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Júri da Geórgia (EUA) concede indenização de US$ 1 bilhão em caso de violência sexual

Hope Cheston (d) tinha 14 anos quando foi estuprada por um guarda - Divulgação/Stewart, Seay & Felton Trial Attorneys
Hope Cheston (d) tinha 14 anos quando foi estuprada por um guarda Imagem: Divulgação/Stewart, Seay & Felton Trial Attorneys

Daniel Victor

25/05/2018 00h01

Hope Cheston tinha 14 anos quando foi estuprada por um segurança armado de um condomínio sobre uma mesa de piquenique, durante uma festa de aniversário de um amigo em Jonesboro, no Estado da Geórgia, em outubro de 2012.

Durante anos, ela pensou que seria esquecida da mesma forma que outras inúmeras vítimas de violência sexual.

Mas na terça-feira (22), jurados do Condado de Clayton, na Geórgia, concederam-lhe US$ 1 bilhão (R$ 3,65 bilhões) em indenização em um processo contra a Crime Prevention Agency Inc., a empresa de segurança que empregava seu estuprador. Seus advogados acreditam que esse foi de longe a maior indenização já concedida por um júri nos Estados Unidos em um caso de violência sexual.

“Meu veredicto basicamente mostra que se você persiste e faz o que precisa fazer para conseguir justiça, pode ter um fim mais positivo”, disse Cheston, hoje com 20 anos, em uma entrevista na quarta-feira (23).

É claro, Cheston, que deu ao “Times” permissão para usar seu nome, quase que certamente não ficará bilionária. A empresa de segurança não vale US$ 1 bilhão, e a quantia da indenização ainda pode ser reduzida pelo juiz.

Mas ela e seu advogado disseram que a sentença oferecia uma vitória simbólica para todas as vítimas de violência sexual.

“Um júri, a partir de agora, saberá que não há um teto para os danos que um estupro causa a uma mulher”, disse seu advogado L. Chris Stewart. “Eles pensaram de fato que um bilhão de dólares era o valor para uma menina de 14 anos ter sido estuprada em público”.

O segurança que a atacou, Brandon Lamar Zachary, 28, começou a cumprir uma sentença de 20 anos de prisão por estupro de vulnerável em 2016.

A mãe de Cheston entrou com uma ação civil em 2015, onde acusava a empresa de segurança de negligência no treinamento e na atuação do funcionário e de não ter conseguido assegurar a segurança de uma menina de 14 anos de idade. Uma mensagem enviada para o diretor-executivo da Crime Prevention Agency ainda não havia sido respondida até quarta-feira.

O juiz da ação civil já havia determinado que a empresa era culpada de negligência, e os jurados foram convocados para determinar a quantia da indenização. Eles parecem ter se comovido com a história de Cheston; depois que o veredicto foi lido, vários deles foram abraçá-la, segundo ela.

Seu terapeuta a instruiu a não falar sobre os acontecimentos do dia em que ela foi estuprada, contou. Mas ela decidiu falar publicamente sobre seu ataque agora porque, embora não o tenha “superado”, ela sente que está em um “lugar confortável” e espera que sua história possa trazer conforto ou uma orientação para outras vítimas desse tipo de crime.

A personalidade de Cheston mudou totalmente após o ataque, ela disse. Ela ficou “muito fechada”, perdeu amigos, e sua relação com a mãe tornou-se muito tensa. Ela passou a ficar mais em casa. Ela até hoje desconfia de figuras de autoridade, especialmente homens, e não se sentiria à vontade para procurar a polícia em alguma emergência.

“Saber que um único encontro inesperado pode mudar sua vida para sempre é aterrorizante”, ela disse.

Hoje ela cursa o segundo ano na Universidade Estadual de Fort Valley, com graduação em assistência social, e trabalha como voluntária ajudando moradores de rua durante o verão, contou. Ela pretende continuar batalhando para conseguir seu diploma.

O “Times” não conseguiu confirmar de imediato se essa foi a maior indenização determinada na história dos Estados Unidos, mas três advogados que não estavam envolvidos no caso disseram acreditar que sim. A maioria dos casos são decididos por muito menos, segundo Brad Edwards, um advogado de Fort Lauderdale, na Flórida, especializado em vítimas de abuso sexual.

Para chegarem a um número, os jurados consideram fatores como danos físicos e angústia mental,  conceitos que são difíceis de quantificar, ele disse.

“Se casos de estupro fossem julgados e os jurados entendessem o efeito incapacitante que esse tipo de acontecimento tem sobre as vítimas, você veria veredictos de centenas de milhões de dólares com bastante frequência”, ele disse.

Tradutor: UOL