Atentados podem ter provocado aumento da taxa de natalidade nos EUA

Ellen Schroeder
Fort Worth Star-Telegram

Os obstetras de algumas regiões dos Estados Unidos estão relatando que houve uma explosão no número de mulheres grávidas -- o que, segundo certas pessoas, seria uma indicação de que a nação estaria buscando um certo "consolo" após os episódios de 11 de setembro.

Alguns obstetras do norte do Texas afirmam que têm presenciado um aumento entre 30% e 50% do número de mulheres grávidas, comparado ao mesmo período do ano passado. E novos relatórios sobre um "baby boom" também emergiram em Nova York, Carolina do Sul e Wisconsin.

Especialistas afirmam que aumentos similares no número de gestações ocorrem após desastres naturais, guerras e blecautes. As pessoas muitas vezes tentam estabelecer raízes durante tempos difíceis porque acreditam que isso se constitui em uma técnica de sobrevivência, afirma Bethany Hampton, psicóloga de Dallas.

"Vejamos o que aconteceu após a Segunda Guerra Mundial. Houve toda aquela violência e, a seguir, um "baby boom" nos Estados Unidos", diz ela. "Há uma ênfase em retornar àquilo que importa: estabilidade, conforto e os prazeres simples da vida. As pessoas sentem que precisam de amor".

Outros dizem que um "baby boom" poderia ser o resultado do fato de os casais passarem mais tempo juntos.

Os ataques terroristas de 11 de setembro estimularam muita gente a ficar em casa. Várias lojas cerraram temporariamente as suas portas, e muitas empresas mandaram os seus empregados para casa. O país estava de luto, e os casais procuraram se consolar ficando mais tempo juntos".

"Quando as pessoas ficam mais tempo em casa, é isso o que acontece", afirma G. Sealy Massingill, vice-presidente do departamento de obstetrícia e ginecologia do Hospital John Peter Smith. "É a tendência biológica normal. É um fenômeno que persistirá por alguns meses".

O número de partos começou a aumentar em toda a nação antes dos ataques de 11 de setembro, de acordo com um estudo do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde.

Em 2000, quatro milhões de nascimentos foram registrados nos Estados Unidos, um aumento de 3% em relação a 1999, demonstra o estudo. Em 2000 foram registrados 363.325 nascimentos no Texas, um aumento de 4,1% com relação a 1999, segundo o Escritório Estadual de Estatísticas Vitais.

E 2000 foi o terceiro ano consecutivo em que os nascimentos aumentaram em toda a nação, após um período de declínio de 7%, de 1990 a 1997, demonstra o estudo. A taxa de natalidade aumentou entre 3% e 5% entre as mulheres com pouco menos ou pouco mais que 30 anos de idade. Foi registrado o maior número de partos dos últimos 30 anos entre as mulheres entre 45 e 49 anos.

Brady Hamilton, um dos realizadores do estudo, afirma que vários fatores podem responder por este aumento da taxa de natalidade. Entre eles, uma economia robusta no período e o chamado "echo boom", o resultado de as pessoas nascidas no "baby boom" (grande aumento da taxa de natalidade nos Estados Unidos, nas duas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial) estarem agora tendo filhos.

Mas o que os médicos dizem que estão presenciando no momento vai além desses fatores.

"Nós presenciamos um mês movimentado, e ficamos pensando no que teria ocorrido nove meses atrás", diz o obstetra Mark Reimer, de Grapevine, no Texas.

O mesmo acontece com algumas empresas.

A Stork Avenue, uma empresa nacional de anúncios de nascimentos, com sede na Flórida, acusou um aumento de 400% no número de pedidos de catálogos por mulheres para o período de maio a julho deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, afirma o presidente da companhia, Bob Hunter.

Vanessa Hickey, 31, que está esperando o seu segundo filho para agosto, achava que a recessão econômica e os ataques de 11 de setembro fariam as mulheres adiar a gravidez, devido às incertezas quanto ao futuro. Hickey, que tem um bebê de 14 meses, diz que antes de 11 de setembro já planejava ter um bebê este ano.

"Fico um pouco surpresa com o fato de ter aumentado o número de gestações, tendo em vista o estado da economia e outros fatores negativos", diz ela. "É bom ouvir que as pessoas continuam a tocar as suas vidas, tentando não deixar que os problemas as afetem muito".

De fato, após 11 de setembro, Anna Riehm e o seu marido decidiram ter um filho antes do planejado.

"Pode ser que a decisão se deva ao clima que se seguiu a setembro", diz ela. "Queríamos alguma segurança, algo de positivo que nos motivasse quanto ao futuro. De alguma maneira, os fatos fizeram com que não quiséssemos esperar".

Na Clínica Média do Norte do Texas, os resultados positivos para exames de gravidez aumentaram de cerca de 15 por semana para aproximadamente 25 por semana, desde o 11 de setembro, afirma a enfermeira Barbara Robinson. Casais que adiavam a gravidez para mais tarde estão decidindo ter os filhos mais cedo.

"Creio que eles estão percebendo que o tempo é algo muito frágil", diz Robinson.

Na clínica do médico Michael Fite, em Fort Worth, a equipe de obstetrícia espera que haja 11 ou 12 partos por mês entre setembro e novembro deste ano, contra uma média de sete a oito no mesmo período do ano passado. Mas, segundo Rhonda Hollis, enfermeira da clínica, o número de partos entre junho e agosto será praticamente o mesmo registrado para estes meses no ano passado.

"Se as mulheres decidiram ficar grávidas, essa decisão foi tomada nos primeiros meses que se seguiram aos atentados. E é claro que também é preciso levar em conta o estado da economia", afirma Hollis. "O preço da gasolina está mais alto. Tudo está mais caro. As pessoas ficam em casa. E quando elas ficam em casa, se envolvem mais com suas famílias".

Raimer, o obstetra de Grapevine, diz que espera fazer o parto de 19 bebês em julho e 22 em julho. No ano passado ele fez cerca de 14 partos por mês.

Ele diz que atende a uma população crescente de jovens casais, o que responde por parte do aumento do número de gestações. Mas ele acredita que o 11 de setembro teve influência nesse fenômeno.

"A minha opinião pessoal -- e não a opinião médica -- é que todos nós fizemos uma reflexão depois do 11 de setembro, e a família se tornou mais importante. Seria este o único fator? Não. Mas creio que é um dos fatores", afirma Reimer.

O Centro Médico Baylor, em Grapevine, está se preparando para atender mais gestantes este verão. Vários desses partos podem ser atribuídos ao rápido crescimento populacional, mas os membros da equipe hospitalar sabem com base na própria experiência que os desastres costumam resultar no aumento da taxa de natalidade.

"Quem sabe o que o 11 de setembro vai nos trazer?", pergunta Tamara Turner, coordenadora da equipe de parto do centro médico. "Mas nós nos preparamos para o que der e vier. Temos que estar prontos".

Tradução: Danilo Fonseca Fort Worth Star-Telegram

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