Skype, Slack, Inbox: Colunista de tecnologia do NYT elege os melhores apps que usa para trabalhar

Farhad Manjoo

  • Getty Images/iStockphoto/Jane_Kelly

Como os jornalistas do "New York Times" usam a tecnologia em seu trabalho e vida pessoal? Farhad Manjoo, o colunista de tecnologia do "Times", discute o que usa.

P.: Como colunista de tecnologia, que aparelhos e aplicativos você utiliza para realizar seu trabalho?

R.: Não sei ao certo se cheguei a um grande sistema e estou sempre mudando as coisas ao meu redor. No momento, para telefonemas, utilizo o Skype em conjunto com um programa chamado Call Recorder, por ser a forma mais simples que conheço de gravar chamadas. Quando faço entrevistas em pessoa, uso o DropVox, um aplicativo que grava e salva o áudio no Dropbox, o serviço de armazenamento em nuvem. Para notas, uso o Workflowy, um programa online fantástico para fazer anotações, que considero mais fácil de usar do que a maioria dos outros aplicativos para tomar notas.

Meu computador de trabalho principal é um incrível desktop iMac 5k, mas gasto mais da metade de meu tempo de computação em meu telefone, um iPhone 7.

P.: Qual é o seu produto favorito e por quê?

R.: Realmente gosto do meu iPhone. Eles já causaram muitos problemas, mas no geral, acho que estamos melhores com os smartphones do que sem eles.

Mesmo assim, não diria que eles estão realmente entre meus favoritos. A tecnologia ocupa um espaço estranho na minha vida: eu a adoro mais que qualquer outra coisa por seu potencial, mas fico sempre decepcionado por seu fracasso em estar à altura do que é possível. Meu telefone mudou tudo em minha vida, grande parte para melhor, mas me vejo com frequência o odiando, pelas falhas, pela péssima duração da bateria, por sentir falta da saída para fone de ouvido, etc. O humorista Louis C.K. tem uma rotina engraçada sobre como somos todos ingratos a respeito da tecnologia. Eu sou assim, desavergonhadamente.

P.: No ano passado, você escreveu sobre como a eleição presidencial realçou as falhas embaraçosas do e-mail. O que você usa para superar a miséria que é o e-mail?

R.: E-mail é simplesmente terrível. Eu uso o aplicativo Inbox do Google, que tem algumas boas funções que separam automaticamente as mensagens, mas ainda considero o e-mail um imenso fardo. Mais e mais minhas comunicações estão se movendo para outros canais, como Slack, mensagens, Twitter via DM, aplicativos encriptados como Signal, e após o hackeamento dos e-mails de campanha de Hillary Clinton no ano passado, até mesmo comecei a fazer mais chamadas telefônicas. Quanto mais cedo abandonarmos o e-mail, melhor.

P.: Que novo produto de tecnologia você está atualmente obcecado por usar em casa? O que você e sua família fazem com ele?

R.: Isso soará estranho, mas sou uma pessoa estranha. Tenho dois filhos, de 6 e 3 anos, e nos últimos anos, tenho lamentado a perda da infância deles. Todo dia eles ficam um pouco mais velhos, e apesar de minha esposa e eu tirarmos muitas fotos e gravarmos muitos vídeos deles, não consigo me livrar da sensação de que estamos perdendo a maioria dos momentos da vida deles.

Assim, em meados do ano passado, após um lobby intenso por parte da minha esposa, eu fiz algo radical: eu instalei várias câmeras na minha sala de estar e sala de jantar, para gravar tudo o que fazemos em casa para a posteridade. Em outras palavras, eu criei um reality show na minha casa.

Na prática, funciona assim: as câmeras são ativadas por movimento e conectadas a servidores na nuvem. Da mesma forma que as câmeras em lojas de conveniência, elas são configuradas para gravar em um loop constante. Todo vídeo é salvo por alguns poucos dias, após os quais tudo é automaticamente apagado, a menos que eu aponte para que seja mantido.

Sim, esse sistema cria um campo minado de problemas potenciais: nós desligamos as câmeras quando temos convidados (não é ético gravar pessoas sem seu consentimento) e não espionamos um ao outro. Também há preocupações de segurança. Não vou revelar o tipo de câmeras que uso porque não quero ser hackeado. A segurança dos dispositivos da internet das coisas costuma não ser sólida.

Mesmo assim, descobri que as câmeras são maravilhosas para capturar os momentos singulares, bonitos, surpreendentes, encantadores da vida que, caso contrário, não poderíamos capturar. Toda vez que as crianças dizem algo hilário ou bonito, fazem algo pela primeira vez, eu tomo nota da hora e data. Posteriormente, posso ir e baixar o videoclipe exato, para salvá-lo. Já obtive vídeos incríveis de jantares durante a semana, da minha esposa e eu assistindo o noticiário na noite da eleição, do meu filho aprendendo a jogar Super Mario Brothers, de meus filhos dançando a música favorita deles.

Quando eu tiver 80 anos e os robôs assumirem o controle, eu assistirei esses vídeos para me recordar de como a vida já foi boa.

P.: Ok. Qual é a idade que você acha que uma criança deve ter o primeiro smartphone?

R.: Meus filhos são pequenos demais para terem seus próprios smartphones. Até o momento, eles não parecem ter muito interesse pelos telefones fora tirar fotos e, mais recentemente, jogar Pokémon Go. Para eles, iPads são mais interessantes.

Em geral, nossa política para aparelhos não é baseada em tempo, mas em qualidade. Se meus filhos forem usar seus iPads, quero que usem para experiências que não sejam totalmente ruins para eles. Assim, por exemplo, impomos limites a quanto podem usar o YouTube, que usam para assistir aos vídeos mais porcarias (geralmente de outras crianças brincando com brinquedos). Mas para outras coisas, como jogos, por exemplo, permitimos que joguem por uma hora ou duas nos fins de semana.

Realmente não pensei muito sobre quando lhes darei seus próprios telefones. É uma crise que se aproxima. Eu sei que é inevitável e provavelmente cederei quando tiverem por volta de 11 ou 12, mas com certeza odiarei a sensação de perdê-los para seus aparelhos. É claro, essa provavelmente é a forma como eles se sentem a meu respeito e meu telefone.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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