Governo Obama não amou as placas ilegais de "I Love NY" espalhadas nas estradas pelo Estado

Sarah Maslin Nir

Em Nova York (EUA)

  • Mike Groll/AP

As grandes placas azuis, centenas delas, brotam como mato ao longo das estradas e outras vias do Estado de Nova York, estimulando os viajantes a pararem e apreciarem as vistas. As placas foram imaginadas e colocadas ali pelo Estado para promover o turismo, cada uma exibindo o credo familiar e alegre de Nova York: "I Love NY" (Eu amo NY).

Mas há um problema: o governo federal diz que as placas são ilegais.

Assim a campanha, visando gerar amor e dinheiro para Nova York, acabou provocando uma disputa cada vez maior com o governo federal, que ameaça impor multas e reter verbas federais caso o Estado não as remova. As placas, segundo as autoridades federais, estão fora de acordo com as regras de sinalização, pois são grandes demais e repletas de palavras e informações, sendo assim distrações perigosas para os motoristas.

De fato, o Departamento dos Transportes federal disse de forma clara ao Estado que as placas não eram permitidas, antes mesmo da primeira ser colocada, há mais de cinco anos. Mas como um adolescente teimoso, o Estado seguiu em frente assim mesmo, e agora 514 brotaram ao longo das estradas por toda Nova York.

A situação chegou a tal ponto que os líderes dos departamentos de transportes federal e estadual planejam se reunir em dezembro para discutir uma solução, ou talvez as penas potenciais caso nada seja feito. O Estado não parece inclinado a ceder às exigências de Washington, acreditando que não fez nada de errado.

"Essa questão está sendo discutida há anos e envolve coisas como a interpretação das regras", disse Gary Holmes, um porta-voz do Departamento dos Transportes estadual, por e-mail, como a direção para a qual as placas podem ficar voltadas e se podem incluir certas informações, como endereços de e-mail. "Não se trata de um crime enorme, mas de um pequeno desacordo que esperamos poder resolver na reunião com os federais. O programa de turismo 'I Love NY' é altamente bem-sucedido e um grande estímulo econômico."

O próprio governador Andrew Cuomo tem defendido as placas, as promovendo em seu discurso do Estado do Estado em 2014, três anos depois das autoridades federais terem levantado suas preocupações. "A meta é fazer com que as pessoas nas estradas parem nas comunidades, promovendo assim a economia do Estado de Nova York", ele disse em seu discurso.

As autoridades federais alertam que a contínua violação das regras pelo Estado pode ter consequências ruins.

"Nós fomos claros ao Departamento dos Transportes do Estado de Nova York que suas placas para fins turísticos estão fora de acordo" e precisam ser removidas, disse Neil Gaffney, um porta-voz do departamento federal dos transportes, por e-mail. "Se ficar claro que isso não ocorrerá, nós decidiremos qual será a pena. Poderiam ser várias coisas, da não-aprovação federal para projetos até retenção de recursos para estradas."

"Esperamos que não chegue a esse ponto", acrescentou Gaffney.

Dentre todas as coisas que os governos federal e estadual entram em atrito, placas de estrada parecem um campo de batalha estranho. Mas a questão das distrações aos motoristas despontou como um grande problema nas estradas do país. Mais de 35 mil pessoas morreram em acidentes nas estradas em 2015, cerca de 2.500 a mais do que no ano anterior, segundo dados compilados pela Administração Nacional de Segurança nas Estradas. Dados da primeira metade de 2016 mostram que o número de mortos em acidentes nas estradas está caminhando para superar o total de 2015.

As placas variam e algumas oferecem mais detalhes do que outras. Algumas anunciam o aplicativo "I Love NY". Elas também exibem logos de várias iniciativas estaduais de turismo da Empire State Development, a agência de desenvolvimento econômico do Estado, como a Caminho pela História, que alerta as pessoas sobre locais históricos, e a Prove NY, que indica fornecedores de comidas locais.

Algumas poucas placas incorporam o logo "I (Coração) NY" de Milton Glaser. Um círculo gigante exibindo o logo em uma placa está colocado em uma berma de grama perto da Saída 9 na Adirondack Northway. Outra se encontra ao longo da Interestadual 390, em Rochester. Cada uma custou US$ 10 mil, disse Matt Driscoll, o comissário dos transportes estadual, para uma emissora local de televisão, em julho. "Às vezes é preciso gastar dinheiro para ganhar dinheiro", disse Driscoll para a emissora. (Ao todo, as autoridades estaduais disseram que o Estado gastou quase US$ 1,8 milhão nas placas.)

As autoridades estaduais argumentam que as placas são importantes para seus esforços para aumentar o turismo, especialmente em áreas no interior de Nova York que passam por dificuldades econômicas. No ano passado, o turismo gerou US$ 102 bilhões para o Estado, disseram as autoridades.

Além das objeções do governo federal, as placas também tiveram uma recepção mista. Em Hudson, uma criadora de búfalos chamada Dorreen Ossenkop disse a um site de notícias local que as placas grandes, algumas das quais apontando atrações locais como sua Adirondack Buffalo Company, ajudaram seus negócios. Mas a placa mencionando sua fazenda não foi autorizada na Interestadual 87, segundo as autoridades federais, citando a bíblia dessas regras, o Manual para Uniformização dos Dispositivos para Controle de Trânsito.

Em Montauk, uma cidade no extremo leste de Long Island, onde oito das placas azuis foram colocadas em julho, muitos moradores locais as odiaram.

"Elas realmente não têm nada a ver com o caráter das pequenas comunidades e com as estradas de duas faixas, de modo que acabam funcionando contra o motivo para as pessoas costumarem vir para East End", disse Fred Thiele Jr., um deputado estadual de Nova York que representa a área e tem lutado pela remoção das placas. "Nós gastamos literalmente um bilhão de dólares protegendo os pequenos vilarejos, as vistas e tudo mais, e colocar oito outdoors gigantes realmente não promove esses elementos."

Assim, não muito depois das placas serem colocas, colhedores de cerejas vieram e derrubaram sete delas. Thiele, um membro do Partido da Independência, espera que a placa azul restante, no cruzamento da West Lake Drive e Flamingo Avenue, seja a próxima.

"Francamente, nós sentimos que não apenas são inapropriadas", ele disse, "mas também um desperdício".

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos