Matt LeBlanc troca Joey por travesti no filme 'All The Queen's Men'

Evan Henerson
Los Angeles Daily News

Ao assistir o geralmente macho Matt LeBlanc perambulando pela Berlim ocupada vestindo seda, peruca e maquiagem no filme "All The Queen's Men", que se passa na Segunda Guerra Mundial, o fã comum do seriado "Friends" fica propenso a disparar farpas em velocidade semi-automática: Xi, será que o quase sempre desesperado Joey Tribbiani (o ator em dificuldades que LeBlanc interpreta no seriado) se rebaixaria tanto? Ele não está fazendo um travesti... bem... um tipo de travesti?

Sim e não, admite o ator de 35 anos. Sem gostar nem mesmo de clássicos de travesti como "Quanto Mais Quente Melhor", LeBlanc inicialmente nem mesmo queria tocar em "All the Queen's Men", mesmo que isto pudesse representar um avanço em sua carreira.

"A princípio eu pensei assim, 'Deus, quando finalmente consigo um grande filme de espionagem, eu preciso vestir uma b... de vestido?'" disse LeBlanc. "Por mais que tenha gostado do personagem e da história, eu não gostei do aspecto travestido dele. Eu pensei, 'Será que não poderiam deixar isso de lado? Não dá para tirar?'"

Na verdade, não podiam, e LeBlanc logo viu a razão. Não dá para fazer um filme sobre uma ousada tentativa de quebrar o código Enigma e eliminar o próprio ardil no qual a missão se baseava. "Queen's Men", um filme produzido pela Atlantic Streamline e escrito por David Schneider, se inspira em eventos reais. Soldados aliados foram enviados em missões mesmo depois do código Enigma ter sido quebrado.

E alguns agentes do Escritório de Serviços Estratégicos se vestiram de mulher enquanto faziam seu trabalho na Europa Oriental.

"Esta era a única forma para poderem circular", disse LeBlanc. "Se você fosse um homem perambulando pela Alemanha, você seria um suspeito. Se fosse mulher, você podia ir e vir como bem entendesse".

Fora do radar

Estabelecida a premissa, LeBlanc assinou determinado a preservar a integridade temática de "All the Queen's Men". Apesar de seus aspectos engraçados, o filme é um drama, insiste seu astro.

"Eu meio que realizei um acordo com todo o elenco. Ninguém interpretou para fazer graça", disse LeBlanc, que filmou "Queen's Men" dois anos atrás em Viena e Budapeste. "Todos interpretaram fora do radar. O que estava em jogo era muito alto: se você fosse pego, estava morto. Então torne crível e se pareça uma garota. Não pisque para a câmera -e não atue de forma camp".

O elenco rapidamente entrou na linha, segundo o produtor Marco Weber.

"Após alguns dias no set, os rapazes nem mesmo trocavam de roupa na hora do almoço. Se tornou o estilo de vida deles durante as filmagens, e foi interessante de observar".

Algo a provar

Mas não temam, fãs de Joey. O agente especial americano Steven O'Rourke, o personagem de LeBlanc em "Queen's", não passa o filme todo em um vestido. O filme começa com um esforço fracassado de roubar uma máquina Enigma. Enquanto cumpre pena em uma prisão militar britânica, O'Rourke -que carrega o apelido pejorativo de "Agente Especial Quase" pelo fracasso em completar suas missões heróicas- é ordenado a liderar uma equipe através das linhas inimigas e se infiltrar em uma fábrica para roubar outra máquina Enigma.

Como a fábrica é composta exclusivamente de mulheres, a equipe de O'Rourke precisa negociar com as dificuldades de se passarem por mulheres, uma tarefa mais difícil para O'Rourke, para o secretário Archie (interpretado por James Cosmo) e pelo decifrador de código Johnno (David Birkin) do que para Tony, o ator travesti de cabaré interpretado pelo famoso astro drag britânico Eddie Izzard. Para complicar as coisas, surge um romance entre O'Rourke e a combatente da resistência Romy (Nicolette Krebitz).

Mas não há complicações românticas ao estilo "Tootsie". Romy sabe que o disfarçado O'Rourke é um homem. De fato, é necessário muito esforço para pensar o contrário.

"Ei, não é uma ciência exata", disse LeBlanc. "Os únicos que supostamente devem acreditar são os nazistas, e ninguém gosta dos nazistas, então se eles são estúpidos para acreditar nisto, tudo bem, certo?"

E rindo ou não, Weber ("Igby Goes Down"), que tirou "All The Queen's Men" de 15 anos no limbo do desenvolvimento, apóia a posição de LeBlanc de que o filme é um "drama bem-humorado".

"Você está lidando com uma história muito séria", disse Weber. "Nós não podemos dizer, 'Vamos esquecer toda a dor e cair na brincadeira'".

Tamanho 007

Em LeBlanc, o diretor Stefan Ruzowitzky encontrou um herói de ação típico dos anos 40: polido, charmoso, atraente às moças (quando não se parece com elas, é claro). Pode chamá-lo de James Bond de vestido, se quiser.

A crença de Weber de que LeBlanc era o homem certo para o papel não foi resultado do trabalho do ator em "Friends" ("Eu nunca assisti a um único episódio", disse o produtor), mas sim em "Perdidos no Espaço", a versão para o cinema de 1998 da série de TV, no qual LeBlanc interpreta um piloto convencido que namora a Judy Robinson de Heather Graham.

Os outros cinco membros do sexteto de "Friends" se mantiveram ocupados com projetos para o cinema durante os nove anos da série. Além de "Perdidos no Espaço" e o esquecível filme de chimpanzé jogando beisebol, "Ed -Um Macaco Muito Louco", LeBlanc manteve sua agenda relativamente aberta.

Assim, quando LeBlanc encontrou um projeto pessoal que o interessou, a equipe de "Friends" se mostrou mais do que disposta a ajustar as coisas para ele, apesar de sua participação em "All The Queen's Men" ter envolvido uma agenda criativa. Como LeBlanc estava gravando a sétima temporada de "Friends" ao mesmo tempo em que filmava "Queen's Men", ele passou mês pegando semanalmente jatos fretados entre Los Angeles e Budapeste.

"As pessoas acham que tudo gira em torno de dinheiro", disse o produtor executivo de "Friends", Kevin Bright. "Mas um dos motivos pelos quais conseguimos manter os atores na série é que quando um filme é importante para eles, nós damos as condições para que isto aconteça de alguma forma. Este filme era muito importante para o Matt, e foi a primeira vez que ele fez um filme durante 'Friends'".

Como ele se saiu?

A equipe de "Friends", que recentemente viu Jennifer Aniston se afastar de sua personalidade de Rachel Green para aclamação da crítica em "Por um Sentido na Vida", torce para que "Queen's Men" ajude igualmente o público a ver LeBlanc de uma forma diferente.

Esta certamente é uma das metas de LeBlanc. O ator diz que deliberadamente rejeita a maioria dos roteiros que pedem por um clone de Joey.

"Talvez eu seja um pouco tendencioso", disse ele, "mas na minha opinião, com a comédia, nunca será tão engraçado como em 'Friends'. Eu li esses roteiros onde querem que eu interprete um sujeito desajeitado e tonto, e não quero fazer isto. Não é um desafio para mim".

LeBlanc teve uma pequena participação no sucesso "As Panteras", em parte como um favor à sua antiga amiga Drew Barrymore. Ele estará de volta na seqüência, "As Panteras 2", que lhe dará a oportunidade de aparecer mais tempo na tela na lado do comediante veterano John Cleese, um ator que, segundo LeBlanc, "sabe exatamente onde está a graça".

Enquanto isso, "Friends" está no meio de sua nona -e provavelmente última- temporada. Apesar de LeBlanc ter passado a maior parte dos primeiros anos da comédia como alívio humorístico simpático e superficial, Joey Tribbiani amadureceu e se aprofundou. Bright aponta o recente triângulo amoroso envolvendo Joey, Rachel (Aniston) e Ross (David Schwimmer), uma seqüência que deu a LeBlanc um indicação ao Emmy em setembro.

"À medida que a séria avançou, nós nos tornamos mais cientes da capacidade de atuação de Matt", disse Bright. "Há um lado sensível de Joey que realmente deu mais corpo ao personagem".

O que não significa que, sensível ou não, LeBlanc não receberá alguma gozação amigável por seu trabalho como travesti.

"Pode ser que haja alguma gozação nesta semana", disse Bright. "Mas como ainda não vi ele de vestido, não posso dizer. As pernas dele podem estar ótimas, e eu posso não ter nada a dizer".

Tradução: George El Khouri Andolfato Los Angeles Daily News

UOL Cursos Online

Todos os cursos