Especialistas dizem que não há motivo de pânico quanto ao antraz

Mitch Mitchell

Mate um, assuste 10 mil. Esta é a missão dos terroristas no livro "A Soma de Todos os Medos" de Tom Clancy. Afinal, é isto o que os terroristas fazem ­ assustar pessoas.

E muitos americanos estão assustados com o antraz ­assustados irrealisticamente, dizem alguns especialistas.

Um homem na Flórida morreu de antraz, e agentes do FBI, policiais e órgãos de saúde de todo o país receberam milhares de chamadas de pessoas que acreditavam terem sido expostas à bactéria.

"Sim, isto é normal. Mas faz algum sentido? É claro que não", disse o dr. Daniel Creson, psiquiatra e professor de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Escola de Medicina da Universidade do Texas em Houston.

Mais de 37 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito no ano passado, mas ninguém fica suficientemente com medo a ponto de parar de dirigir, disse ele.

Os americanos necessitam de mais fatos para que possam lidar com o risco de forma mais realista, disseram especialistas em avaliação de riscos.

"Parte do problema é que os cidadãos não possuem fatos médicos chaves à sua disposição", disse o dr. Robert W. Haley, chefe de epidemiologia do Centro Médico da Universidade do Sudoeste do Texas em Dallas. "Assim que tiverem isto, eles ficaram mais tranqüilizadas".

As pessoas têm entre uma e duas semanas para serem tratadas após serem expostas ao antraz antes de ficarem doentes, disse Haley. Depois que ficarem doentes, as pessoas ainda têm quatro dias para serem tratadas antes que a doença se torne severa, disse ele.

Mas o medo desproporcional é compreensível, dizem os especialistas.

"Nossos políticos não são claros", disse Creson. "Eles nos dizem para colocarmos isto sob perspectiva, sermos razoáveis, mas para ficarmos alertas. Eles nos dizem que estamos em grande perigo, mas para retomarmos nossa vida normal. As pessoas estão recebendo muitas mensagens conflitantes".

As autoridades do governo deveriam empregar mais tempo comunicando à população coisas específicas que podem ser feitas para se protegerem e quais medidas são apropriadas para serem adotadas, disse Elaine Vaughan, professora associada de Psicologia da Universidade da Califórnia em Irvine.

"Nós não recebemos instruções específicas do governo, e as pessoas estão relatando em excesso atos suspeitos", disse Vaughan.

Cidadãos de outros países, como Israel e Inglaterra, conviveram com tais ameaças durante anos, disseram os especialistas. Com o tempo, os americanos se acostumarão e se adaptarão à nova ameaça, disse Vaughan.

Mas por ora, o medo do antraz é uma nova dinâmica com a qual as pessoas estão lidando, e o final da história ainda não foi escrito, disse ela.

"É difícil conviver com isto", disse Vaughan.

Tradução: George El Khouri Andolfato Fort Worth Star-Telegram

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