Enquanto os EUA assistem posse, staff da Casa Branca corre com a mudança

Julie Hirschfeld Davis

Em Washington

  • Carolyn Kaster/AP

Saem as amêndoas, entram os Doritos. Ao soar das 12h01 de sexta-feira, assim que Donald Trump tomar posse como presidente e Barack Obama entregar o cargo, dezenas de funcionários do Estado entrarão em ação na Casa Branca para substituir os pequenos confortos de um comandante em chefe—comidinhas favoritas, roupas, artigos de toalete, peças de arte e móveis—pelos de seu sucessor.

O processo, que requer meses de planejamento mas poucas horas de execução em uma forma quase militar, se dá em sua maior parte longe do olhar do público enquanto os americanos e o resto do mundo focam na pompa do Dia da Posse: o juramento presidencial e o discurso no Capitólio, o desfile pela Avenida Pennsylvania, os bailes de gala.

Para as cerca de 100 pessoas que trabalham na Casa Branca e os funcionários que estão à disposição para ajudá-los com aquilo que talvez seja o dia de mudança mais delicado do mundo, os eventos oficiais também funcionam como distrações úteis que mantêm o presidente em final de mandato, sua família e os futuros ocupantes longe do local durante a tarefa.

"É uma correria, você está o tempo todo de pé, certificando-se de que as coisas estão no lugar certo e do jeito certo, e há pouco tempo para isso", disse Betty Monkman, curadora da Casa Branca há mais de três décadas e que ajudou a supervisionar a transição em 2001, quando Bill Clinton estava de saída e George W. Bush estava entrando. "São a governanta e as camareiras todas colocando as roupas nos armários e os cosméticos e artigos de toalete nos banheiros, a equipe da cozinha preparando a comida. Tem muita coisa acontecendo."

Obama e sua mulher Michelle, que pretendem se mudar para uma casa que fica a cerca de 3 km da Casa Branca, de forma que eles possam permanecer em Washington enquanto sua filha mais nova, Sasha, termina o colegial, já começaram a levar itens pessoais para sua nova casa. Há caminhões de mudança, incluindo um de uma empresa especializada em armazenamento e mudança de peças de arte, estacionados do lado de fora da casa no bairro nobre de Kalorama em D.C., e trabalhadores foram fotografados carregando grandes caixas para dentro.

Mas boa parte do trabalho na Casa Branca não pode ser feita até que a transferência de poder ocorra logo após o meio-dia, quando dois caminhões de mudança estacionarão na entrada da garagem que circunda o Jardim Sul—um deles para entregar os pertences do novo presidente, e o outro para levar os do chefe do Executivo que está de saída.

Susan Walsh/AP
Funcionário limpa a fachada da Casa Branc

A nostalgia se mistura à agitação. "É um momento de emoção", disse Anita McBride, que atuou como chefe de gabinete de Laura Bush, inclusive durante a passagem do bastão para os Obamas em 2009.

Na manhã da posse, antes que o atual presidente receba seu sucessor para um chá no meio da manhã, membros da equipe da Casa Branca—mordomos, camareiras, cozinheiros, jardineiros e outros—costumam se reunir na Sala Leste para se despedir do casal a quem eles serviram, muitas vezes por quase uma década. "O clima pode ser bem choroso", disse McBride.

As mudanças podem ir desde as coisas mais mundanas até as mais significativas. Obama, cuja família é notória por sua obsessão com alimentação saudável, mantém uma grande fruteira com maçãs sobre uma mesa no Salão Oval e um estoque de amêndoas para beliscar tarde da noite enquanto olha informativos. Trump, entusiasta de fast-food, é conhecido por preferir não somente Doritos, mas também batatas chips Lays. O chefe de pessoal é encarregado de informar à equipe da cozinha sobre qualquer um desses pedidos com antecedência de forma que a despensa no térreo da Casa Branca possa ser estocada adequadamente.

A equipe de Trump não quis comentar sobre quais pedidos ele fez para a cozinha ou de decoração da casa para seus primeiros dias, e não está claro quanto tempo o futuro presidente—que se sente mais confortável nos limites familiares de sua luxuosa cobertura na Trump Tower, com seus detalhes em ouro—pretende passar lá.

Sua mulher, Melania, que no dia 3 de janeiro se encontrou na Casa Branca com o chefe de pessoal e a curadora, pretende viver em Nova York nos primeiros meses do mandato de Trump para que o filho do casal, Barron, possa concluir o ano em sua escola particular em Manhattan.

A Casa Branca fica só com uma equipe mínima de indicados políticos durante a posse no Capitólio. Amy Zantzinger, secretária social de Laura Bush, lembra-se de ter saído do portão da Casa Branca pouco antes do meio-dia naquele dia de 2009 enquanto Michael Smith, decorador de Obama, estava entrando.

"A prioridade da sra. Obama naquele dia era estar com o quarto das meninas pronto em tempo de dormir naquela noite", disse Zantzinger sobre as primeiras-filhas, na época com 7 e 10 anos.

Uma funcionária da transição próxima de Melania Trump, falando sob condição de anonimato por não ter autorização para falar sobre o processo de mudança, disse estar trabalhando de perto com um designer de interiores para refazer partes da residência da Casa Branca. (A funcionária também não quis falar sobre relatos de que Melania, ex-modelo, instalaria um "glam-room" bem iluminado para fazer a maquiagem e o cabelo.)

Ela recrutou Jessica Boulanger, vice-presidente sênior de comunicações da Business Roundtable, que tem interesse em design de moda, para ajudá-la a montar uma equipe na Ala Leste em caráter voluntário.

Donald Trump pretende trocar as cortinas do Salão Oval—que atualmente têm um tom escuro de vermelho—por cortinas usadas por um presidente anterior, de acordo com uma pessoa próxima da transição.

O presidente recém-empossado e a primeira-dama costumam voltar para a Casa Branca depois de um almoço no Capitólio e são recebidos pelo chefe de pessoal, que se certifica de que eles estejam confortáveis por alguns momentos antes de saírem novamente para ir até um ponto na Avenida Pennsylvania de onde irão assistir o desfile de posse.

"Eles chegarão e sairão muito rápido, o que é bom", disse Monkman, "porque ainda há muito a ser feito".

Tradutor: UOL

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