Diana Krall se consagra como a maior estrela do novo jazz

Gene Stout

Seattle, EUA -- Diana Krall viveu uma vida encantada.

Esta vida é o tema de sua primeira canção original, "Charmed Life", gravada por ela no ano passado.

"É uma música para se dançar com o rosto colado, é uma história de amor", afirmou a pianista e cantora. "A idéia me veio numa noite em que eu conversava com meu empresário e pensava: 'Como eu sou uma pessoa de sorte"'.

Porém os fãs de Krall dificilmente escutarão a canção em sua turnê atual, que se inicia neste final de semana em Seattle.

"Eu a escrevi antes dos ataques contra o World Trade Center", ela disse. "Não achei ela fosse muito adequada depois dos ataques".

A paixão profunda de Krall pela música é o que impulsiona sua carreira.

"A música é minha forma de expressão, de minha alegria e de minha tristeza", ela disse.

"E por sorte eu tenho encontrei em Tommy LiPuma um produtor que me compreende, que sabe que minha música é apaixonada e que ela vem do fundo da minha alma e de meu ser".

Para toda uma nova geração de ouvintes, Krall é a nova face do jazz, ainda que os puristas a questionem. Em Lilith Fair há vários anos, adolescentes cantaram junto com ela sua versão sexy de "Popsicle Toes", de Michael Frank.

Em sua edição de final de ano, a revista "People Weekly" colocou Krall na capa, apresentada como "uma das 25 pessoas mais intrigantes de 2001". Figuravam também na lista George W. Bush, Rudolph Giuliani, Julia Roberts e Condoleeza Rice, entre outros.

Esta cantora-pianista de 37 anos de idade e nascida em Nanaimo, British Columbia, abriu sua última turnê com apresntações nas noites de sábado e domingo no Paramount Theatre. Krall foi acompanhada por Jeff Hamilton (bateria), Pierre Bousseguet (baixo) e Anthony Wuilson (guitarra).

A turnê promove o penúltimo álbum de Krall, "The Look of Love", uma reunião de 10 irresistíveis canções açucaradas, entre as quais figuram "Cry Me a River", "I Get Along Without You Very Well", "The Night We Called It a Day", "Maybe You'll Be There", além de uma versão espanhola cuidadosamente elaborada por Krall para "Besame Mucho". Seu canto de filme noir é sexy, aveludado e marcado por uma sutil melancolia.

Este disco -- o primeiro gravado por ela para o selo da Verve - vendeu 94.000 cópias na primeira semana após o lançamento em setembro do ano passado, e saltou para a nona posição da lista da Billboard -- uma colocação extraordinária para um álbum de jazz.

Krall participa de um dueto (ao lado do baixista Christian McBride) em "Cry Me a River", e juntou-se a Tony Bennett para cantar "I've Got the World on a String" na festa de Clive Davis realizada antes da premiação do Grammy em Los Angeles.

O primeiro convite recebido por Krall para a festa anual de Davis surgiu em 1999, ano em que ela fora indicada para a categoria "Álbum do Ano" por "When I Look in Your Eyes". "A indicação para esta cobiçada categoria do Grammy foi a primeira recebida por um artista de jazz em 25 anos.

A carreira de Krall deslanchou em 1999, ano em que ela se tornou uma celebridade do mundo do jazz. Sua música já havia aparecido em três temporadas da série televisiva "Sex and the City" e nos filmes "Outono em Nova York", "Destinos Cruzados" e "A Cartada Final".

No momento em que conversávamos, Krall passava por um dos dias tipicamente lotados que a mantinham longe de casa -- ela na verdade possui duas casas, uma em Nova York e outra em Vancouver. No ano passado, ela ficou quase 300 em turnê.

Krall anda tão ocupada com participações especiais, concertos beneficentes e outros eventos que não pôde participar no Canadá do último National Jazz Awards, que lhe concedeu três prêmios.

"Eu estava na Europa, mas deixei o meu muito obrigado. Foi uma honra muito, muito grande", ela disse.

Krall começou a tocar piano aos quatro anos de idade. Aos quinze, ela tocava clássicos do pop e do jazz aos finais de semana em uma churrascaria de Nanaimo. Mais tarde ela ganhou uma bolsa da Escola de Música da Berklee em Boston, onde estudou durante dois anos antes de mudar-se para Los Angeles, onde abriria caminho para sua carreira de gravações.

Em Los Angelees, Krall conheceu alguns de seus principais guias: o baixista Ray Brown, o diretor musical do Hollywood Bowl, John Clayton, e o falecido Jimmy Rowles, que estimulou-a a cantar.

A primeira gravação de Krall surgiu em 1993, com o álbum "Stepping Out". Em seguida vieram, "Only Trust Your Heart" e "All for You", uma coletânea em homenagem ao Nat King Cole Trio. O álbum seguinte, "Love Scenes", colocou-a no panteão do jazz e abriu-lhe caminho para o sucesso de "When I Look in Your Eyes", que arrebatou um Grammy por melhor performance vocal de jazz e recebeu uma indicação para o prêmio de Álbum do Ano. Com "When I Look", o jazz subitamente passou novamente a ser vendável. O disco vendeu mais de 2 milhões de cópias.

O próximo lançamento de Krall será "Diana Krall: Live in Paris", um DVD que estará às vendas a partir de 2 de abril. O DVD foi baseado no concerto realizado em Dezembro no Teatro Olympia, com canções de "The Look of Love" e álbuns anteriores. Este mesmo concerto será ainda exibido como um especial para a televisão, que provavelmente será transmitido em meados deste ano. "Não há assobios e gritos, só música", disse Krall.

Porém o que surpreende é o elenco de estrelas que a acompanha. Entre elas estão Jeff Hamilton na bateria e John Clayton no baixo, com a regência de Claus Ogerman. Outro regente foi Alan Broadbent, seu professor de piano em Los Angeles após ela ter chegado à cidade, com dezenove anos de idade.

"O DVD é o testamento autêntico de tudo que sonhei quando tinha 16 anos de idade", ela diz.

"Meus pais estavam lá e minha mãe e eu cruzamos os olhos e eu pensei: 'Você acredita nisso?' Este era o meu sonho de menina e ele se realiza depois de tanto tempo. Por isso, tudo que aconteceu não foi apenas surpreendente para mim. Você provavelmente nunca me verá tão feliz como dessa vez. Foi uma experiência empolgante para mim".

Em abril, Krall irá apresentar-se com outro ídolo e agora amigo, Elton John, no Concerto Beneficente contra o Câncer de Mama Estee Lauder em Nova York. Eles subirão juntos ao palco para uma tocar uma versão de "Makin' Whoopee". John, que trabalha ao lado do letrista Bernie Taupin, também escreveu uma canção para Krall.

Elton apóia muito os artistas mais jovens. Eu digo que ele é o nosso padrinho encantado", ela diz em meio a risos. "Eu o vi em um vídeo de Bryan Adams. Ele é surpreendente. Sempre tem tempo para nós. E para quem tem uma vida tão maluca, doida e cheia de compromissos, isso é admirável".

Tradução: André Medina Carone

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