Matt Damon estrela filme sobre o lado negro da CIA

William Arnold
Seattle Post-Intelligencer

"The Bourne Identity", o best-seller de 1980 escrito pelo autor Robert Ludlum, é um produto da era pós-Watergate e a sua visão sinistra da CIA é um dos motivos pelos quais o congresso norte-americano decidiu devassar a agência e mantê-la sob rédea curta nos 20 anos seguintes.

E agora, que podemos usar uma boa dupla de assassinos da CIA para neutralizar os nossos inimigos furtivos, uma nova versão do romance soaria - assim como "Bad Company", "Big Trouble" e tantos outros filmes cuja produção foi iniciada antes do 11 de setembro - como um caso horroroso de má sincronia.

Mas, de alguma forma, o filme funciona como um relógio. As suas cenas e sensibilidade são todas mais que familiares, mas ele transpira uma espécie de charme nostálgico de filme de espionagem e, ao mesmo tempo, é tão agradável e isento da tradicional incoerência dos filmes de aventura que parece que estamos presenciando a história pela primeira vez.

Ainda que as expectativas quanto à performance do filme nas bilheterias do cinema sejam baixas, ele pode ser a surpresa do verão e, com duas seqüências e dezenas de livros relacionados a história nas prateleiras, Ludlum (o autor morreu no ano passado) pode acabar se tornando a mercadoria mais quente de Hollywood para a próxima estação.

A história, que já foi filmada em uma versão para a televisão, em 1988, estrelada por Richard Chamberlain, fala de um jovem (Matt Damon) que é retirado do Mediterrâneo com dois tiros nas costas, e que não se lembra de quem é ou como foi parar naquele local.

A sua única pista é um número de um cofre de depósitos em Zurich, cuidadosamente escondido no seu corpo. Mas quando ele encontra o cofre, descobre que possui múltiplas identidades e vários passaportes. E quando se dirige à Embaixada dos Estados Unidos, buscando auxílio, é tratado como se fosse um John Dillinger.

O restante do filme é basicamente uma longa seqüência de ação, na medida que o jovem conta com uma cúmplice (Franka Potente), vai a Paris e luta para resolver o seu enigma, enquanto a CIA o persegue, determinada a mata-lo de qualquer maneira.

Sim, já vimos essa história anteriormente - cenas de ação, perseguições automobilísticas épicas e o herói dependurado no topo de um edifício alto. Mas essa consegue ser uma elegante e estonteante aventura, executada com elegância genuína, um suspense de tirar o fôlego e um roteiro que leva a ação a níveis pouco vistos.

A grande surpresa é o diretor Doug Liman, cujos trabalhos anteriores ("Swingers", "Go") não fornecem pistas de que ele faria um filme de suspense com tanta originalidade e estilo. E Liman é especialmente imaginativo ao usar os dispositivos de efeitos digitais, de forma que o filme evoca as delícias de um jogo de videogame de primeira categoria. Damon também é uma agradável surpresa. Com o seu estilo intelectual, compleição mediana e jeito de um Howdy Doody, o ator parece a primeira vista um herói improvável. Mas ele bate nos seus desafetos com uma convicção irresistível, e o seu ar de confusão infantil o torna bastante convincente no papel de uma vítima de amnésia.


Tradução: Danilo Fonseca Seattle Post-Intelligencer

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