Quem resistiria a bater papo com um gato?

Jennifer A. Kingson

  • Catterbox.com

    Gato com coleira Catterbox

    Gato com coleira Catterbox

Durante meses houve um burburinho entre especialistas em gatos a respeito da Catterbox, descrita como "a primeira coleira falante de gatos do mundo" em um vídeo que viralizou.

Fabricada por um grupo de cientistas chamado Temptations Lab, a coleira gravava as falas do seu gato, traduzia em palavras humanas e as dizia em voz alta. Você podia escolher uma voz para seu gato (Francês? Barítono australiano?) através de um aplicativo de celular.

Os cientistas do Temptations Lab dizem que foram usados sensores digitais para analisar os barulhos feitos pelos gatos e traduzi-los em vozes humanas. As coleiras, que vinham em cores atraentes, foram feitas através de impressão 3D, de acordo com o vídeo.

A demanda foi enorme. Proprietários de gatos clamavam pelo preço e um site onde eles pudessem comprá-la. Mas será que a engenhoca realmente existia?

Pode se dizer, evasivamente, que sim —e não. Os vídeos da Catterbox eram comerciais dos petiscos para gatos Temptations da Mars Petcare, alguns dos muitos que foram feitos nos últimos três anos e meio por uma agência de publicidade londrina chamada Adam & Eve/DDB.

A agência conquistou um punhado de prêmios da indústria nos últimos anos, não somente por seu trabalho com a conta da Mars, mas também por seus serviços para a H&M, a Skittles e a rede de lojas de departamento britânica John Lewis, dentre muitas outras.

E embora algumas pessoas no vasto mundo do ciberespaço focado em felinos tenham dito que a Catterbox era um "produto falso", ela de fato existe —você só não pode comprá-la. Foram feitos cerca de 50 protótipos dela e distribuídos na Nova Zelândia (onde os petiscos Temptations são conhecidos como Dreamies).

"A resposta foi avassaladora", disse Richard Brim, diretor criativo da Adam & Eve/DDB. "As pessoas acharam absolutamente doido e brilhante, e algumas pessoas acharam absolutamente insano, mas era isso que queríamos."

O trabalho da agência para o Temptations focou no tema de "diversão com seu gato", disse Brim (que é alérgico). Ele disse ainda que os comerciais têm a intenção de mostrar "a verdadeira natureza dos gatos —não de gatos da Hallmark ou filhotes fofinhos de gatos", mas sim o que donos de gato conhecem.

"Os gatos são meio vingativos", ele disse, "e eles fazem o que dá na telha".

Essas qualidades se manifestaram em outro comercial popular do Temptations, feito para as festas de fim de ano de 2016. Nele, 22 gatos são soltos através de portinholas dentro de uma sala circular onde foi montado um detalhado cenário de Natal, com liberdade para bagunçar o lugar. Eles saem correndo pelas portinholas quando ouvem o barulho dos petiscos Temptations sendo oferecidos do lado de fora.

Brim disse que o comercial era um exemplo de como sua agência tentou usar o comportamento "real" dos gatos em seu favor.

"Se você arma uma árvore de Natal, eles a veem como um grande poste de arranhar", ele disse. "Nós pensamos: 'Vamos colocar um monte de gatos em um estúdio, e vamos filmá-los'. Essas propagandas são feitas por gatos."

Algumas das ideias da agência vêm das postagens nas redes sociais de consumidores da Temptations, segundo Brim.

"No Natal, eles estavam postando fotos de pacotinhos rasgados, e pensamos: 'Isso é perfeito'", disse Brim.

Para a campanha da Catterbox, a Adam&Eve/DDB encomendou à Acne, uma empresa de pesquisa e design de tecnologia, uma coleira de gato de verdade —uma que não fosse incômoda para o gato— que detectasse ronronados e miados e os interpretasse como frases do tipo "Estou com fome" e "Eu te amo".

"Nós fomos muito científicos com ela", disse Ben Clark, diretor do escritório londrino da Acne, que é sediada na Suécia.

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A coleira Catterbox em várias cores

Durante seis meses, pesquisadores da empresa observaram gatos fazendo barulhos em diferentes humores. Depois eles usaram um software de reconhecimento de voz como o Siri para traduzir os ruídos para diferentes frases em inglês e miniaturizaram o hardware para que ele coubesse em uma coleira estilosa.

"Existem os diferentes tons e respostas que o gato dá, que então dizem ao software de reconhecimento de voz na coleira: 'Certo, esse é o número 3, é o gato feliz'", explicou Clark. "Então ele joga o número 3 no aplicativo, e o aplicativo diz: 'Estou feliz'."

Craig Neely, vice-presidente de marketing para a Mars Petcare nos Estados Unidos, disse que o trabalho da agência para suas marcas é "revolucionário": "Eu só incentivo a Adam&Eve a pirar, e essa foi uma abordagem bem eficaz".

Outros exemplos de comerciais são: "Treat Them Too", uma propaganda de Natal de 2016 que usou a música dos anos 1980 "Don't You (Forget About Me)" para incentivar os donos de gatos a levarem um petisco para seus gatos (talvez o Temptations?) quando saíssem para comprar presentes.

Um comercial de 2015 para um produto chamado Snacky Mouse (um brinquedo para gatos que vai soltando petiscos) trazia gatos usando luvas de boxe dando socos em um pedaço de carne, uma gelatina e assim por diante.

No que diz respeito a petiscos de gatos, "somos os líderes nas categorias, mas somente 50% dos donos de gatos dão petiscos a seus animais", disse Neely, que tem um cachorro.

Quanto à Catterbox, foi considerado seu lançamento comercial, mas a tecnologia não estava totalmente pronta, segundo os executivos que trabalharam nela.

"Alguns donos de gatos ficaram decepcionados, mas eles gostaram da ideia por trás dela", disse Neely.

Tradutor: UOL

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