadamente 2,5 milhões de materiais de pesquisa mantidos ali. Os funcionários da biblioteca retiraram os volumes em 2013, com a intenção de mantê-los no depósito da biblioteca em Nova Jersey, mas eles ainda permanecem disponíveis para os usuários.

Mas após críticas ao pano de reformar aqueles sete andares em um espaço público e biblioteca para retirada de livros, os diretores da biblioteca decidiram reformar o espaço sob o Bryant Park com uma doação de US$ 8 milhões de Abby e Howard Milstein, antigos benfeitores da biblioteca, para abrigar grande parte dos materiais de pesquisa.

O espaço sob o parque foi escavado originalmente nos anos 80 em dois níveis, mas apenas o nível superior foi aberto, em 1991, e agora guarda 1,5 milhão de livros e materiais especiais de coleção. O nível inferior permaneceu inacabado e não utilizado até ser convertido no Arquivo Milstein de Pesquisa.

Ambos os níveis se estendem para oeste a partir do prédio principal Stephen A. Schwarzman. O Arquivo Milstein fornecerá acesso rápido aos materiais e também os preservará para futuras gerações, disseram representantes da biblioteca, acrescentando que o destino dos antigos sete andares de espaço de depósito ainda não foi decidido.

Após a construção do espaço subterrâneo ter sido concluída em março, começou o trabalho de transferência dos livros, colocação de códigos de barras e armazenamento com base em tamanho, em vez de assunto ou autor, um sistema que os diretores da biblioteca dizem que aumentará a capacidade do novo bunker em 40%.

Os funcionários na Milstein colocam os livros em bandejas com códigos de cores que ajudam a classificar os livros, que então são destinados a pontos nas estantes ("California Local History" foi colocado recentemente ao lado de uma Bíblia, por exemplo, por terem tamanhos semelhantes) e recebem um código de barras.

Os diretores da biblioteca disseram que cerca de 1 milhão de livros não foram trazidos de volta e ainda permanecem em Nova Jersey, mas que podem ser trazidos rapidamente para os usuários que os pedem.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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