Não é como a Trump Tower, mas o novo inquilino começa a gostar de viver na Casa Branca

Maggie Haberman

  • Susan Walsh/AP

O presidente Donald Trump, que voou pelo país em centenas de noites durante a campanha de 2016 para dormir em sua própria cama, já passou cinco dias seguidos no ambiente desconhecido da Casa Branca. Seus assessores disseram em particular que ele parecia apreensivo sobre a mudança para a nova casa, mas Trump descobriu que gosta de muitas coisas.

"São os telefones mais bonitos que já usei na vida", disse ele em uma entrevista por telefone na noite de terça-feira (24).

"O sistema mais seguro do mundo", acrescentou, rindo. "As palavras explodem no ar." O que ele quis dizer foi que ninguém estava escutando e gravando suas palavras.

O presidente estava sentado à sua mesa --a que foi usada pelos ex-presidentes Barack Obama, George W. Bush, Bill Clinton, Ronald Reagan e John F. Kennedy, entre outros-- no final de seu quarto dia no cargo.

Suas manhãs, disse ele, são passadas como se estivesse na Trump Tower. Ele se levanta antes das 6h, vê televisão sintonizada em um canal a cabo numa saleta na Ala Oeste, e folheia os jornais matinais: The New York Times, The New York Post e agora The Washington Post.

Mas suas reuniões hoje começam às 9h, mais cedo do que costumava, o que encurta significativamente seu tempo diante da TV. Mas Trump, que não lê livros, consegue terminar as noites com muita televisão.

Entre isso, Trump assina ordens executivas no Salão Oval e em reuniões na Ala Oeste.

"Eles têm muitas salas de reuniões", disse ele sobre a Casa Branca, numa aparente referência à Sala de Gabinete e à Sala Roosevelt.

A Casa Branca é o único imóvel em que Trump dormiu que é mais famoso que os de sua propriedade, e ele parece admirado. Apesar de ter feito nome construindo grandes propriedades douradas e extravagantes, o novo presidente se maravilhou, segundo assessores, com o esplendor da Casa Branca e as extensões que tem de caminhar para apanhar alguma coisa em uma sala mais afastada.

Sua preferência durante o dia é trabalhar no Salão Oval. E olhar para ele também. Assim como fazem sua equipe e seus parentes.

"Eu trouxe pessoas aqui, elas entram e simplesmente têm de ficar admirando por um longo tempo", disse Trump.

Entre os presidentes americanos modernos, Trump talvez esteja melhor situado para trabalhar onde ele mora. Durante décadas, viveu em um apartamento na cobertura no 58º andar da Trump Tower e pegava o elevador para descer ao 26º, onde tem um escritório de canto com vista para o Central Park. Muitos presidentes se queixaram de ficar engaiolados na Casa Branca -- George W. Bush, em particular, disse que sentia falta do espaço ao ar livre--, mas Trump pode passar dias sem respirar ar fresco.

A mulher dele, Melania, voltou a Nova York no domingo (22) à noite com seu filho de 10 anos, Barron, e assim Trump tem a televisão --e seu velho telefone Android sem segurança, apesar dos protestos dos assessores-- para lhe fazer companhia. Foi o que aconteceu depois de terça-feira às 21h, quando Trump parecia estar reagindo no Twitter ao programa de Bill O'Reilly na Fox News, que transmitia um especial sobre o crime em Chicago.

Às 21h25, Trump postou: "Se Chicago não der jeito na terrível 'carnificina' que está acontecendo, 228 tiroteios em 2017 com 42 mortes (aumento de 24% em relação a 2016), vou mandar os federais!"

Na entrevista, Trump negou quando perguntado sobre se é difícil ter a família longe, e indicou que na quinta-feira Melania Trump e Barron, que está terminando o ano escolar em Nova York, deverão voltar.

"Eles virão nos fins de semana", disse Trump. "Ela virá às quintas-feiras e ficará."

Ele disse que está gostando até agora, apesar de seu visível desprazer com a cobertura de sua posse e o desempenho inicial de seu secretário de Imprensa, Sean Spicer, que gritou com a mídia e fez diversas declarações falsas sobre o volume de público no dia da posse na sala de imprensa da Casa Branca no sábado. Trump e seu estrategista-chefe, Stephen Bannon, e seu chefe de Gabinete, Reince Priebus, viram o rompante de Spicer na segunda-feira enquanto almoçavam na sala de jantar da Ala Oeste, onde o presidente murmurou sua aprovação ao desempenho de Spicer na segunda-feira e chamou seu secretário de imprensa de "superstar".

Seu primeiro café da manhã na Casa Branca foi na manhã de sábado --um bufê na residência, com frutas, doces de massa e outras guloseimas--, do qual participaram seus filhos adultos e famílias. A cozinha foi abastecida com o mesmo tipo de salgadinhos que Trump tinha no avião particular, incluindo batatas Lay's e Doritos.

Sua filha mais velha, Ivanka, e seu marido, Jared Kushner, o assessor principal do presidente, ficaram com ele na Casa Branca durante o domingo. Partiram para sua nova casa no final do domingo para preparar as crianças para suas novas escolas. Trump não trouxe nenhum empregado para a Casa Branca, segundo um assessor.

O presidente passou parte da terça-feira admirando obras de arte das coleções da Casa Branca, como um retrato de Andrew Jackson --o primeiro presidente populista dos EUA, que foi citado pelos assessores do presidente como uma inspiração-- para pendurar no Salão Oval.

"Agora estou trabalhando", disse ele na entrevista, enumerando as tarefas do dia: uma ordem executiva para reiniciar o oleoduto Keystone XL e seus planos para atos relacionados à fronteira nos próximos dias.

Enquanto isso, o presidente avalia seu primeiro afastamento da Casa Branca, uma possível viagem a Mar-a-Lago, seu clube privado em Palm Beach, na Flórida, possivelmente no fim de semana de 3 de fevereiro.

Até então ele fica na residência, que Melania Trump ainda está decorando.

"É uma linda residência, muito elegante", disse o presidente, usando uma de suas formas mais elevadas de elogio.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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