Animais de estimação "VIP" ganham lugar para serem mimados no aeroporto JFK

Jane L. Levere

Em Nova York

  • Johnny Milano/The New York Time

    Funcionários cuidam de cavalo em centro especial para animais VIP no aeroporto JFK, em NY

    Funcionários cuidam de cavalo em centro especial para animais VIP no aeroporto JFK, em NY

Há muito tempo que os aeroportos são conhecidos por oferecerem serviços VIP para seus passageiros humanos—a um certo preço. Agora, no Aeroporto Internacional John F. Kennedy (JFK), para os animais também.

Cachorros, gatos, cavalos, pássaros, peixes e até mesmo preguiças poderão ter suas próprias conveniências especiais em um novo centro chamado The Ark (A Arca) no JFK. Os serviços incluirão itens como "patacures" para cães, baias elegantes para cavalos de corrida e alojamentos de quarentena para aves doentes.

As ofertas na Ark, que ocupa quase 7.500 metros quadrados e está sendo aberta em fases, irão desde o essencial até o mais luxuoso. Sua operação será muito mais ampla que a do centro para animais anterior do aeroporto, o Vetport, que fechou em dezembro.

Donos de animais de estimação que estiverem dispostos a gastar um dinheiro extra têm a opção de usar o Pet Oasis da Ark, que abriu em janeiro e dá assistência a animais em trânsito deixados por seus donos antes de voarem, ou por transportadoras de animais ou companhias aéreas. Veículos da Ark podem transportar animais de jatos até os 370 metros quadrados do Pet Oasis. Funcionários da equipe escovam, alimentam, dão água, passeiam e brincam com os animais. As tarifas, que variam de acordo com o serviço, estão disponíveis somente mediante solicitação.

O Paradise 4 Paws (trocadilho entre Paraíso 4 Patas e Paraíso Para Patas), um resort para animais que já tem unidades em aeroportos de Chicago, Dallas e Denver, inaugurará sua unidade principal na Ark no início do verão, com quase 1.900 metros quadrados para suas elegantes acomodações. Ele atenderá a cães e gatos de "pais de bichos" viajantes, bem como animais de funcionários do aeroporto e de pessoas que moram nas proximidades.

O resort terá 150 suítes, 130 para cães e o restante para gatos. A maior delas, a "Top Dog Suite", com 3 m x 4 m, terá uma cama de casal e uma TV de tela plana de 32 polegadas. Os proprietários poderão acompanhar seus animais através de uma webcam 24 horas por dia.

O Paradise 4 Paws oferecerá massagens e tratamentos de unha, juntamente com uma piscina em formato de osso para cachorros. As tarifas variarão entre US$ 35 (R$ 108) e US$ 125 (R$ 388) a noite, dependendo do tamanho das acomodações e do tipo de animal.

Para cavalos "VIP", um centro de exportação de 460 metros quadrados com 23 baias foi inaugurado em janeiro. Suas luxuosas baias contam com piso antiderrapante e feno de alta qualidade para os animais comerem e se deitarem em cima.

Um centro de importação e de quarentena de 1.900 metros quadrados para cavalos, com 48 baias, abrirá em junho. Ele atenderá a cavalos de corrida, de polo, de hipismo e de exibição importados para dentro dos Estados Unidos. Veículos especiais transportarão os cavalos diretamente de baias nos aviões para o centro, e cavalariços olímpicos poderão exercitar os cavalos no local.

As aves, que incluirão desde espécies tropicais até pinguins e gaivotas, serão alojadas em um aviário de 460 metros quadrados que atenderá àqueles que pretendem despachar aves, tanto particulares quanto empresas.

A Ark, que foi construída a um custo de US$ 65 milhões (mais de R$ 200 milhões), não consistirá somente de massagens para cachorros e serviços como os de um concierge de hotel. Ele também terá um hospital veterinário e realizará as quarentenas e prevenções de doenças de requerimento federal.

Cavalos, aves e alguns outros animais que entram nos Estados Unidos devem passar por quarentenas de três a 30 dias para que sua saúde possa ser monitorada e que quaisquer condições médicas sejam tratadas antes que eles sejam admitidos no país. As preguiças, por exemplo, estão sujeitas a uma forte regulação por parte do Departamento de Agricultura e pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, e são providas de um ambiente seguro e aquecido enquanto passam pela quarentena.

Se as condições médicas não são resolvidas, os animais não podem entrar no país. A Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Cornell está supervisionando os processos de quarentena e outros tipos de prevenções de doenças para cavalos e aves na Ark.

A Ark é dona de seu prédio de 16.500 metros quadrados, antes ocupado pela Airborne Express, e subloca os quase 6 hectares circundantes da Autoridade Portuária de Nova York e de Nova Jersey, que opera o JFK. (A Worldwide Freight Services aluga o espaço remanescente). O prédio fica a sete ou oito minutos de carro dos terminais de passageiros do aeroporto.

A Ark foi desenvolvida por John J. Cuticelli Jr., que atua como seu CEO. É uma subsidiária da Racebrook, uma firma de investimentos imobiliários baseada em Nova York que Cuticelli administra desde 2004. Ele e sua mulher, que também é sua sócia, Elizabeth A. Schuette, diretora administrativa da Ark, também são donos do hospital Cornell Ruffian Equine Specialists em Elmont, Nova York, ao lado da Belmont Racetrack.

Além de receber consultoria da faculdade de veterinária de Cornell, Cuticelli trabalhou na Ark com a Gensler, o escritório de arquitetura que projetou os Terminais 4 e 5 do JFK. Ele também teve a consultoria de Temple Grandin, uma designer de instalações para manejo pecuário e professora de zootecnia na Universidade do Estado de Colorado, e de Lachlan Oldaker, uma arquiteta especializada em instalações para cavalos. A Holt Construction é a empreiteira geral e responsável pela construção da Ark.

Derek Huntington, diretor administrativo da Capital Pet Movers e presidente da Associação Internacional de Transportes de Animais, disse que a Ark era o único grande serviço de aeroporto nos Estados Unidos dedicado ao manejo de animais de estimação em partidas e chegadas. Cuticelli consultou Huntington enquanto planejava o Pet Oasis.

A associação calcula que 2 milhões de animais de estimação e outros animais vivos sejam transportados por via aérea todos os anos nos Estados Unidos. O número aumenta para 4 milhões em uma estimativa mundial.

Fora dos Estados Unidos, a Lufthansa operou um "Lounge de Animais" de 4 mil metros quadrados no hub da companhia aérea em Frankfurt desde 2008. Muito mais antigo é o Centro de Recepção Animal de Heathrow, operado pela City of London desde 1977.

Passageiros típicos que estejam viajando com animais de estimação não serão obrigados a usar a Ark. A um custo menor, eles ainda podem providenciar o transporte de seus animais por conta própria, ao despachá-los no compartimento de carga ou em alguns casos levá-los consigo dentro da cabine de seu voo.

Daphna Nachminovitch, vice-presidente sênior de investigações sobre crueldade para a People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), disse que transportar animais no compartimento de carga sempre envolve riscos, não importa quem esteja cuidando do transporte.

"Se você está viajando com um acompanhante animal, o modo mais seguro de fazê-lo é levá-lo consigo dentro da cabine, embaixo do assento, se o animal couber", ela disse. "Nós não recomendamos mesmo o transporte de animais no compartimento de cargas. Vimos tanta coisa dar errado, tantos animais sendo perdidos para sempre, machucados ou mortos".

"Se o animal for grande demais", continuou Nachminovitch, "dirija se você puder, peça a alguém em quem você confia para dirigir, veja se a Amtrak permite o animal, pois às vezes eles permitem, ou, se você tiver dinheiro, alugue um avião particular".

A Ark avisa que todos os animais devem ser microchipados e registrados, disse Schuette, diretora administrativa da Ark. Ela acrescentou que a microchipagem garantia a segurança do animal durante o trânsito e dentro do país.

A Pet Oasis mantém comunicação com a companhia aérea ou com a operadora de carga que esteja transportando um animal para garantir que a informação da companhia aérea afixada do lado de fora da gaiola do animal bata com todas as informações que ela recebe de seu proprietário, ela diz.

Nachminovitch disse: "Se a pessoa tem dinheiro para gastar em algo como a Ark, que torna uma viagem mais segura, somos totalmente a favor. Custa caro cuidar de um animal da forma apropriada e é uma obrigação protegê-los e garantir que eles não fiquem traumatizados ou desconfortáveis".
 

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