À espera de uma nova vida: a longa jornada de dois refugiados até os EUA

Julie Turkewitz e Caitlin Dickerson

  • Jim Wilson/The New York Times

    Mohamed Sharif, refugiado somali que hoje trabalha como motorista de caminhão, em parada em Turlock (Califórnia)

    Mohamed Sharif, refugiado somali que hoje trabalha como motorista de caminhão, em parada em Turlock (Califórnia)

Faiz Khalil era um coronel do Exército iraquiano, cujo trabalho com os militares dos EUA pode ter provocado a morte de sua filha de 8 anos. Mohamed Sharif era um estudante em Mogadíscio, na Somália, uma zona de guerra urbana aterrorizada por milícias rivais.

Os dois chegaram aos EUA como refugiados, depois de um processo que demorou anos e envolveu horas de entrevistas e mais de uma dúzia de verificações do histórico de vida por pelo menos cinco agências do governo americano.

No final de janeiro, o presidente Donald Trump assinou um decreto que suspendeu esse programa, depois de dizer durante meses que o processo de avaliação precisava ser reexaminado.

"Não temos ideia de quem são essas pessoas", disse ele sobre os refugiados sírios em 2015. "Esse pode ser um grande cavalo-de-troia."

O Departamento de Estado diz que os refugiados são os estrangeiros que sofrem maior escrutínio para entrar nos EUA. Enquanto o futuro do programa permanece no limbo --no último fim de semana os refugiados começaram a chegar novamente, depois de uma contestação jurídica à ordem executiva--, seguimos os muitos passos já cumpridos, pelos olhos de Khalil e Sharif.

Khalil, 54, hoje mora em Twin Falls, Estado de Idaho, como cidadão americano, enquanto Sharif, 26, vive em Aurora, no Colorado, como um residente permanente legalizado.

Khalil estava atordoado quando chegou a Amã, na Jordânia, vindo de Bagdá, em julho de 2006. Ele havia estado ansioso, deprimido e incapaz de pensar com clareza desde o dia em que sua filha Maha saiu para a escola e não voltou mais.

"Fiquei totalmente desorientado", disse ele.

Khalil tinha tentado manter em segredo seu trabalho com os militares americanos, até mesmo de sua família, porque sabia que os transformaria em alvos para os terroristas.

Mas no dia em que Maha desapareceu, em 2004, ele recebeu um telefonema de alguém que afirmava ser um membro da Al Qaeda. O homem disse que Khalil tinha sido descoberto e teria de pagar com a vida de Maha.

Depois que a família soube que Maha realmente tinha morrido, ela tentou continuar morando em Bagdá, onde tinham o apoio dos parentes. Mas sentiam que ainda eram observados pelos assassinos de Maha e que seus outros filhos talvez corressem perigo.

Em 2006, Khalil deixou o Iraque com sua mulher, Nahida Mohammad, seu filho de 8 anos, Mamoon Jumah, e a filha de 4, Maryam Jumah.

Eles foram morar em um pequeno apartamento no terceiro andar, pelo qual pagaram com o dinheiro da venda de sua casa no Iraque. Como imigrantes não autorizados, porém, não podiam trabalhar e tinham de mandar os filhos à escola privada, porque não podiam gozar de benefícios públicos.

Sabendo que sua poupança não iria durar, Khalil os registrou como refugiados junto à ONU. Esperava que fossem realocados para o Reino Unido, onde vivia seu irmão, ou a Austrália, onde tinham um amigo.

Mohamed Sharif deixou a Somália aos 16 anos, e chegou a Kakuma, um campo de refugiados no noroeste do Quênia, em 2007. Seu país havia passado por mais de uma dúzia de tentativas de formar um governo durante sua vida. Era perigoso para Sharif retornar.

Mais recentemente, os radicais islâmicos haviam tomado o poder --os mais militantes eram conhecidos por dirigir carros com bandeiras pretas e atirar em pessoas que assistissem filmes de Hollywood.

Kakuma era um campo deserto dividido por um rio, onde a temperatura muitas vezes passava de 38 graus. Sharif chegou sozinho, entrou em uma cabana de chapa metálica e se registrou como refugiado.

No acampamento, conheceu Bisharo, uma mãe solteira com dois filhos, Adnan e Hodan. Ela também tinha fugido da Somália. "Nós nos entendemos", disse ele. Sharif começou a trabalhar como eletricista. Eles se casaram, mas não houve uma grande festa. "Não tínhamos dinheiro suficiente."

Kim Raff/The New York Times
Faiz Khalil, ex-coronel do Exército iraquiano que trabalhou com militares americanos, em sua casa em Twin Falls, Idaho

Entrevista com a ONU

Um oficial contratado pela ONU senta-se com o solicitante, fazendo centenas de perguntas sobre sua vida. Depois, dois oficiais reveem o caso para decidir se a pessoa enfrenta perseguição grave em seu país. Se surgirem preocupações de credibilidade, a pessoa passa por outra entrevista ou o caso é encerrado.

Khalil e sua família chegaram, conforme foram instruídos, com suas certidões de nascimento, provas de cidadania iraquiana e certidão de casamento, em um prédio enorme com janelas escurecidas na zona noroeste de Amã.

Guardas armados estavam posicionados do lado de fora. Eles esperaram na fila entre centenas de iraquianos --soldados, agricultores, vendedores-- que pretendiam conseguir a condição de refugiados.

Mais tarde, enquanto os fotografavam, tiravam suas impressões digitais e entrevistavam durante sete horas, eles escutaram quando outros iraquianos recebiam a negativa sobre a condição de refugiados. Havia lágrimas, gritos, frustração --todos estavam pessimistas, ninguém achava que eles teriam uma chance.

Quando uma autoridade da ONU perguntou a Khalil, por meio de um intérprete em árabe, sobre sua filha Maha, ele chorou.

"Fiquei realmente emocionado porque fazia pouco tempo", disse ele. "Não consegui me controlar."

Enquanto esperava notícias da ONU, a família começou a se desfazer. Ninguém conseguia dormir à noite, ainda perturbados pela morte de Maha. Khalil e Mohammad levavam e buscavam seus filhos na escola todos os dias, temendo que lhes acontecesse alguma coisa.

Alguns meses depois, veio o chamado. Khalil deveria voltar sozinho ao mesmo edifício e levar mais documentos, incluindo a certidão de óbito de Maha.

Mohamed Sharif

Era um grande dia. Em 2012, Sharif tinha esperado cinco anos em Kakuma até que uma autoridade da ONU chegou para entrevistá-lo. Sharif usava uma camiseta de futebol --ele não tinha roupas formais, e o acampamento, que estava superlotado, não era um lugar para terno e gravata, de qualquer modo.

O oficial lhe pediu para contar sua história. Bisharo e seus filhos estavam sentados junto dele.

Por que ele deixou a Somália? Sharif descreveu em somali o modo como ele fugira de casa, temendo a morte, sem uma certidão de nascimento ou registros escolares.

"Eu não tenho esperança lá", ele lembrou mais tarde que havia dito. "Não tenho uma casa para onde voltar. Não tenho mais ninguém lá."

A entrevista durou 90 minutos. Então houve uma pausa, e mais conversa, por uma hora.

Meses depois, Bisharo deu à luz a uma menina, Nimo. Duas semanas depois, Bisharo morreu. Aos 22, ele era de repente o pai solteiro de três crianças.

Entrevista com empreiteiras que atendem o departamento de Estado

As firmas contratadas pelo governo americano realizam extensas entrevistas pessoais em preparativo para uma visita do Departamento de Segurança Interna. A verificação do passado começa.

Pelo menos cinco agências procuram os solicitantes em seus bancos de dados, verificando registros criminais, nomes alternativos e conexões com indivíduos maus e grupos perigosos.

Faiz Khalil

Esta entrevista se concentrou no tempo que Khalil passou no Exército iraquiano. Por que ele se alistou?, perguntaram-lhe. Por causa da promessa de uma nova vida estável. Por que se tornou um oficial? Por causa dos benefícios: um novo carro e um terreno.

Ele descreveu como ensinou aos soldados americanos sobre a cadeia de comando iraquiana, que era diferente da americana, e como disse aos americanos para pedirem recibos com números de série para entregas de artigos como baterias ou pneus --de outro modo, disse ele, alguns poderiam acabar à venda no mercado negro iraquiano.

Khalil respondeu a seus interrogadores "como um robô", segundo lembrou mais tarde.

"Eu disse: 'Não me importa se eles vão acreditar ou não'", afirmou. "Eu perdi minha filha, perdi minha casa --tudo."

Durante esse tempo, Khalil e sua família viram com nervosismo sua conta bancária encolher. Eles tinham de pagar US$ 3 por dia por pessoa ao governo jordaniano para viver lá sem autorização.

Agora era inverno, e eles nunca tinham vivido em um lugar com neve. Não podiam pagar combustível suficiente para aquecer o apartamento durante toda a estação, por isso Khalil e Mohammad se revezavam no meio da noite para ligar o aquecedor por uma hora de cada vez.

Mohamed Sharif

Essa rodada de entrevistas, em 2013, levou três dias, com cada conversa durando 60 ou 90 minutos. Na primeira entrevista, Sharif chorou quando contou sua história, assim como o entrevistador. Na segunda e na terceira, ele teve de contar novamente sua história.

Antes de cada entrevista ele tinha de erguer a mão e jurar que diria a verdade.

Eles perguntaram sobre seu lugar de nascimento, seus pais, o casamento deles, sua educação escolar, sua viagem até o acampamento, sua religião. A que grupos políticos ele pertencia? Algum extremista o havia recrutado? Quando ele chegasse aos EUA, faria alguma coisa contra a lei?

"A resposta é não", disse ele mais tarde. "Porque a razão de estarmos aqui é para termos uma vida melhor. Nossa liberdade."

Os entrevistadores pediam documentos. "Eu não tinha nenhum", disse ele. Esse é um problema comum nos campos para os quais vêm pessoas dos países mais pobres. "A maioria do nosso povo", disse ele, "não foi à escola, nem nasceu no hospital."

No mesmo ano, Sharif conheceu Ubah Isse Mohamed, uma vizinha no campo, e eles se casaram. "Ela era amável", disse ele. "A pessoa certa para meus filhos."

Handout via The New York Times
Foto sem data mostra Faiz Khalil (centro), então coronel do Exército iraquiano que colaborou com militares dos EUA entre 2003 e 2006

Entrevista com a Segurança Interna

As autoridades americanas visitam o acampamento para verificar as histórias e tirar impressões digitais. Alguns países pulam essa etapa e contam com as entrevistas da ONU quando selecionam as pessoas que serão aceitas.

Faiz Khalil

O inverno recuou e a família foi chamada novamente ao complexo guardado na primavera para mais um encontro, que durou 12 horas.

Mohammad e as crianças foram entrevistadas juntas; ele foi interrogado sozinho.

Conforme ele lembra, as autoridades de imigração dos EUA fizeram centenas de perguntas --muitas delas repetidas de entrevistas anteriores--, mas os órgãos americanos queriam ainda mais detalhes.

Entre as séries de perguntas, Khalil era enviado à sala de espera, às vezes durante uma hora ou mais. Ele e sua família passaram novamente pela tomada de impressões digitais e suas retinas foram escaneadas.

Mohamed Sharif

No verão de 2014, as autoridades americanas finalmente foram a Kakuma, e 70 ou 80 famílias esperavam para ser entrevistadas.

Um oficial pediu mais uma vez que Sharif contasse sua história.

Então veio uma enxurrada de perguntas para responder sim ou não. Ele já havia sido recrutado por agências terroristas? Por grupos radicais? Não, disse ele. Não.

Então ele esperou.

Jim Wilson/The New York Times
O refugiado somali Mohamed Sharif abre pasta onde guarda seus documentos de imigração, no compartimento de dormir em seu caminhão, em Turlock (Califórnia)

Aprovação e exame de saúde

Todos os refugiados passam por um exame médico para identificar necessidades e garantir que pessoas com doenças contagiosas, como tuberculose, não entrem nos EUA enquanto não estiverem curadas.

Faiz Khalil

No verão de 2007, os filhos de Khalil começaram a falar árabe com sotaque jordaniano. Os membros da família foram enviados a uma clínica médica para três dias de avaliações de saúde.

No primeiro dia, passaram por raios X e tomaram vacinas. No segundo, fizeram exames médicos básicos e tiveram o sangue coletado. O terceiro dia consistiu em avaliações mentais. Khalil e seus filhos receberam diagnósticos de transtorno de estresse pós-traumático.

Foi somente perto do Natal que Khalil foi chamado de volta ao escritório guardado e lhe entregaram um envelope amarelo. "Você teve a aprovação inicial do seu caso", lembra-se que o oficial lhe disse. A família ainda precisaria de liberação de segurança, porém, e por isso continuariam à espera.

No início de 2008, Khalil atendeu uma ligação em seu celular. "Parabéns", lembra que uma autoridade do governo americano lhe disse. "Você está mudando para Twin Falls, Idaho."

Khalil nunca tinha ouvido falar nessa cidade ou no Estado. "Eu disse: 'Isso é nos EUA?'"

Ele fez uma pesquisa rápida online: "Vi que era uma cidade pequena. Isso realmente me assustou mais, porque pensei: 'Vou para o meio do nada'."

Eles deveriam partir em 22 de setembro de 2008. Conforme o dia se aproximava, Khalil sentiu-se em conflito. Num dia estava entusiasmado, no outro com medo. Talvez eles não conseguissem, pensou. Ouvira dizer que a vida nos EUA era difícil.

Mohamed Sharif

Um dia em 2014, seu telefone tocou. Era uma autoridade do campo, dizendo que tinha uma carta para ele. Ele a abriu ainda no escritório. Os EUA lhe davam as boas-vindas. Seus filhos e Mohamed, que estavam mais atrasados no processo, teriam de ficar no Quênia.

Então houve uma verificação em Kakuma que durou três dias: teste de visão, teste de urina, exame de sangue, cinco ou seis vacinas, radiografia.

No início de dezembro, ele saiu do campo em direção a um aeroporto local, na verdade uma pista de terra onde estava uma pequena aeronave. Ele voou até Nairóbi, onde passou uma semana em outro campo. E em 10 de dezembro à 0h ele deixou o Quênia para sempre.

Kim Raff/The New York Times
O iraquiano Faiz Khalil com sua mulher, Nahida, e seus filhos Mamoon Jumah e Maryam Jumah, que moram hoje em Twin Falls, Idaho

Chegada aos EUA

Nove organizações beneficentes ajudam os refugiados a se estabelecerem nos EUA. Elas decidem onde os novos imigrantes irão morar, muitas vezes optando por cidades de porte médio, onde a vida é menos cara.

Faiz Khalil

Na manhã em que estavam prontos para partir rumo aos EUA, Khalil acordou em lágrimas e teve dificuldade para se recompor até chegar ao aeroporto. A certa altura, dominado pelo medo, ele pediu que o motorista de táxi fizesse meia volta. "Não o escute!", gritou Mohammad.

No aeroporto, alguma coisa mudou. "Eu tinha de ser forte para sustentar a família", explicou Khalil mais tarde.

Eles viajaram durante 36 horas em quatro aviões: primeiro para Frankfurt, na Alemanha, depois para Chicago, Salt Lake City e finalmente Twin Falls.

Era quase 0h quando chegaram. As crianças estavam exaustas.

"Lá não tem comércio, não tem vida", disse ele. "Era tudo escuro, ninguém nas ruas, por isso eu me perguntei: 'Onde estamos?'."

Mohamed Sharif

Ele pousou no aeroporto de Denver em 12 de dezembro, no começo da noite. Um homem dos Serviços Familiares Luteranos o levou a um apartamento novo. Na noite seguinte nevou, e Sharif saiu de casa para tocar os primeiros flocos de neve.

"Eu olhei para o céu e ela entrou nos meus olhos", lembrou. "Foi realmente uma coisa incrível para mim."

"Alguns refugiados que estavam no meu bairro ficaram no acampamento de 1991 até agora", disse ele. "Por mim, posso dizer isto: fui o homem mais sortudo do mundo."

Morar nos EUA

Os refugiados podem receber ajuda federal em dinheiro durante até oito meses, com mesadas que variam de Estado para Estado. Eles podem fazer cursos de idioma financiados pelo governo federal, usar serviços de emprego e programas de assistência social durante até cinco anos. Devem requerer a residência permanente, o "green card", depois do primeiro ano.

Faiz Khalil

À luz da manhã, Twin Falls não parecia tão ameaçadora. Khalil e sua família nunca imaginaram viver nos EUA, mas se habituaram a seu novo lar.

As crianças aprenderam inglês depressa, enquanto Khalil e Mohammad praticaram assistindo a "Grey's Anatomy" e ao filme favorito dela, "Titanic". Hoje os dois trabalham como intérpretes para o centro local de assentamento de refugiados, e Khalil continua assessorando soldados americanos sobre como trabalhar no Iraque.

Khalil e Mohammad são registrados como eleitores independentes, mas os dois geralmente votam nos democratas, incluindo Hillary Clinton. O decreto de Trump contra os refugiados foi injusto, disse Khalil, porque outros iraquianos vão sofrer depois de terem ajudado os militares dos EUA. "Eles deveriam nos ajudar", disse ele.

Maryam está com 14 anos, mas parece muito mais velha, segundo seu pai. Khalil disse que Mamoon, hoje com 19, é "muito americano", porque às vezes fala com os pais com uma "aspereza" a que não estão acostumados.

Quando Khalil pensa em Maha, gosta de ver fotos antigas da família no Iraque. Seus filhos raramente a mencionam na frente dele, por medo de provocar mais um surto de depressão. Mas quando não sabem que ele está escutando às vezes ele os ouve conversar sobre a irmã.

"Estou feliz por eles", disse Khalil. "Eles têm uma vida boa, melhor que a que eu tive."

Mohamed Sharif

Ele trabalha como motorista de caminhão, transportando produtos pelas paisagens mais espetaculares dos EUA.

Está constantemente na estrada, trabalhando muitas horas para economizar para a chegada de sua mulher, Ubah Isse Mohamed; da filha Nimo, hoje com 3 anos; e dos enteados Adnan, 12, e Hodan, 13. Eles vivem em Nairóbi, mas não podem trabalhar ou ir à escola porque não têm documentos do Quênia. Sem eles, disse Sharif, "estou sozinho".

Em 17 de janeiro eles completaram uma das últimas etapas no processo de aprovação dos refugiados: o exame médico. Sharif esperava vê-los até 16 de fevereiro, o quarto aniversário de Nimo. A cunhada dele, em Indianápolis, já lhes comprou brinquedos.

Em 27 de janeiro às 16h42, com uma semana de Presidência, Trump atirou o futuro da família Sharif na incerteza quando assinou o decreto barrando os refugiados.
"Meus filhos ficam perguntando: 'Papai, quando nós iremos?'"

Sharif ainda não contou às crianças. "Elas não podem saber", disse. "Não quero deixá-las sem esperança."
 

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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