15/07/2004

Elton John continua fazendo sucesso com suas letras absurdas

Cantor se apresenta no Radio City Music Hall e é mais uma vez ovacionado pela platéia

Kelefa Sanneh
Em Nova York


Um harpista toca um arpejo. Outros 98 membros da orquestra sentam-se em arquibancadas acima do palco, esperando sua vez. Um coro de 62 membros faz hora. Uma banda de rock está montada abaixo deles. Ali, um homem sentado ao piano, canta:

"I need you to turn to when I lose control/You're my guardian angel who keeps out the cold" (preciso de você quando perco o controle/ você é meu anjo guardião, que me protege do frio).

Quem além de Sir Elton John poderia fazer sucesso com tamanho absurdo?

Na terça-feira à noite (13/07), no Radio City Music Hall, John deu o primeiro de cinco concertos que fará no teatro, com sua banda engordada por músicos da Royal Academy of Music de Londres e da Juilliard School, além de cantores do Brooklyn Youth Chorus. (O concerto levantou dinheiro para bolsas de estudo nas duas escolas). Essa não foi uma noite dedicada a uma declaração musical tímida. Enquanto John correu por seu repertório, foi totalmente descarado e bombástico e -na maior parte- irresistível.

John faz de suas baladas no piano demonstrações atléticas, batendo nas teclas e gritando a letra. (Em "Have Mercy on the Criminal", a forma como disse a palavra "mother" evocou a canção do mesmo nome do cantor de punk-rock Danzig.) Ao final de muitas das canções ele se permitiu receber os aplausos do público em pé, caminhando pelo palco em triunfo. Em sua forma peculiarmente estranha, John é um dos mais machos de nossos astros populares.

Muitas canções se beneficiaram do tratamento de orquestra, ou ao menos não sofreram muito. Houve uma surpresa com "Holiday Inn" levada levemente por um bandolim.

Ele tocou uma versão mais calma de seu sucesso recente "This Train Don't Stop There Anymore", uma canção inteligente, construída em torno de uma confissão:

"All the things I've said in songs/All the purple prose you bought from me/Reality's just black and white/ The sentimental things I'd write/ Never meant that much to me" (Todas as coisas que disse nas canções/ Toda a prosa púrpura que você comprou de mim/ A realidade é apenas branca e preta/ As coisas sentimentais que escrevo/ Nunca significaram tanto para mim).

É claro que esse repúdio deprimido de seu sentimentalismo é outro exemplo dele; como sempre, o brilhante letrista de John, Bernie Taupin, quer dizer tudo.

O teatro parecia cheio de fãs casuais, e John tocou suficientes de seus sucessos para mantê-los contentes, apesar de ter pulado "Bennie and the Jets" (Imagine 62 cantores levantando suas vozes e gritando: "Bennie! Bennie! Bennie! And the Jets!").

Elton John também tocou uma canção nova, "Freaks in Love", de um disco que deverá ser lançado em novembro.

"We're on the outside looking in, a couple of freaks in love" (estamos de fora, olhando para dentro, um casal de esquisitos apaixonados), cantou, em um ritmo tranqüilo de 6/8.

Algumas das canções mais lentas foram barulhentas e cansativas: houve alguns momentos em que você queria que tudo terminasse logo. Mas, quando ele voltou para o bis, cantando uma versão furiosa reforçada pelo coro de "Don't Let the Sun Go Down on Me" não havia nada a fazer senão sentar e admirar o espetáculo.

O grande final foi "Your Song", um dueto de furar os tímpanos com Renee Fleming. "I know it's not much, but it's the best I can do" (sei que não é muito, mas é o melhor que posso fazer) ela cantou para ele. Quem poderia torcer contra um casal tão ridículo?


Tradução: Deborah Weinberg Visite o site do The New York Times



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