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Companhias aéreas dos EUA investem em spas para passageiros relaxarem

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Passageira repousa em uma cadeira no Asanda Spa Lounge no Delta Sky Club no Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York Imagem: JOHN TAGGART/NYT
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Michael T. Luongo

01/01/2018 00h02

Há muito tempo que os spas são itens básicos de aeroportos na Europa, na Ásia e, especialmente, no Oriente Médio, onde as companhias aéreas são conhecidas por sua extravagância. Mas foi só nos últimos anos que as companhias aéreas americanas começaram a adotá-los.

E os spas, por sua vez, foram adotados por passageiros ansiosos como Emily Lyons, presidente do Femme Fatale Media Group, baseado em Toronto. “Não gosto de andar de avião, fico muito nervosa”, disse Lyons.

Ela fez um curso para lidar com o medo de avião, onde, segundo ela, “O conselho deles foi ficar o mais relaxada possível”. Mas foi só quando ela mencionou seu problema para um concierge da American Express que ela descobriu os spas de aeroporto.

Agora, diz Lyons, “Eu gosto de planejar minhas viagens em torno de spas ou de qualquer outra área que possa me ajudar a relaxar. Além de não gostar de avião, normalmente sou muito ocupada e não teria outra oportunidade de fazer minhas terapias de spa”.

A oferta cada vez maior de spas em aeroportos tem sido impulsionada por diversos fatores, inclusive os acordos entre operadoras de cartão de crédito e companhias aéreas e a concorrência entre salas VIP cada vez mais elaboradas, bem como tempos maiores de espera devido à segurança e a natureza em geral estressante dos aeroportos.

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O Delta Sky Club no Aeroporto John F. Kennedy em Nova York. Imagem: JOHN TAGGART/NYT


Os spas se dividem em dois tipos básicos: os que ficam dentro de áreas comerciais nos terminais dos aeroportos e os que oferecem um clima de privilégio, dentro de salas VIP de companhias aéreas e de aeroportos, muitas vezes acessíveis somente a clientes com cartões de créditos especializados ou que fazem parte de programas de milhagem.

Masuda Sultan, uma empresária americana baseada em Dubai que também faz trabalhos filantrópicos com mulheres em países em desenvolvimento, disse que estava voando de Abu Dhabi para Goa, na Índia, quando descobriu o Six Senses Spa da Etihad Airwyas. “Lembro que alguém com quem eu estava viajando disse, ‘Vamos conferir o spa’, e descobrimos que eles davam massagens grátis”, disse Sultan.

“O fato de ser gratuita dava vontade de fazer”, ela disse. “Posso fazer massagem em qualquer lugar, mas o fator grátis é um privilégio especial”.

A britânica Virgin Airlines foi a primeira a trazer spas para as salas VIP das companhias aéreas em aeroportos americanos, ao abrir um spa em 2012 em seu lounge Clubhouse no Aeroporto Internacional JFK em Nova York. Os outros spas da companhia aérea ficam nos aeroportos de Gatwick e Heathrow, em Londres.

Por e-mail, Louise Holding, porta-voz da Virgin Atlantic, disse que pelo fato de a maioria dos voos da Virgin que saem do JFK “decolarem à noite, nós oferecemos tratamentos que incentivem o relaxamento, que ajude as pessoas a dormirem a bordo”.

Foi somente no último ano que as companhias aéreas americanas começaram a abrir spas. A Delta Air Lines inaugurou seu primeiro spa, com a marca Asanda Spa Lounge, no Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma no final de 2016. A companhia inaugurou um spa no aeroporto JFK e há mais um programado para ser inaugurado em Atlanta.

Brian Condenanza, fundador e presidente da Fluo Shoes, disse que se deparou com o spa da Delta no aeroporto JFK quando estava prestes a embarcar em um voo de 11 horas para Buenos Aires, na Argentina, onde ele morava na época. “Era minha primeira vez em um spa”, ele disse. “Eu estava bem curioso”.

Condenanza disse que usou seu cartão American Express Platinum para ter acesso à sala VIP da Delta, uma das vantagens do cartão, e para pagar pelos serviços. Ele disse que sempre teve curiosidade a respeito de spas de aeroporto para aliviar as tensões antes do voo, mas não se sentia à vontade para entrar em um de terminal porque “todos conseguem ver você, e eu não queria isso”. Os spas de salas VIP “pareciam reservados”.

A ideia por trás dos spas da Asanda é oferecer uma sensação de privacidade e reproduzir os serviços disponíveis em um spa de hotel dentro dos limites do valioso espaço de um aeroporto, disse Gene Frisco, diretor do Asanda Air II, baseado em Nova York.

A American Express também oferece spas, disse Heather Norton, diretora de assuntos corporativos e comunicações da empresa. Em conjunto com a rede de spas Exhale, a American Express abriu spas em suas salas VIP Centurion Lounge nos aeroportos de Miami em 2015 e no de Dallas-Fort Worth em 2013, que oferecem tratamentos de spa de 15 minutos.

Mas a empresa não pretende abrir outros. Mesmo assim, disse Norton, o acordo da American Express com diversas companhias aéreas e com o programa Priority Pass significa que os membros têm acesso às salas VIP que oferecem spas no mundo inteiro.

E para quem não faz parte de programas de milhagem, nem tem um cartão de crédito especial? Muitas salas VIP oferecem passes avulsos, cujo valor varia de US$ 25 a US$ 50 (R$ 82 a R$ 165), e permitem o acesso a tratamentos de spa por uma taxa adicional. E sempre tem os spas de terminais de aeroporto, de marcas que incluem o XpressSpa, Be Relax Spa e outros, que também oferecem corte de cabelo, manicure e outros tratamentos.